Febre amarela tem outro caso suspeito na região

Morador de Curitiba teria contraído a doença em Peruíbe, durante estadia em uma aldeia indígena próxima ao bairro Guaraú

06/03/2018 - 21:24 - Atualizado em 06/03/2018 - 22:06

Região do bairro Guaraú tem atraído as atenções para febre amarela em Peruíbe (Foto: Alberto Marques/Arquivo)

A Secretaria Estadual da Saúde investiga mais um caso suspeito de febre amarela que teria sido contraída em área de mata fechada na Baixada Santista. Trata-se de um morador de Curitiba (PR), que há cerca de 20 dias ficou hospedado em uma aldeia indígena em Peruíbe. 

 

A localidade é próxima do bairro Guaraú, onde dois macacos bugios foram encontrados mortos na sexta-feira passada, com indício de contaminação pela doença. Para especialistas, os episódios evidenciam que o vírus já circula livremente pela Serra do Mar.

Caso o paciente tenha o resultado da patologia confirmado pelo Instituto Adolfo Lutz – laboratório estadual de referência –, se somará aos três registros de febre amarela na Baixada Santista. Até o momento, a única morte confirmada foi de um morador de zona de mata de Itanhaém, em 29 de janeiro. 

E duas outras pessoas foram contaminadas pelo vírus: uma mulher de 53 anos, moradora de São Vicente, e um jovem de 16 anos, de São Paulo, internado na Sociedade Beneficência Portuguesa. Outros 18 pacientes da região aguardam os resultados dos exames (sendo 12 em São Vicente, cinco em Santos e um em Peruíbe).

De acordo com o infectologista Marcos Caseiro, o paciente sob investigação deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Peruíbe dias após participar de um ritual com os índios. “Aquela população indígena estava imunizada (contra febre amarela). Mas o indivíduo não tinha tomado a vacina”, assegura o especialista, integrante da equipe responsável pelo atendimento do caso.

Sintomas

Por apresentar os sintomas característicos da doença, ele foi encaminhado ao Instituto de Infectologia Emílio Ribas II, em Guarujá (hospital estadual especializado no atendimento de doenças infecciosas e parasitárias). Caseiro sustenta que exames iniciais realizados na unidade confirmaram a presença do vírus da febre amarela.“Com a resposta (dos exames), o paciente foi transferido ao Hospital das Clínicas, em São Paulo, que tem uma unidade para casos suspeitos de febre amarela com quadros avançados”, assegura.

Livre circulação

Segundo especialistas, o aparecimento de macacos mortos em zona de mata evidencia que o vírus da febre amarela se espalha pelos municípios da Baixada Santista. Isso porque o primata serve de uma espécie de termômetro que indica a presença do vírus da doença. “A febre amarela é altamente letal para macaco e também para seres humanos”, afiança Caseiro.

O infectologista assegura que os locais de eventual registro da patologia na região eram esperados pelas simulações e estudos sobre o avanço da doença. “Tanto que a Baixada Santista foi incluída pelo Ministério da Saúde entre as áreas prioritárias da campanha de vacinação”. 

A classificação se deve pela região ser turística, cercada por mata remanescente da Serra do Mar e divisória com o Rio de Janeiro, estado que registrou elevado número de casos.

Estudos indicam que o mosquito transmissor da febre amarela tem autonomia de voo superior a 2,8 quilômetros por dia. “O inseto tem mais facilidade de se locomover em áreas de clarão ou nos arredores da mata”. 

Essa peculiaridade explica o porquê dos primeiros registros da região, já que Itanhaém e Peruíbe estão próximos da zona de vegetação da Grande São Paulo – localidade com casos confirmados da doença. “Outra rota será a rodovia Mogi-Bertioga”.

Vacinação ocorreu em diversos bairros
nesta terça-feira (Foto: Divulgação)

Após morte de macacos, campanha foi reforçada

Nesta terça-feira (06), de acordo com a Prefeitura foram aplicadas 64 doses das vacinas Perequê, Paraíso e Barro Branco, incluindo os funcionários do Parque Florestal que ainda não tinham conseguido se vacinar.   Além disso, foram entregues um repelente para cada pessoa vacinada, tendo em vista o período de pelo menos 10 dias pra produção de anticorpos necessários.

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