Ambulantes senegaleses acusam fiscais de Praia Grande de agressão

Segundo os estrangeiros, funcionários da Prefeitura invadiram a pousada onde eles moram

08/02/2018 - 19:01 - Atualizado em 08/02/2018 - 19:03

Dois senegaleses que moram e trabalham como ambulantes em Praia Grande acusam fiscais da Prefeitura de terem invadido a casa onde vivem. Um deles diz que levou um soco na ação. O caso aconteceu no último domingo (4), durante uma fiscalização para inibir a venda de mercadorias ilegais na Cidade.

Segundo relato dos ambulantes, que atuam sem registro, tudo aconteceu quando fiscais em patrulhamento avistaram um homem que caminhava em direção à praia, nas proximidades da Rua Gilberto Amado, no Ocian. Nesse momento, Mamadou Ndiaye, de 30 anos, percebeu a movimentação e voltou correndo para casa, onde estava o também senegalês Elimane Fall, de 30 anos.

Segundo uma testemunha, os fiscais e os guardas municipais invadiram o cômodo “sem autorização e arrombaram a porta do quarto em que Mamadou se trancou”. Nesse momento, Elimane entrou no cômodo para tentar intervir, mas teria levado um soco de um dos fiscais da Prefeitura.

Ainda de acordo com o boletim de ocorrência registrado no 1º Distrito Policial de Praia Grande, os guardas usaram gás de pimenta no ambiente. Outros senegaleses que moram próximos ao local começaram a gritar. Então, os guardas e fiscais deixaram o local. Policiais que estavam em uma viatura constataram a situação e solicitaram o resgate para socorrer Elimane.

Em depoimento, Mamadou disse que um dos fiscais apreendeu quatro caixas de som em seu quarto e que na mochila que carregava havia apenas uma caixa, sua calça jeans e uma camiseta. O fiscal que teria agido na confusão negou-se a fornecer seus documentos. Elimane foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) do Município para a realização de corpo de delito.

Outro lado

A Prefeitura de Praia Grande informou, por meio de nota da Secretaria de Assuntos de Segurança Pública (Seasp), que a sindicância sobre o caso ainda não foi finalizada. A pasta esclarece ainda, que além dos guardas envolvidos, os fiscais da Secretaria de Urbanismo (Seurb) e os reclamantes são convidados a prestar esclarecimentos a fim de garantir a lisura do processo.

De acordo com Prefeitura, a conduta dos funcionários, bem como as circunstâncias em que ocorreu a entrada no estabelecimento também serão apuradas neste procedimento.

Questionados sobre o auto de infração que não teria sido entregue aos ambulantes, a Seurb informou que o documento correspondente à apreensão é o de número 4330/18, que foi entregue ao ambulante ilegal.

A Prefeitura informou ainda, que além de abrigar comerciantes irregulares, estrangeiros, a pousada é um comércio irregular, que inclusive já foi autuado por desvirtuamento de uso de imóvel residencial para fins comerciais. 

Por fim, a Administração Municipal ressaltou que a ação de fiscalização está sendo apurada em um processo administrativo, onde estão sendo ouvidas todas as testemunhas e participantes da ocorrência. Somente após a conclusão do mesmo e devidamente apurados os fatos, serão tomadas as medidas legais cabíveis.

Veja Mais