Empresário cria Itamaraty Logística após descobrir que seria pai

Adelmo resolveu empreender para oferecer melhores condições de vida à família

14/10/2015 - 17:40 - Atualizado em 14/10/2015 - 17:54

Com o objetivo de criar mais opções para ganhar dinheiro e não depender financeiramente da família, em 1965, Adelmo Guassaloca, de 73 anos, resolveu deixar o emprego fixo e investir na abertura da Itamaraty Logística. Hoje, o grupo detém três empresas e está prestes a completar 50 anos de existência, em março de 2016.

Fundar a companhia não era somente um sonho, comum a muitas pessoas, de ser dono do próprio negócio, mas foi uma necessidade. Aos 24 anos, trabalhava com despachos aduaneiros no Grupo Rodrimar, quando recebeu a notícia de que seria pai.

Com a responsabilidade sobre as costas, viu a necessidade de empreender para não ficar limitado a um salário fixo no final do mês. Mas, como deixar o emprego, sem recursos para iniciar a nova empresa?

Adelmo se uniu a Walter Silva, também funcionário na Rodrimar, para concretizar o projeto. “Não precisávamos de muito capital, éramos prestadores de serviço”, conta ele, que fazia trabalho semelhante ao da empresa onde atuava. 

Entretanto, apesar de não terem despesas com funcionários, por exemplo, precisavam financiar os serviços prestados aos clientes. Esse capital, considerado de giro, estava em falta até surgir a solução: o sogro de Walter lhes emprestou o dinheiro. 

Na ocasião, os sócios fizeram uma dívida equivalente a cinco fusquinhas e precisavam quitá-la.“Resolvemos vender em Porto Alegre (RS)o carro da empresa, porque pagavam melhor”, lembra Adelmo. 

Neto, avô e filho fazem com que as divergências de opinião sejam encaradas como cobrança pela qualidade

O responsável por levar o veículo aos compradores foi o sócio Walter Silva, que não conseguiu concluir a venda. “Ele sofreu um acidente na estrada e morreu”, conta o empresário. 

Nesse momento, Adelmo diz ter pensado que tudo daria errado. Mesmo assim, afirma nunca ter cogitado desistir do negócio. 

“Havia perdido o sócio e estava cheio de dívida. Meu sonho era ter um fusca e devia cinco”, lembra.

Crescimento

Demorou dois anos para que o empresário liquidasse a dívida com o sogro de seu ex-sócio. Isso, porém, só foi possível devido ao voto de confiança que recebeu do seu único cliente.

“Quando saímos (Adelmo e Walter) da Rodrimar já tínhamos trabalho com essa empresa. Assim que aconteceu o acidente, me reuni com os donos, expus a situação e pedi para que me ajudassem”. 

O empresário lembra que um dos sócios deu a entender que o problema não era dele, enquanto o outro aceitou apoiá-lo.

Na ocasião, a Itamaraty funcionava na Rua Martim Afonso, ao lado do atual 1º DP, em uma casa onde havia uma lavanderia, Hoje, a sede do Grupo Itamaraty Logística é na Rua João Pessoa, 541, no Paquetá. 

Apesar de sofrer a desconfiança do mercado, Adelmo conquistou seu espaço e soube reinvestir na empresa. A maior parte daquilo que obtinha de lucro era aplicado para a ampliação do negócio, que começou como despacho aduaneiro.

Com o passar dos anos, a demanda de clientes aumentou, fruto do trabalho e investimentos feitos, assim como das oportunidades do mercado. 

A empresa que oferecia somente um serviço atualmente realiza agenciamento marítimo, operação portuária, locação de escavadoras e empilhadeiras e resolveu investir em outro segmento, com a abertura de uma construtora.

O empreendedor explica que os clientes cobraram essa expansão, Segundo ele, a palavra parar não existe na rotina de um empresário, que deve estar sempre atento às oportunidades de mercado e saber aproveitá-las.

Negócio

Adelmo Guassaloca ainda é atuante na empresa, diz sentir orgulho em ver o que construiu ao longo de 49 anos, mas apesar de ter o mesmo objetivo de quando abriu a empresa, ou seja, vê-la crescer, acredita que sua missão hoje é diferente. 

Com o filho e sócio, Adelmo Guassaloca Junior, de 53 anos, e Adelmo Guassaloca Neto, de 27 anos, nos negócios, quer passar sua experiência à frente da empresa para os familiares. 

“Sabe aquele ditado, ‘pai rico, filho nobre, neto pobre’? Quero que seja diferente”, explica o empreendedor, que viu em outros negócios (de amigos) as gerações subsequentes fracassarem. 

Por conta disso, pretende orientar o filho e o neto para que assumam o negócio e possam continuar a desenvolvê-lo. “Quem sabe por mais 50 anos”, espera.

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