Arma usada para matar jogador de hóquei pertencia a sargento

O crime ocorreu em 18 de setembro do ano passado

11/01/2018 - 20:19 - Atualizado em 11/01/2018 - 22:09

Matheus (à esquerda) foi morto por Jarbas em setembro
do ano passado(Foto: Reprodução)

A Polícia Civil já sabe qual a arma usada por um ex-soldado da Polícia Militar para executar com um tiro na nuca o universitário Matheus Garcia Vasconcellos Alves, de 24 anos, em São Vicente. Ela é uma pistola Imbel calibre 380 pertencente a um sargento reformado da PM, pai do autor do homicídio. Em conversa por meio do aplicativo Messenger, do Facebook, o acusado se passou pela mulher para atrair o estudante até o local do crime.

Ao ser preso e confessar informalmente a execução, sob a alegação de desconfiar de que a sua mulher o traía com Matheus, o então soldado Jarbas Colferai Neto, de 23 anos, disse que matou o universitário com um revólver de calibre 32, dispensado durante a fuga. O assassinato foi cometido às 21h40 de 18 de setembro de 2017, na Rua Nicolau Guirão Perez, ao lado do Fórum, no Parque Bitaru.

O estudante chegou ao local em um carro solicitado por meio do Uber. Sem desconfiar da emboscada, imaginava que ali se encontraria com a companheira de Jarbas. Antes de atirar, o policial militar roubou o celular de Matheus, provavelmente para dar uma impressão de latrocínio e dificultar a apuração do caso, porque a vítima utilizou o aparelho para conversar no Messenger.

O soldado disse que jogou na esquina o telefone, que não foi achado. O projétil que atingiu o estudante transfixou a sua cabeça e também não foi encontrado. Porém, peritos coletaram no local da execução um estojo vazio de pistola calibre 9 milímetros. Devido ao tipo de munição, desde o início, as equipes dos delegados Carlos Topfer Schneider e Luís Carlos Cunha desconfiaram de que Jarbas mentiu quando disse que usou um revólver 32 para matar Matheus.

Mandado e perícia

Com o respaldo de mandados de busca e apreensão requeridos à Justiça pelos delegados, os investigadores Ricardo Mendes e Adilson Peres revistaram as casas do ex-soldado e do pai dele em busca da arma do homicídio. Registrada em nome do sargento reformado, a Imbel 380 foi encontrada em sua residência. Na ocasião, ele afirmou que não emprestou a pistola para o filho.

A pistola foi apreendida e encaminhada ao Instituto de Criminalística, em São Paulo. Nesta semana, o órgão remeteu à Delegacia de São Vicente o laudo do exame de balística. Segundo o resultado da perícia, o estojo deflagrado de calibre 9 milímetros partiu da pistola Imbel do pai de Jarbas. “Vários pontos de comparação coincidiram, dando a certeza de que esta foi a arma usada na morte do universitário”, declarou o investigador Mendes.

Embora o cartucho seja do calibre 9 milímetros, ele é do tipo curto, “perfeitamente adaptável” à pistola 380 apreendida, conforme observou Schneider. Titular do município de São Vicente, o delegado enfatizou que, apesar de o crime caso já estar esclarecido quanto à sua autoria e à sua motivação, era importante a obtenção de uma “prova material inequívoca”. Prints dos diálogos entre o soldado e a vítima, que revelam a tocaia planejada pelo acusado, foram juntados ao inquérito e se constituem em provas documentais.

Autor e vítima

Devido à apreensão de drogas em seu armário no 39º BPM/I (São Vicente), Jarbas respondia a Procedimento Administrativo Exoneratório. Poucos dias após o homicídio, esta apuração chegou ao fim, sendo decidida a exoneração do policial. O procedimento concluiu que o soldado PM de 2ª Classe não preencheu o requisito de “comprometimento com os valores, os deveres éticos e a disciplina policiais-militares”. Por causa dessa investigação, o policial tinha restrição para portar arma e exercia funções internas.

Matheus cursava o último ano de Publicidade e Propaganda na Universidade Santa Cecília (Unisanta) e gostava bastante de moda, realizando trabalhos free lancer como modelo. Porém, foi no esporte que o jovem mais se destacou e se tornou conhecido. Como jogador de hóquei sobre patins do Clube Internacional de Regatas, participou de vários campeonatos paulistas e brasileiros, sendo convocado para a Seleção Brasileira em 2015, quando disputou o Mundial Sênior, realizado na França e vencido pela Argentina – o Brasil ficou na 11ª posição.

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