Peres promete auditoria "pente fino" nos últimos cinco anos do Peixe

Presidente do Santos falou com exclusividade para A Tribuna sobre início de sua gestão

18/02/2018 - 12:00 - Atualizado em 18/02/2018 - 12:00

Peres promete acionar os responsáveis na Justiça, caso encontre irregularidades (Foto: Alberto Marques/AT)

Há um mês e meio à frente do Santos, o presidente José Carlos Peres falou com exclusividade para A Tribuna, na última sexta-feira (17), sobre o início de sua gestão, marcada pela falta de recursos e uma grande readequação do quadro funcional, que, segundo ele, estava “inchado”.

 

Entre as decisões do dirigente, a que mais repercutiu junto aos torcedores da Baixada Santista foi a escolha do Pacaembu para sediar os jogos do time na Libertadores. Reclamando da baixa frequência de público na Vila, Peres não descartou o Alçapão. “Se encontrar alguém que me pague toda a lotação da Vila, eu fecho na hora”. 

O mandatário também garantiu para breve o início de uma “auditoria pente fino” nos últimos cinco anos do clube. E prometeu que, em caso de comprovação de irregularidades, vai acionar os responsáveis na Justiça.

A Tribuna - Torcedores de Santos têm reclamado da decisão de mandar os jogos da Libertadores no Pacaembu. Como você encara as críticas? 

José Carlos Peres - Eu não posso jogar com uma renda que me gere R$ 200 mil, por uma que pode me dar R$ 1 milhão, R$ 1,2 milhão. Não posso ficar jogando pra 5 mil, 7 mil (pessoas). Quatro mil no dia da estreia do Gabigol? (contra o São Caetano, na Vila, no último dia 14, o público total foi de 4.195). A gente tem que ter consciência, o clube não vive se não houver receitas. É isso, não é afronta pra Cidade.

Neste aspecto, o público contra o Ituano no Pacaembu (13.609 no total, dia 28 de janeiro) não foi decepcionante? 

Se você pensar, tinha o dobro que teríamos na Vila se desse 7 mil. Mas como foi feriado (na verdade, após o feriado do aniversário de São Paulo, dia 25) e a cidade estava esvaziada, foi bem 13 mil.

O clássico contra o Corinthians (dia 4 de março) será no Pacaembu. Qual a sua expectativa de público? 

Eu acho que dá umas 30 mil, 35 mil (pessoas). Se não chover, se não tiver algo que possa prejudicar o espetáculo, nossa expectativa é um bom público.

Quando você justificou a escolha do Pacaembu na Libertadores, disse que o regulamento exigia estádios com capacidade para 25 mil. Mas isso é para a fase final.

Eu teria que indicar um estádio (à Conmebol) e o indicado foi o Pacaembu. Isso não significa que não transferimos alguns jogos pra Vila, desde que possa. Se você encontrar alguém que me pague toda a lotação da Vila, eu fecho na hora. O grande Santos de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, e não é de agora que as arrecadações são baixas na Vila, jogava no Pacaembu e no Maracanã e ninguém reclamava. O Santos precisa se unir. O Santos está mergulhado numa dívida, à beira de um colapso financeiro. Se não, vamos continuar vendendo jogador, revela e vende. A gente não quer que isso aconteça mais. 

Qual o valor da dívida do Santos? 

Temos uma ideia, mas só vamos ter o Santos a limpo, com todos os números, depois da auditoria. Até onde sei, é o que tá no Conselho, cerca de R$ 350 milhões, R$ 400 milhões.</MC>

A auditoria já teve início? 

Nós fizemos uma auditoria interna, adiantamos algumas coisas, mas estamos contratando uma auditoria. Uma delas é a GF e a outra é a BDO (ambas de São Paulo). Está em fase final de licitação pra contratar. Eu tô ansioso pra fechar, até porque temos que cumprir o nosso compromisso de campanha, que é fazer uma auditoria pente fino dos últimos cinco anos. No período do Odílio (Rodrigues Filho) e da gestão do Modesto (Roma Júnior).

Nesta auditoria interna vocês levantaram alguma irregularidade nas últimas gestões?

Encontramos coisas que já foram encaminhadas para o Conselho Fiscal. Mas são suspeitas, é muito forte a gente falar qualquer tipo de acusação sem investigação, porque pra acusar alguém você tem que ter provas concretas. O que vamos fazer é essa auditoria, espero anunciar já nessa semana (a empresa escolhida). Se alguém fez alguma coisa errada nesse período, certamente nós vamos processar e vamos querer o dinheiro do clube de volta.

Outra promessa de campanha foi o portal de transparência...

Conversamos com duas empresas pra fazer uma coisa apurada, que estará à disposição dos sócios, que ao acessar o sistema poderão analisar o comportamento da gestão que estiver no clube. Ao mesmo tempo estamos preparando um pedido para o Conselho Deliberativo e pra Comissão de Estatuto pra inserir aquele dispositivo que vai nos dar credibilidade no mercado. Que o presidente que aumentar qualquer dívida do clube será responsabilizado. Se o Santos dever R$ 5 milhões e ele entregar (o cargo, após cumprir o mandato) com R$ 6 milhões, vai pagar do bolso. Ele e o Comitê de Gestão. Também estamos fazendo licitação com quatro empresas para fazer o voto à distância, com segurança máxima de que o sistema não será burlado. Na próxima eleição todos os sócios do Brasil podendo votar.

Na gestão passada, o Santos assinou um contrato com o Esporte Interativo, que passa a valer em 2019 para a TV fechada. Foi bom para o clube? 

Não foi bom o contrato, porque houve um redutor na questão da transmissão ao vivo para os times que fecharam com o Esporte Interativo. Vou perder receitas e provavelmente não serão poucas por não ter assinado tudo com a Globo. Há dificuldades, mas estamos conversando. A Globo já transmitiu jogo do Santos depois de sete anos (contra a Ferroviária, no dia 10, foi o primeira partida ao vivo contra um adversário de menor expressão, desde 2011, sem contar as finais do Paulistão contra Ituano, em 2014, e Audax, em 2016).

Você frisa que o Santos precisa de receitas, mas o clube ainda está sem marketing...

Estamos montando uma unidade de negócios. Vamos trazer um profissional do mercado, espero apresentar nos próximos dias. Vai trabalhar em Santos e São Paulo. O Santos tem duas casas, a primeira é a Vila, é a nossa Meca, nossa paixão. Para os torcedores de São Paulo que vão assistir jogos em Santos é um lazer. Ele vai, almoça, vê a praia e já vai pro jogo. Isso não tem dinheiro que pague. O que a gente lamenta são só as arrecadações. E outra: nós nunca vamos ter um jogo transmitido da Vila direto pra São Paulo, a não ser que seja um clássico, um jogo especial. Por isso que a gente não pode esquecer do Pacaembu, nossa torcida em São Paulo é grande.

A sua gestão vem fazendo mudanças no clube. Quantos funcionários já foram demitidos? 

Eu não tenho o número certo, mas fizemos uma adequação. O Santos hoje é uma máquina obesa, que anda como uma carroça. Estamos readequando o organograma. Foi demitido o necessário pra que o Santos volte ao tamanho natural, estava bastante inchado. Com isso houve cortes que pegaram ex-jogadores e lógico que algumas pessoas chiam, mas o Santos não pode ser bonzinho e depois não ter dinheiro pra pagar no final do mês.

O caso do Zeca repercutiu na última semana. O Santos vai conseguir manter o vínculo do jogador na Justiça?

A decisão vai ser em abril, tem que esperar. Neste caso o Santos tem razão, eu tenho muita confiança. O clube não pode ser prejudicado, porque não justifica a reclamação.

O Santos está programando uma excursão para o período da Copa da Rússia? 

A gente pretende alguns jogos durante o período de Copa do Mundo, pra não ficar parado 30 dias, só treinando. A gente quer alguns amistosos. Pode ser na Europa, onde aparecer, para viabilizar dinheiro e aproveitar a oportunidade do Santos estar no exterior.

Você havia prometido contratar um meia até o dia 15 e o prazo expirou. O Santos vai trazer esse reforço? 

Ontem (quinta-feira, dia 15) nós apresentamos o Diogo Vitor, um menino que tava perdido porque o contrato dele ia vencer em março. Nós temos Diogo Vitor e Vitor Bueno, temos muita esperança neles. Mas isso não significa que não tenhamos mais contratações, de meia ou atacante, só que sem prazo. A gente sabe que pra disputar uma Libertadores tem que ter elenco.

O Santos deve dinheiro aos times alemães pelas compras do Bruno Henrique (Wolfsburg) e do Cléber (Hamburgo)?

O Santos tem duas parcelas pra pagar do Bruno Henrique, mas elas estão em dia. O valor eu não me lembro. O Cléber também está em dia, acho que tem duas ou três (parcelas).

O clube já pagou a Inter de Milão pelo empréstimo do Gabigol? O valor acertado foi de R$ 6 milhões?

Vamos pagar em três parcelas. Pagamos uma. Sobre o valor, é mais ou menos isso.

Ele vale o investimento?

Vale, ele é estrela né? O espetáculo tem que ter estrela. Botar só a meninada pra jogar é ideal, porque você revela jogador, mas tem que ter os âncoras.

Confiante para o clássico? (neste domingo, às 17 horas, no Morumbi, contra o São Paulo)

Tô confiante, vamos ganhar. O time está sendo entrosado, não podemos esquecer que o Gabigol, que estava parado há meses, fez gol nas duas partidas (que jogou). Precisamos estar embalados no Paulista pra chegar bem na Libertadores.

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