Acusados de homicídio serão julgados após exatos 10 anos

Caso é sobre um homem que foi brutalmente assassinato e outro que só não morreu porque, após ser jogado amarrado no mar, conseguiu se soltar

19/06/2017 - 21:00 - Atualizado em 19/06/2017 - 21:16
Fachada da oficina em que ocorreu o homicídio e a 
tentativa, em São Vicente (Foto: Divulgação) 

Há exatos dez anos, um homem foi brutalmente assassinato e outro só não morreu porque, após ser jogado amarrado no mar, conseguiu se soltar das cordas que o imobilizavam e os bombeiros o resgataram com vida. Dois acusados de praticar o crime são julgados nesta terça-feira (20) no Plenário do Júri de São Vicente e alegam inocência.

 

De acordo com denúncia da promotora Eliana Figueira de Mello, os réus Fábio Rodrigues Belas e Rodrigo de Souza Santos agiram “previamente ajustados” junto com outros dois homens, que não foram identificados. Os homicídios – consumado e tentado – atribuídos ao grupo foram qualificados pelo motivo fútil, pelo emprego de meio cruel e por impossibilitar a defesa das vítimas.

Conforme a representante do Ministério Público (MP), uma das vítimas, identificada por Negão, e a outra, chamada Flávio Lima, se dirigiram até a oficina mecânica de Fábio, localizada na Avenida Capitão Mór Aguiar, 169, no Centro de São Vicente, no dia 20 de junho de 2007. A intenção da dupla era vender uma bateria de carro que teria achado na rua.

Após solicitar que Negão e Flávio o aguardassem decidir se ficaria ou não com a bateria, Fábio recebeu em uma sua oficina três homens, um dos quais o corréu Rodrigo, que chegaram em uma van. Logo em seguida, o dono do estabelecimento passou a acusar as vítimas de furtar objetos do local, cuja porta foi fechada.

Impedidos de sair, Negão e Fábio foram levados para um quarto dentro da oficina, ainda conforme a promotora, sendo amarrados e agredidos com golpes de barra de ferro, socos e chutes. Com uma corda de náilon envolta ao pescoço, Negão morreu estrangulado no local. Na sequência, o seu corpo e a outra vítima foram colocados na van e levados na Ilha Caraguatá, em Cubatão, sendo jogados no mar.

O corpo de Negão foi achado dois dias depois, próximo à Ponte do Mar Pequeno, em São Vicente. Flávio conseguiu se desvencilhar de parte das amarras que o prendiam e sobreviveu, razão pela qual o seu homicídio não se consumou. Para a promotora, os réus também devem ser julgados nesta terça por um crime de ocultação de cadáver. Na hipótese de condenação, os acusados estão sujeitos a pena que varia de 17 e 53 anos de reclusão.

Advogado de defesa diz que não há provas de que as
vítimas foram agredidas na oficina (Nirley Sena/AT)

Negativa de autoria

 

O advogado João Manoel Armôa Júnior defende os réus, que respondem à ação penal em liberdade. Ele sustentará a tese de negativa de autoria e antecipou que, dependendo do que for falado no júri popular, apresentará aos jurados uma “prova documental”, que consta do processo e coloca em descrédito a investigação policial.

“Fábio e Rodrigo negam e sempre negaram o crime, porque são inocentes e conseguiremos demonstrar isso. Aliás, não há prova de que as vítimas foram agredidas dentro da oficina. Também não existem testemunhas que acusem os réus. Por fim, a vítima sobrevivente sequer compareceu na audiência judicial para prestar depoimento e reconhecer os acusados”, destacou Armôa Júnior.

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