Dono de carro incendiado por travestis relata confusão no Centro de Santos

Rapaz disse ter parado em um bar para comprar cigarro e acabou abordado pela acusada

18/01/2018 - 15:14 - Atualizado em 18/01/2018 - 16:25

Em entrevista exclusiva para A Tribuna, o dono do Focus branco incendiado no Centro de Santos, na manhã desta quinta-feira (18), contou sobre a confusão que teve início em um bar, conhecido como ponto de prostituição. Vendedor, solteiro e com 28 anos, ele disse que passou a madrugada na Rua XV de Novembro, no Centro Histórico. Ao amanhecer, ele se dirigia para a casa, mas decidiu parar na Rua João Pessoa com a Avenida Senador Feijó para comprar cigarros na esquina. Para isso, pegou R$ 10,00, deixando a carteira com o restante do dinheiro, documentos e cartões bancários dentro do automóvel, que foi trancado.

Além do rapaz, o episódio envolveu quatro travestis (Karolaine, de 26 anos, e três menores de idade) e duas adolescentes. “O (sic) travesti (Karolaine) me abordou. No momento era um só. Perguntou se eu queria fazer um programa. Falei que não gostava de travesti, que não era homossexual. Ele me intimou, falando que era mais homem do que eu e, se fosse preciso, me mostrava ali, agora”, relatou o dono do carro. A partir daí, ele alegou que empurrou Karolaine, que retirou uma faca da bolsa.

“Assim que sacou a faca, fiquei acuado, com medo, temendo pela minha vida e corri”, emendou o jovem. Ele retornou ao carro para tentar fugir, mas o automóvel foi cercado por  Karolaine e suas amigas. Uma delas arrancou a chave do contato e o vendedor disse que fugiu a pé, só sabendo posteriormente que o carro havia sido incendiado. “Gritavam ‘pega, pega’ e fiquei apavorado”.

De acordo com o rapaz, a sua carteira sumiu do porta-luvas. Ano 2012, mas modelo 2013, o Focus foi avaliado por ele em R$ 34 mil. O veículo está no seguro e o vendedor demonstrava preocupação se a companhia seguradora cobrirá os danos, em razão da sua causa.

Ofensa e cabeçada

Com exceção de Karolaine, A Tribuna conseguiu conversar com as demais travestis e as adolescentes. Segundo elas, o vendedor entrou no bar aparentemente alterado e as ofendeu. “Ele perguntou para o dono do bar por que deixava travestis ‘colar’ (frequentar) ali. A Karolaine falou que era preciso ter respeito e levou uma cabeçada no rosto, começando a confusão”, detalhou uma delas.

Filmagem feita por celular mostra Karolaine danificando o Focus e botando fogo nele. Na gravação também aparece outra travesti, de 17 anos, arrancando a porta dianteira direita do veículo. Ao saber que foi flagrada pela câmera, esta envolvida, não se conteve: “Ai, que tudo! Quero ver como foi”.

Detidas e liberadas 

Em poucos minutos, as chamas consumiram o automóvel, apesar da rápida intervenção do Corpo de Bombeiros, acionado às 7h10. Detidas nas imediações por policiais militares, as quatro travestis e as duas adolescentes foram conduzidas à Delegacia da Infância e da Juventude (Diju). Nas ocorrências policiais envolvendo menores de idade na condição de infratores, ainda que haja adulto, prevalece a atribuição da unidade especializada.

As duas garotas têm 16 e 17 anos. Entre as quatro travestis, apenas Karolaine é adulta. Outras duas têm 17 anos e uma, 16. A delegada Rita de Cássia Garcia Mendes liberou as seis após a elaboração de boletim de ocorrência, por entender que houve uma confusão generalizada e que elas também foram vítimas. O caso foi registrado como “lesão corporal dolosa (agressão) e dano”.

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