Vitória se vê envolvido em caso de pedofilia; clube nega contrato com acusado

Defesa do investigado de abusar de dois adolescentes diz que a verdade aparecerá

18/07/2018 - 20:06 - Atualizado em 18/07/2018 - 20:17

Vitória diz que contrato com o acusado acabou em
2014 (Foto: Reprodução/Facebook)

Acusado de abusar de dois garotos, um de 14 e outro de 15 anos, José Roberto Henrique da Silva, que se apresentava como representante de uma escolinha do Vitória, será ouvido em setembro pela Justiça. Os casos ocorreram em Buíque (PE), cidade localizada a quase 300 km de Recife. O indivíduo está preso em Arcoverde (PE). A história foi revelada inicialmente pelo site Bahia Notícias. O clube baiano afirma que o acusado não trabalhava mais para o Vitória.

De acordo com o advogado das vítimas, Drayton Benevides, que falou com o portal Uol Esportes, o acusado pediu fotos íntimas dos adolescentes e cometeu atos libidinosos depois de um jogo.

A mãe de um dos garotos percebeu seu filho mais agitado depois da partida. Então, ela fez a denúncia. No celular do investigado, foram localizadas imagens de cunho pornográfico, inclusive de um dos jovens que teriam sido abusados.

Zé Roberto, como é conhecido, foi enquadrado nos artigos 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente) e 217-A do Código Penal (ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos).

Defesa de Zé Roberto

A defesa do acusado, representado pelo advogado Epaminondas Moabi, não adiantou detalhes por se tratar de um caso sigiloso.

"Os fatos não são como os articulados na denúncia. A verdade virá durante a instrução processual e certamente isso será o suficiente para que o magistrado compreenda que ele não representa risco à sociedade, às vítimas ou testemunhas, e que muito menos há risco de fuga ou de atrapalhar o andamento processual. Não podemos valorizar tão somente as provas acusatórias. É necessário ter os olhos voltados também para as palavras do acusado e o conjunto probatório da defesa. No momento oportuno ficará demonstrado que José Roberto é inocente das acusações que lhes são feitas", afirmou o advogado ao Uol Esportes.

Vitória se pronuncia

Por meio de nota, o Vitória informou que o contrato com o acusado expirou em 2014. Apesar disso, segundo o site Uol Esportes, o nome de Zé Roberto estava no site do clube até a publicação da matéria do Bahia Notícias. Além disso, ainda conforme o portal, ele era visto no clube até o ano passado.

Confira a nota, publicada pelo Uol Esportes, na íntegra:

O Esporte Clube Vitória, por meio desta nota, tomando conhecimento a respeito da prática de atos de pedofilia por pessoa que se fazia passar por representante de Escolinha do Vitória, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos:


O Esporte Clube Vitória celebrou em 10 de setembro de 2013 contrato de cessão de uso de marca por prazo determinado com a associação 'Projeto Criança Feliz – Núcleo Venturosa-PE', representada pelo Sr. José Roberto Henrique da Silva. Pelo contrato, o Vitória concedeu àquela associação licença para implantar, operar e administrar, por sua conta e risco, uma Escolinha de Futebol do Vitória, sendo de total responsabilidade da associação cessionária a manutenção do seu próprio quadro de pessoal, sem controle, fiscalização ou qualquer ingerência do Esporte Clube Vitória, que apenas cedeu o uso do nome 'Escolinha de Futebol do Vitória' e teria como contrapartida apenas a preferência para possível encaminhamento de jovens atletas para compor a sua divisão de base.


O contrato mencionado tinha vigência de um ano e extinguiu-se em 10 de setembro de 2014, não tendo sido renovado, nem mesmo de forma tácita, desde quando somente previa a possibilidade de renovação através de instrumento escrito.


Foi o Vitória agora surpreendido com a informação de que o seu nome continuara a ser usado pela associação, apesar de encerrado o contrato, e ainda de que os lamentáveis fatos relatados na denúncia estariam sendo praticados por integrante da associação.


Esclarece o Esporte Clube Vitória que jamais exerceu qualquer fiscalização ou controle do quadro de pessoal da associação e não tomou conhecimento da prática de ato ilícito por qualquer representante ou funcionário daquela, salvo agora por intermédio do advogado das vítimas, o qual manteve contato com o departamento jurídico do Vitória, que prestou os devidos esclarecimentos ao mesmo. 


Assim, o Vitória vem a público esclarecer que nada tem a ver com os fatos denunciados, nunca deteve poder de controle quanto às atividades da denominada escolinha, que vinha funcionando ilegalmente, à sua revelia, nem tem qualquer responsabilidade, por atos infracionais que tenham sido praticados por integrantes da referida associação. O Vitória lamenta e deplora, com vigor, a prática dos atos denunciados, esclarecendo que irá adotar as providências legais pelo uso indevido do seu nome, ainda mais quando ligado a atos deploráveis que teriam sido praticados por terceiros.


Ratifica o Vitória o seu veemente repúdio à prática de atos que atentem contra a integridade física ou moral de crianças ou adolescentes, jamais tendo tolerado a prática de tais atos em seu âmbito profissional ou de formação de atletas.

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