Superstições de jogadores: vale tudo em busca da vitória

Muitos estão convencidos de que é impossível vencer sem recorrer a algum amuleto ou mania

23/06/2018 - 16:55 - Atualizado em 23/06/2018 - 17:00

No Mundial de 1998, a careca de Barthez (segundo, à esquerda) deu sorte (Foto: Eric Feferberg/AFP)

Alguns jogadores de futebol acreditam que o sucesso na Copa do Mundo é alcançado por meio do exercício, da dieta, ou de práticas intermináveis de dribles e finalizações, mas outros muito mais supersticiosos estão convencidos de que é impossível consegui-lo sem usar sua roupa íntima da sorte, ou alguma mania preferida.

Jogadores e técnicos podem formar um grupo supersticioso e, se for assim, muitas vezes têm um ritual ou uma peça de roupa que acreditam contribuir para um carreira de sucesso.

A insistência do ex-goleiro colombiano Rene Higuita de usar cuecas azuis, ou o costume do atual atacante alemão Mario Gómez de usar somente o mictório localizado na extrema esquerda do vestiário antes de uma partida são apenas uma amostra das forças externas nas quais muitos protagonistas acreditam.

O meia inglês Dele Alli continua usando na Rússia as mesmas caneleiras que usava desde a infância, com a esperança de que lhe deem sorte, essa que parece fugir dos ingleses há décadas nas grandes competições.

"Uso as mesmas caneleiras desde os 11 anos, estão desgastadas, mas sou muito supersticioso", confessou o homem do Tottenham ao site da Fifa.

Seu companheiro de equipe Eric Dier se nega a tirar a pesada joelheira que usa em sua perna esquerda, apesar de já estar completamente recuperado da dor que tinha.

"Nada mais do que superstição", admite o volante inglês. 

O psicólogo especializado em esportes Dan Abrahams, autor do libro "Soccer Tough", assegurou que muitos fatores estão além do controle de um jogador no dia da partida, ao adotar um ritual ou amuleto da sorte.

"Logicamente esse tipo de ritual não está ligado ao rendimento", assinalou à AFP. 

"Contudo, se um jogador acredita na percepção de que está, então a ação pode se tornar um fator de articulação de como um jogador se sente", acrescentou o especialista britânico, que trabalha no Bournemouth da Premier League.

Sensação de felicidade

O meia alemão Julian Draxler tem manias 'chiques'. "Cada jogador tem um ritual antes de cada partida e eu, normalmente, deixo minha bolsa no meu armário e o borrifo com perfume duas ou três vezes. Isso me dá uma sensação de felicidade", explica o alemão do PSG.

O treinador francês do Marrocos, Herve Renard, usa uma camisa branca desde que comandou a Zâmbia em uma vitória surpreendente no Campeonato Africano das Nações em 2012.

Continua firme com sua ação na Rússia, apesar do Marrocos ter perdido suas duas primeiras partidas.

A França acredita que as superstições jogaram a seu favor para sua consagração na Copa do Mundo de 1998, quando seus companheiros tocavam a careca de Fabien Barthez para ter sorte.

Por exemplo, o zagueiro Laurent Blanc dava um beijo em sua cabeça antes de cada partida, até a vitória na final contra o Brasil.

O bigode do Matador

Na era dos shortinhos curtos, o astro argentino Mario Kempes seguia a moda, e usava um elegante bigode em forma de ferradura e cabelos longos e soltos.

Mas Kempes demorou a marcar gols na fase de grupos da Copa do Mundo de 1978, o que fez com que seu treinador César Luis Menotti lhe desse uma sugestão.

Menotti, que havia deixado o menino prodígio Diego Maradona fora da convocação, assinalou que quando visitou o atacante na Espanha antes da Copa estava barbeado e marcava seguidos gols para o Valencia.

"Por que você não tira o bigode para ver se traz sorte?", lhe disse naquela Copa.

O impacto foi imediato: Kempes marcou dois gols na partida seguinte contra a Polônia, depois mais dois contra o Peru e selou a sua passagem para a final. O Matador voltou a marcar na final contra Holanda (3 a 1).

"O bigode tinha que ir, esse foi o começo de um novo capítulo para mim", comentou Kempes mais tarde. "Depois disso, cada vez que (Menotti) me via, dizia 'hoje está precisando se barbear Mario, não?'".

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