Acusados de crime na boate Juá devem ser submetidos a júri popular

Juiz justificou decisão devido à "materialidade da tentativa de homicídio" e "indícios de autoria"

24/04/2018 - 07:27 - Atualizado em 24/04/2018 - 07:43

Suposto mandante de atentado em São Vicente era dono da boate (Foto: Luigi Bongiovanni/AT)

Quatro homens acusados de envolvimento no atentado a tiro contra Humberto de Araújo Santiago, ex-chefe de gabinete do ex-vice-prefeito de São Vicente João da Silva, devem ser submetidos a júri popular. O caso ficou conhecido como Crime da Boate Juá, porque o seu suposto mandante era dono da casa noturna, na Ilha Porchat.

O juiz Luís Guilherme Vaz de Lima Cardinale, da 2ª Vara Criminal de São Vicente, decidiu que os réus devem ser levados a júri porque ficou demonstrada a materialidade da tentativa de homicídio e há indícios suficientes de autoria em relação a todos eles.

Os acusados negam o crime. Eles são o empresário Wassim Abdouni, ex-dono da Juá; Anderson Martinez de Lima, ex-segurança da boate; o policial militar Marcelo Granado Borg e o bombeiro civil Éverson Galvão da Silva. Com exceção de Wassim, beneficiado por habeas corpus do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), os demais réus estão presos preventivamente.

Em sua decisão, o magistrado também manteve as duas qualificadoras atribuídas à tentativa de homicídio: motivo torpe, consistente na promessa de pagamento, e emprego de recuso que impossibilitou a defesa da vítima. Na hipótese de condenação, a pena varia de quatro a 20 anos de reclusão.

O advogado Armando de Mattos Júnior defende o empresário e o segurança. Segundo ele, a “prova é pequena”. Por isso, interporá recurso em sentido estrito ao TJ-SP com o objetivo de que os clientes não sejam levados a júri popular.

Como foi

Santiago foi baleado no início da noite de 11 de agosto de 2016 ao chegar de carro na garagem do edifício onde residia, na Rua Jacob Emmerich, no Centro de São Vicente. Ele havia saído minutos antes da Prefeitura. Por erro de pontaria do atirador, o disparo atingiu a mão da vítima.

Com base no inquérito policial da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), o Ministério Público (MP) denunciou Wassim como mandante do crime, em razão de desentendimento entre ele e a vítima. Martinez foi o executor do atentado e aguardava a chegada da vítima no edifício. Ele fugiu na garupa de uma motocicleta pilotada pelo policial Borg.

Para o sucesso da empreitada criminosa, ainda conforme o MP, Borg e Martinez contaram com a colaboração de Éverson. O bombeiro civil informou a dupla da moto quando o ex-chefe de gabinete do ex-vice prefeito saiu de carro da Prefeitura a caminho do prédio.

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