Expectativa de medalha atrapalhou Danielle em 1996

Ele participou ainda de 2004 em Atenas

08/07/2016 - 09:00 - Atualizado em 08/07/2016 - 10:42

Danielle treinava com Rogério Sampaio, em 92
(Alberto Marques/A Tribuna)

As Olimpíadas fazem parte do imaginário da judoca Danielle Zangrando desde a infância. Até hoje, ela lembra de um pratinho que ganhou da mãe, aos 5 anos, com o desenho do mascote dos Jogos de Los Angeles, nos Estados Unidos, em 1984. “Eu consigo lembrar daquela imagem, comendo cereais e assistindo às Olimpíadas”, conta ela, que começou a praticar judô nessa época.

Em Seul-1988, ela assistia, de madrugada, às lutas do santista Ricardo Sampaio. Na volta da delegação brasileira ao País, Sampaio, Walter Carmona e Luiz Onmura vieram a Santos participar de uma competição e Danielle não perdeu a chance de ver os ídolos. “Tenho até hoje uma camiseta autografada por eles”, diz, orgulhosa.

O sentimento olímpico ia aflorando e o ápice foi em Barcelona-1992, quando Rogério Sampaio, com quem Danielle treinava em Santos, conquistou a medalha de ouro, “Ele ia passando luta por luta de uma forma incrível, tanto que ele foi eleito o atleta mais técnico dos Jogos Olímpicos. Quando ele ganhou a medalha de ouro foi a consagração. Uma pessoa que treina com você, que é de carne e osso, você pensa: caramba, eu posso chegar lá um dia. Isso me motivou”, afirma.

O sonho se concretizaria em Atlanta-1996, depois de Danielle conquistar a vaga com a medalha de bronze no Mundial, um ano antes. Com apenas 16 anos, ela pagou pela inexperiência.

“Criou-se uma expectativa muito grande em cima da minha participação e foi uma pressão tamanha. Começou a me atrapalhar nos treinamentos, não tinha consciência, era muito nova, não tinha assessoria de imprensa. Eu tinha que ter tido uma blindagem melhor, eu deixava às vezes de treinar pra dar entrevista”, relembra.

O resultado viria no tatame de Atlanta, com a eliminação na primeira luta. “Saí de lá realmente frustrada, até porque o pódio (olímpico) foi quase igual o do Mundial (de 1995)”.

Em 2000, Danielle teria outra frustração, com a não classificação a os Jogos de Sidney, após perder a seletiva para a também santista Tania Ferreira. “Comentei os jogos de 2000 pela ESPN Brasil. Foi diferente, esquisito, mas bacana, uma experiência nova que me despertou outro sentimento e comecei a fazer jornalismo”.

A volta, em 2004

Com problemas físicos e submetida a duas cirurgias de hérnia de disco, muita gente duvidava que a judoca fosse competir novamente em alto rendimento. “Eu levei isso como um desafio pessoal, de provar pras pessoas que eu poderia voltar”.

A volta por cima veio em 2004, com a conquista da vaga na seletiva olímpica para os Jogos de Atenas. Danielle passou pelas duas primeiras lutas e perdeu nas quartas de final para uma holandesa.

Na repescagem contra uma italiana, que poderia levá-la a uma disputa de medalha, Danielle levou um golpe. Segundo ela, não da rival, mas da arbitragem. “A luta terminou empatada, a gente foi pro golden score e ela pegou cruzado. E quando você pega cruzado, o atleta tem que ser punido. O árbitro lateral pediu a punição, o central deu, o outro lateral tirou a punição e o central aceitou. Acabei me desestabilizando e ela ganhou a luta”, conta Danielle.

Frustrada novamente, como em 1996, ela terminou a competição em nono lugar. “Quando você perde pra alguém que foi melhor, como a holandesa, tudo bem, mas perder num erro de arbitragem é difícil de aceitar”.

Apesar de marcada pelas duas experiências olímpicas, Danielle não deixou de vivenciar o esporte. Foi comentarista da Rede Globo em Londres-2012 e este ano, vai comentar os Jogos do Rio pela ESPN Brasil. Além disso, trabalha como diretora de marketing da Fundação Pró-Esporte, da Prefeitura de Santos.

“Desenvolvendo um trabalho como dirigente, colocando uma sementinha nessas crianças, me sinto realizada por estar contribuindo de alguma forma”.

Frase: Danielle Zangrando, judoca em Atlanta-1996 e Atenas-2004

“Quando você perde pra alguém que foi melhor, tudo bem, mas perder num erro de arbitragem é difícil de aceitar”, sobre a eliminação na repescagem das Olimpíadas de Atenas.

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