Dupla sequestra veterinária em plena luz do dia na Vila Belmiro

Ladrões foram presos horas depois, em São Vicente, após atingir quatro motos; um deles foi baleado

23/05/2018 - 18:06 - Atualizado em 23/05/2018 - 22:37

Quatro motociclistas parados em um semáforo
foram atingidos pelos bandidos (Foto: Reprodução)

Em plena luz do dia, uma veterinária foi vítima de sequestro-relâmpago quando estacionava o seu carro na garagem do prédio onde mora, em Santos. Cerca de uma hora depois, dois ladrões que a levavam como refém no veículo foram presos, em São Vicente, após atingir quatro motociclistas parados em um semáforo. Um dos marginais foi baleado e passa bem.

 

Ayslan Mysthyan Anthony da Silva Ribeiro e Marcelo Costa Tartaglione, ambos de 18 anos, são os capturados, mas eles contaram com a participação de outros criminosos que ainda não foram identificados. Essa dupla foi quem rendeu a veterinária na garagem do edifício, às 14h15 de terça-feira (22).

A vítima foi obrigada a passar para o banco traseiro, onde também sentou Ayslan. Marcelo assumiu o volante e seguiu até um morro, que a veterinária não soube identificar. Em determinado momento, os marginais estacionaram na frente de um bar, exigiram que ela encobrisse o rosto com uma camiseta e começaram a conversar com outros comparsas.

Dois cartões bancários da vítima foram roubados e entregues aos criminosos que estavam na frente do bar. Sob ameaça de morte, a veterinária teve que informar as suas respectivas senhas. Em seguida, Marcelo e Ayslan seguiram com o carro da mulher, levando-a como refém, enquanto os comparsas tomaram outro rumo para realizar saques. 

Venda do automóvel

A dupla que estava com a vítima parou o carro posteriormente em outro lugar e o trancou com ela dentro, após mandá-la se deitar no banco traseiro. O alarme do veículo foi acionado pelos ladrões e disparou duas vezes, motivando-os a sair desse local e a continuar a transitar com a veterinária, enquanto os parceiros realizavam saques com os cartões.

Durante percurso com destino a Praia Grande, Marcelo e Ayslan tentaram negociar a venda do veículo por telefone. Tão logo o carro ingressou neste município, policiais militares foram informados pelo sistema de câmeras da Prefeitura e passaram a acompanhá-lo.

Marcelo realizou um retorno e começou a trafegar no sentido São Vicente. Logo após atravessar a Ponte do Mar Pequeno e ingressar na Rua Capitão Luiz Antonio Pimenta, o marginal foi obrigado a parar em um semáforo na altura do Centro de Convenções vicentino. Uma viatura do 45º BPM/I logo encostou atrás do automóvel e os policiais desembarcaram.

Com o farol ainda vermelho, Marcelo acelerou para tentar fugir e atingiu quatro motos pilotadas por uma professora, um técnico de informática, um serralheiro e um médico legista. Com a pista bloqueada, os rapazes saíram do veículo e correram para direções diferentes. Ayslan fez menção de sacar uma arma da cintura e um dos PMs e o médico legista dispararam em legítima defesa.

Baleado no tronco, Ayslan se abrigou em um comércio nas imediações, sendo preso pelos PMs. Ele portava na cintura um revólver 38 carregado com seis balas. Marcelo tentou roubar um Citroën C4 Pallas que estava parado no semáforo, mas desistiu, porque o carro estava com a porta travada.

Na sequência, Marcelo fugiu em direção à Rodovia dos Imigrantes, ingressou em um beco e se refugiou em uma casa, onde foi achado e detido. Ele e Ayslan possuem várias passagens policiais na época de adolescência pela prática de roubos. Ambos já estiveram internados na Fundação Casa, onde participaram de rebelião com agressão a funcionários.

Risco assumido

O delegado Daniel Pereira de Souza, da Delegacia de São Vicente, autuou Ayslan e Marcelo em flagrante pelos crimes de roubo qualificado e extorsão, em relação à veterinária. À dupla também foram atribuídos os delitos de tentativa de homicídio qualificado contra os quatro motociclistas atropelados.

Segundo o delegado, os acusados “assumiram o risco” de matar estas vítimas ao acelerar o veículo na direção delas. Daniel de Souza destacou que a dupla agiu desse modo para garantir a execução e a impunidade de crimes anteriores (roubo e extorsão), o que qualificou as tentativas de homicídio.

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