Futsal, a paixão do garoto Gustavo Dolberth Cruz, de 13 anos

Paralisia cerebral, que tirou o movimento das pernas, não interfere na sua força de vontade

25/11/2017 - 08:43 - Atualizado em 26/11/2017 - 10:59

Torcedor mirim do Corinthians se diverte jogando bola com os amigos (Foto: Nirley Sena/AT)

Sorriso largo, Gustavo Dolberth Cruz, de 13 anos, chega ao Complexo Esportivo Rebouças, na Ponta da Praia, em Santos, para mais uma aula. Vestindo camisa do Corinthians, calção, meias, tênis e usando um par de muletas, ele está pronto para mais uma sessão de futsal com os meninos. 

Sim, muletas. Para Gustavo, a paralisia cerebral que lhe causou a perda do movimento das pernas não chega a ser um obstáculo para que ele desfrute de uma das coisas que mais gosta: jogar bola. A paixão é tamanha que o garoto joga três vezes por semana no Rebouças e duas na Escola Municipal Cidade de Santos, onde cursa o sétimo ano.

Aos finais de semana, a fiel companheira também não lhe dá descanso. Gustavo costuma bater uma bolinha com o amigo Davi Ricardo Santos da Silva, 12, que também joga futsal e estuda com o parça desde o primeiro ano do ensino fundamental. 

“Prefiro jogar na linha, porque eu faço dribles, gols. Sou mais artilheiro do que goleiro”, garantiu o sorridente e tímido Gustavo, que vai se soltando ao longo do papo com a Reportagem e que, como bom fanático pelo Alvinegro da Capital, não esconde a admiração por Cássio e pelo atacante Jô. 

Mudança de postura

A mãe de Gustavo, a artesã Andréia Aparecida Dolberth, 42, ficou receosa quando o filho, que já passou por três cirurgias e usa órteses nas pernas, pediu para jogar futsal. “Eu não queria, morria de medo de ele se machucar, mas o médico dele falou que tudo bem”, relembra. 

Convencida, ela só viu avanços do filho após o início da prática, há dois anos. “Ele mudou a postura, é mais regrado nos horários. Quando tem aula, ele põe o celular pra despertar. Ele ficou mais responsável, até emagreceu”. 

Sobre o preconceito, Gustavo rebate de primeira, assim como quando está no gol. “Infelizmente existem pessoas que olham com ar de pena, perguntam porque ele usa muletas. Um dia alguém disse ‘coitadinho’ e ele respondeu: ‘Coitadinho o quê? Eu sou goleiro, sou artilheiro!’”, contou Andréia. 

No Rebouças, território no qual inclusão é a palavra de ordem nas modalidades esportivas oferecidas gratuitamente pela Prefeitura, os companheiros de futsal enchem a bola de Gustavo. 

“Ele joga bem na linha e no gol, mas escalaria ele no gol”, disse Leonardo Marques Sargento, de 16 anos. “Ele joga bem nas duas (posições), mas é melhor no game”, opinou Davi da Silva, falando sobre outra habilidade apresentada pelo amigo. 

Videogames

Aficionado por jogos eletrônicos, Gustavo logo desanda a falar dos videogames preferidos. “Jogo PlayStation 2, 4, XBox, Fifa. Sou profissional, pergunta para o Davi, que é freguês (risos)”. 

Ao final da aula, esbanjando alto astral, o menino ainda teve fôlego para fazer uma sessão de embaixadinhas para A Tribuna usando as muletas. E antes de deixar o Rebouças, fez um convite geral. “Não é porque eu uso muletas que não posso jogar. Venha jogar também”, finaliza.

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