Envolvido em tiroteio de Guarujá já era procurado pela Justiça

Heribaldo Silva Santos Júnior, o Juninho Camisa Dez, foi condenado no mês passado a 12 anos de reclusão por enviar cocaína à Itália

21/04/2018 - 11:50 - Atualizado em 21/04/2018 - 11:53

Juninho Camisa Dez foi condenado por enviar 32 kg de 
cocaína para a Itália (Foto: Reprodução)

Um dos sete homens presos com 213 quilos de cocaína, após tiroteio com policiais civis e militares, em Guarujá, na quarta-feira, já era procurado da Justiça Federal por tráfico internacional de drogas.

Heribaldo Silva Santos Júnior, o Juninho Camisa Dez, foi condenado no mês passado a 12 anos de reclusão em regime inicial fechado, por enviar 32 quilos de cocaína para o Porto de Gioia Tauro, na região da Calábria, sul da Itália.

Dividido em 29 tabletes, este entorpecente foi descoberto em um terminal do Porto de Santos, em 15 de fevereiro de 2014, durante a Operação Oversea, da Polícia Federal (PF). Porém, apesar do encontro do tóxico, ele foi embarcado no navio MSC Abidjam, como se nada tivesse sido apurado, e seguiu para a Itália.

Com ordem judicial e objetivando identificar os importadores da cocaína, a PF colocou rastreador em um dos tabletes para monitorar a carga ilícita. Os resultados dessa operação internacional de repressão ao narcotráfico, prevista em lei e chamada de ação controlada, não foram divulgados.

Pelo Brasil, as investigações da PF apuraram que Juninho Camisa Dez foi um dos responsáveis por introduzir os 32 quilos de cocaína em um contêiner carregado com couro. Apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), ele teve a prisão preventiva decretada, mas permanecia desde então foragido.

Diante da iminente condenação do réu, em razão do conjunto probatório integrado inclusive por conversas telefônicas interceptadas com autorização judicial, a sua defesa tentou reduzir a sua pena com pretensa colaboração premiada.

Com paradeiro ignorado pelas autoridades, Juninho da Dez elaborou declaração com assinatura reconhecida em cartório, na qual admitia participação nos embarque dos 32 quilos de cocaína para a Itália. No entanto, apontava um homem como o suposto líder da logística do crime organizado.

Entorpecente foi periciado e resultou em 213 quilos de cocaína (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

O documento foi apresentado pela defesa do acusado à 5ª Vara Federal de Santos, mas não convenceu o juiz Roberto Lemos dos Santos Filho. O homem acusado por Juninho, segundo investigações da PF, foi morto e enterrado por integrantes do PCC, embora o seu corpo não tenha sido achado.

O juiz observou na sentença que os indícios são os de que Juninho buscou uma eventual redução da sua pena “jogando a culpa no falecido” e tirando o foco de outros envolvidos. Além disso, as informações prestadas pelo réu não surtiram o efeito esperado de uma colaboração premiada, no sentido de se desmantelar o restante da organização criminosa.

Tiroteio

Na quarta-feira, Juninho da Dez e mais seis homens eram monitorados por policiais do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), da Polícia Civil paulista. Os agentes apuraram que o grupo introduziria 213 quilos de cocaína no Porto de Santos para despachá-los ao Exterior.

Houve tiroteio e policiais militares chegaram em apoio à equipe do Denarc. Ninguém ficou ferido e, além da cocaína, foram apreendidos fuzil calibre 5.56, pistola 45, caminhão e mais cinco veículos utilizados pela quadrilha no transporte de entorpecentes. Quatro acusados estavam em um galpão de Vicente de Carvalho. Os demais ocupavam o caminhão.

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