Acusada de matar amiga a facadas se apresenta à polícia

Angélica da Cruz, de 27 anos, alega que foi atacada pela vítima, a jovem Érica Oliveira da Silva

16/01/2018 - 15:28 - Atualizado em 16/01/2018 - 19:08

Angélica se apresentou no 1º DP de Santos, no início da tarde desta terça-feira (Foto: Rogério Soares/AT)

Acusada de matar a facadas uma vizinha por suposta inveja relacionada a vaga de emprego, a vendedora Angélica da Cruz, de 27 anos, se apresentou no final da manhã desta terça-feira (16) no 1º DP de Santos e negou o crime.

Acompanhada do advogado Diego Scarpa, Angélica alegou que, na realidade, foi atacada pela vítima, a auxiliar administrativa Erica Oliveira da Silva, de 24 anos, que estava acompanhada de três irmãs, que também investiram contra ela.

Após ser interrogada pelo delegado Marcos Alexandre Alfino, Angélica foi submetida a exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML) de Santos e encaminhada à cadeia feminina do 2º DP de São Vicente. A pedido da autoridade policial, a Justiça decretou a prisão temporária de cinco dias da acusada.

Pai e madrasta acompanharam Angélica
 (Foto: Rogério Soares/AT)

Também acompanharam Angélica ao 1º DP de Santos o seu pai, Francisco de Assis da Cruz, de 48 anos, e a sua madrasta, Solange Cristina da Luz Cruz, de 40. A família de Érica os  acusa de auxiliarem Angélica no crime, segurando a vítima fatal para que fosse atingida pelos golpes de faca.

“Fui chamado pela minha mulher e quando cheguei vi todos ensanguentados. Gritei ‘parem com isso’ e só retirei a Daniela (irmã de Érica) de cima da Angélica. Esta foi a minha única participação”, declarou Francisco de Assis para A Tribuna.

“A Érica portava uma chave de fenda e as três irmãs dela estavam armadas de faca. As quatro avançaram na Angélica e a derrubaram no chão. Eu apenas tentei separar, assim como o meu filho de 11 anos, que levou um tapa no rosto de Débora (outra irmã de Érica)”, acrescentou Solange Cristina.

O caso

O crime ocorreu por volta das 19h30 de sábado no km 246 da Rodovia Rio-Santos, no Monte Cabrão, Área Continental de Santos. Acusada e vítima eram vizinhas e as suas famílias têm barracas de frutas (jaca e banana), sendo facas instrumentos de trabalho delas.

Angélica estava na frente de sua casa, onde mantém uma barraca, quando teriam chegado as vizinhas. No conflito também se feriram Débora Oliveira da Silva, de 32 anos, e Daniele Alves de Oliveira, de 27, irmãs de Érica.

Atingida no pulmão e intestino, Daniele precisou ser submetida a cirurgia. Angélica apresentava nesta terça-feira lesões nas pernas, no pescoço e nas costas. Elas seriam decorrentes do ataque que alega ter sofrido.

Diligências

Segundo o advogado Scarpa, ele irá requerer ao delegado Marcos Alfino que o crime seja reconstituído, além da acareação das irmãs da vítima fatal com o pai e a madrasta da acusada. “A Angélica já estava caída e ferida nas pernas quando reagiu apenas para cessar a injusta agressão”, justificou.

De acordo com Alfino, ele não realizará acareação, porque “não existem versões contraditórias, mas antagônicas”. A acusada e os seus familiares, bem como as irmãs da vítima fatal, que também são vítimas, têm versões conflitantes sobre o episódio. Cada qual defende a sua. A acareação não vai mudar isso”.

Em relação a eventual reconstituição, o delegado disse que “será analisada, no momento oportuno, a conveniência ou não de se realizar a reprodução simulada dos fatos”.

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