"Tive boa base quando iniciei, havia bons campeonatos amadores. Isso acabou", diz Mineirinho

Melhor brasileiro no Mundial de Surfe, Adriano de Souza conversou com A Tribuna

07/10/2017 - 10:42 - Atualizado em 07/10/2017 - 10:56

Surfista esteve em Guarujá na última semana e falou sobre o Mundial de Surfe (Foto: Mansurel/WSL)

Se Netuno, o rei dos mares, mandou uma boa ondulação para Hossegor, na França, começou na madrugada de hoje (horário brasileiro) a nona etapa do Mundial de Surfe. É lá que o guarujaense Adriano de Souza, sexto colocado no ranking, busca uma vitória para aumentar as chances de lutar pelo bicampeonato. 

Melhor brasileiro no Mundial, Mineirinho cairia na água, se o mar ajudasse, logo na primeira bateria do Quiksilver Pro, contra o norte-americano Conner Coffin e o australiano Stuart Kennedy. 

Na semana passada, ele esteve em Guarujá, onde visitou a ONG Projeto Ondas, do ex-surfista profissional Jojó de Olivença (veja o vídeo no site www.atribuna.com.br), e conversou com A Tribuna sobre a briga pelo título, além de se mostrar preocupado com a falta de investimento nas categorias de base do surfe brasileiro. 

Como você se vê na briga pelo título? 

Tem apenas três etapas, vou ter que ir super bem nessas duas próximas para chegar no final do ano, no Havaí, e ter chance de ser bicampeão mundial.

 

É possível reverter a vantagem de 11 mil pontos do líder (o sul-africano Jordy Smith)? 

São dez (surfistas) lutando com chances reais. O que vai realmente definir são as colocações dessa próxima etapa. Se os líderes continuarem avançando, vão minando as posições do pessoal lá de trás. Só vai depender do meu desempenho. 

Você foi o primeiro brasileiro a liderar o ranking, em 2011. O que isso significou para o surfe nacional? 

Ver um brasileiro na ponta abriu os olhos da comunidade do surfe mundial, porque jamais as pessoas poderiam sonhar com isso fora do Brasil. Quando cheguei nessa liderança, abriu muitas portas. Hoje, a nossa nova geração não quer mais saber de chegar na liderança, quer se tornar campeã.

 

Guarujá mostra sua força no surfe brasileiro, com você e o Caio Ibelli na elite? 

Guarujá sempre foi uma potência, sempre teve boas ondas no nosso Litoral, os atletas antigos vêm puxando essa nova geração. A partir de 2018 teremos três de Guarujá. O Jessé (Mendes, que garantiu vaga no Qualifying Series), o Caio e eu.

A Cidade teve em setembro um outro campeão mundial, o Luiz Diniz, no SUP wave. Como você viu essa conquista? 

Fiquei muito feliz, acho que atletas como ele dão exemplo, pois muitas crianças vão acabar seguindo a sua trajetória. 

Falando em crianças, a garotada do Projeto Ondas se empolgou com a sua visita. Isso te inspira?

É uma grande fórmula de poder retribuir tudo que o esporte me deu. O projeto do Jojó de Olivença é super bem feito, uma forma de aprender para, quem sabe, quando eu parar a minha carreira, também montar um projeto como esse. 

O Brasil atingiu outro patamar no surfe mundial, com o seu título e o do Gabriel Medina, além da presença de surfistas como o Filipe Toledo e outros que correm o circuito. A renovação está garantida? 

Não é certeza, porque a gente está com eventos amadores ruins. A base do surfe brasileiro não está legal, hoje não existe Circuito Brasileiro Amador. A base profissional está sólida, mas os próximos, não temos certeza.

O que falta? 

Falta investimento. A molecada que chega vai direto para o profissional. Eu tive uma boa base quando eu iniciei, havia bons campeonatos amadores. Isso acabou.

Como mudar esse panorama?

Hoje fica nessa situação delicada. Eu organizando campeonatos amadores, um atleta profissional organizando um amador, isso não é certo. Mas se eu, o Gabriel (Medina) não realizarmos esses eventos, fica esquecido. Comecei este ano (Troféu Adriano de Souza), o Gabriel está fazendo há mais de três anos. Fiz em Salvador e vou buscando parceiros, usando essa plataforma para captar patrocinadores.

Os seus patrocinadores bancam o campeonato? 

O maior incentivo não são os meus patrocinadores. São as prefeituras, os governos, acho que o incentivo tem que vir deles. 

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