Uma escolha medalha de ouro em Praia Grande

Jackson não é atleta, mas sua história de superação o credenciou a conduzir a tocha olímpica

01/07/2016 - 10:40 - Atualizado em 01/07/2016 - 11:04

Jackson será um dos condutores da Tocha
(Vanessa Rodrigues/A Tribuna)

Jackson Cristiano de Paula não é atleta, mas a sua vida poderia ser comparada a de um esportista que supera desafios para disputar uma Olimpíada. Portador de uma síndrome que limita os movimentos, ele não deixou de buscar seus sonhos e será um dos praia-grandenses a conduzir a tocha olímpica no dia 22 de julho, em Praia Grande.

 

Desde cedo, Jackson, de 40 anos, aprendeu a ultrapassar obstáculos. Ainda criança, foi diagnosticado com amiotrofia muscular espinhal, que afeta a musculatura e nunca o permitiu andar. Como a síndrome é progressiva, hoje ele só mexe a face, o pescoço e parte da mão esquerda.

Diante de tantas dificuldades seria mais fácil capitular. Mas, perseverante, Jackson foi à luta e hoje cursa o terceiro ano de Direito na Faculdade Católica de Santos. Para isso, teve que entrar na Justiça para conquistar, junto à Prefeitura de Praia Grande, o direito de ter transporte adaptado para locomoção à universidade.

A limitação física tampouco o impediu de trabalhar durante 18 anos com produção cultural e como web designer. “Graças a Deus a tecnologia está aí para nos ajudar”, diz Jackson, que fundou, em 2008, a ONG Super Ação Total, que trabalha a conscientização e a defesa dos direitos das pessoas com deficiência.

“Quem se atreve?”

Com esse perfil atuante, não à toa ele foi um dos escolhidos pela Nissan, uma das patrocinadoras dos Jogos, para carregar a tocha olímpica em Praia Grande. O título da promoção era Quem se atreve?”, que convocava os participantes a falar sobre os seus desafios. “Foquei na minha história e na luta pra conseguir um ônibus pra ir à faculdade.O assunto ganhou os jornais, saiu em A Tribuna e na TV Tribuna e chegou ao programa CQC. Fui persistente,em nenhum minuto pensei em desistir e fiz efetivar o meu direito. Hoje sou um dos 12 mil condutores da tocha”, conta,orgulhoso.

Aguardando os detalhes sobre a programação da cerimônia olímpica em Praia Grande, Jackson também vai se acostumando ao fato de participar deste momento histórico no País. “Eu não estava botando muita fé, nunca tinha ganhado uma rifa,umbingo.Num evento histórico, mundial, imagina se eu iria ganhar? É uma sensação de incredulidade e de muita alegria,f ato único na vida de uma pessoa. Pra ser sincero, até hoje a ficha não caiu muito”, reconhece.

Mesmo assim, ele já tem em mente quem pretende homenagear quando estiver percorrendo o seu trecho do trajeto, em Praia Grande. “Valorizo muito quem eu sou e minha vida. Que eu possa representar todas as pessoas com deficiência e os universitários da minha cidade. Quero que as pessoas que têm limitações deixem de acreditar que algo é impossível”.

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