Carro dá ré e mata menino de um ano e seis meses em Bertioga

Motorista não viu o bebê, que teve a cabeça atingida pelo pneu traseiro do carro

20/07/2018 - 14:29 - Atualizado em 20/07/2018 - 14:30

Um menino de apenas um ano e seis meses morreu atropelado, às 20 horas de quinta-feira (19), em Bertioga. A criança teve a cabeça atingida pelo pneu traseiro direito de um carro que realizava uma manobra de marcha a ré.

O vidraceiro Valter Marrafão, de 63 anos, era quem dirigia o veículo, um Hyundai HB20 1.0 Comfort. Sem perceber a tragédia, ele foi embora com o carro, só tomando conhecimento do ocorrido dez minutos depois, por meio de uma ligação no celular.

O menino Davi Luiz Balbino da Silva foi socorrido pelo pai, o jardineiro Carlos Antônio da Silva, de 44 anos, ao Hospital Municipal de Bertioga, mas não resistiu aos ferimentos.

Segundo o delegado Fábio de Oliveira Martins Pierry, o motorista do carro ficou em estado de choque e se prontificou a comparecer à Delegacia de Bertioga quando for solicitado. Valter constituiu a advogada Gabriela Avelar Maiolo de Oliveira, que classificou o episódio como uma fatalidade.

De acordo com as informações do boletim de ocorrência, Davi foi amamentado em casa, na Estrada Quatro, na Chácara Vista Linda, e saiu de casa sem que os pais percebessem. O menino já andava.

Ao lado da residência existe um bar, onde Valter e o dono do comércio jogavam tranca. O jogo de baralho terminou quando o comerciante decidiu fechar o estabelecimento. Neste momento, o vidraceiro saiu para buscar o veículo, que estava estacionado a cerca de 20 metros de distância.

Logo em seguida, Valter retornou com o carro até a frente do bar, porque combinou dar carona ao comerciante, que entrou no automóvel, sem que o vidraceiro saísse do HB20. O atropelamento da criança aconteceu no momento em que o motorista engatou a ré, antes de ir embora.

Segundo a advogada, a manobra foi realizada em uma espécie de recuo na frente do bar, não sendo possível ao motorista ter visão do menino, devido à estatura da vítima e porque era noite e havia forte nevoeiro.

Gabriela também disse que o veículo do cliente não possui sensor de ré, mas a existência de tal dispositivo não seria garantia de que a tragédia não acontecesse, dependendo da posição do menino.

O sepultamento de Davi será realizado ainda na tarde desta sexta-feira (20) no Cemitério de Bertioga. O menino era o caçula de Carlos Antônio e Jacinta Balbino da Silva. O casal tem mais um filho, de 5 anos.

Portão aberto

Maria da Penha Souza Brito, de 44 anos, é irmã de Carlos Antônio e tia de Davi. Segundo ela, o pai do menino está sob o efeito de calmantes, enquanto a mãe encontra-se em estado de choque. “Ela não fala nada, parece que a ficha não caiu”.

A tia informou que a casa do irmão fica em um terreno no qual existem mais duas moradias. Um corredor dá acesso às três residências e o seu portão foi deixado aberto por uma mulher que havia chegado momentos antes do atropelamento para visitar a moradora de um dos imóveis.

Veja Mais