De raiz: casal de Praia Grande radicaliza no Brasileiro de Rolimã

Alexandre Queiroz Lugó Neto e Regina Browczuk resgatam brincadeira que virou esporte

02/08/2018 - 15:39 - Atualizado em 02/08/2018 - 16:52

Na região, o casal costuma treinar na Ilha Porchat, em São Vicente (Foto: Vanessa Rodrigues/AT)

Houve um tempo, muito antes da era digital, que uma das diversões preferidas da garotada era descer as ladeiras em um carrinho de rolimã. Mas para a alegria dessa geração que passava horas correndo com os modelos de madeira, a brincadeira sobreviveu às modernidades e hoje conta até com um campeonato nacional. 

Um dos entusiastas da ideia é o comerciante Alexandre Queiroz Lugó Neto, de 59 anos. Paulistano, ele costumava radicalizar com os amigos na Capital. “A turma ia pro Morumbi, que na época não tinha muitas casas. Lá tem muitas descidas e a gente passava o dia todo brincando”, relembra.

Mas a vida é implacável, a gente cresce e os compromissos com estudo e trabalho tomam o lugar da diversão. Os amigos seguem cada qual o seu rumo e os momentos da infância e adolescência viram lembranças.

Sorte que, tal qual um traçado de corrida, a vida às vezes dá voltas e nos leva de novo à linha de largada. Morando há 14 anos em Praia Grande com a esposa Regina Browczuk, 41, Alexandre descobriu há dez anos que os aficionados do rolimã se reuniam em corridas no campus da Universidade de São Paulo (USP). 

O casal foi conferir e até Regina, que nunca havia sentado em um carrinho daqueles, ficou apaixonada. “É uma experiência inesquecível, porque tem a adrenalina da competição, as amizades que a gente faz. Eu nunca mais vou parar de andar (risos)”, conta. 






Brincadeira radical 

Expert no assunto, Alexandre acompanhou a evolução dos modelos. “Antigamente era o básico, feito com caixote de feira e restos de madeira de construção. Pedia rolamento em oficina, quando conseguia né? Às vezes a gente era expulso da oficina (risos)”, recorda. 

Atualmente, os campeonatos reúnem protótipos sofisticados. “Os estudantes de engenharia mecânica da USP participam e criam os seus carrinhos, mas no ano passado o meu ganhou como o melhor chassi”, diz Alexandre. 

Feito de tubos de aço, o modelo 18, produzido e usado por ele nas corridas, tem carenagem feita de madeira com EVA (espuma vinílica acetinada), suspensão independente e freio pantográfico, acionado paralelamente para garantir a frenagem segura. Custou cerca de R$ 2 mil.

Empolgado com a brincadeira, o casal criou a equipe Real Competições e este ano disputa a primeira edição do Campeonato Nacional Rolimã Brasil (CNRB). O filho do veterano piloto, Alexandre, de 35 anos, outro que nunca se aventurara na diversão, também faz parte do time. 

Descendo ladeiras onde os protótipos chegam a quase 100 km por hora, o uso de equipamentos de segurança é obrigatório. Capacete, luvas, calças e blusas com material grosso, como os usados em provas de motocross, estão na lista. 

Quando começou a correr, Regina reconhece que sentia medo, que foi se dissipando a cada descida. “Você fica com receio de fazer besteira, mas vai andando, pegando o jeito e tendo mais confiança. Você sabe que tem um freio que freia mesmo, aí consegue soltar mais o carrinho”, constata.

Tanto ela quanto o marido afirmam nunca terem sofrido acidentes sérios no esporte, onde os sentimentos se misturam. “A gente volta a ser criança quando tá andando e se diverte muito o dia inteiro. É aquela alegria de estar com os amigos, mas quando cada um senta no seu carrinho, é competição”, garante Alexandre. 

Campeonato Nacional

O Campeonato Nacional Rolimã Brasil tem etapas em cidades paulistas e mineiras e o casal de Praia Grande tem andado bem nos diferentes circuitos. Como em Brumadinho-MG, onde desceram o trecho de serra a 92 km por hora. 

A competição é dividida em três categorias: FLX (força livre extreme, sem limite de peso para os carrinhos), speed (com rolamentos idênticos para os carrinhos, que devem ter até 35kg) e feminina. Alexandre é o terceiro colocado na FLX e o quarto na speed. 

Regina compete nas três categorias, apesar da pouca presença de mulheres no campeonato. Ela lidera a categoria feminina, está em quinto lugar na speed e em décimo na FLX. 

Na região, eles costumam treinar nas ladeiras da Ilha Porchat, em São Vicente. As sessões despertam a atenção de muita gente, que quer saber mais da brincadeira, que para o casal também é esporte. 

“Na Ilha Porchat não dá para fazer um treino muito técnico, é mais pra gente não ficar sem andar”, diz Alexandre. “Uma amiga veio ver a gente, com o marido e a mãe, e foi uma farra. A família inteira queria andar e eu dei meu carrinho antigo para ela”, conta Regina. 

Como nas últimas duas décadas o mundo virtual tem atraído cada vez mais a atenção de crianças e adolescentes, Alexandre vê a divulgação do rolimã como essencial para conquistar novos aficionados. 

“Em todas as cidades que a gente vai também tem a corrida infantil. 

Tem menino que nem imaginava que existia o rolimã e a gente vê que a criançada se empolga com a brincadeira. É muito bacana, porque são os futuros adeptos ao esporte”, diz Alexandre. 

Quem quiser conhecer mais sobre o rolimã, seja para diversão ou competição, é só entrar em contato com o casal na página https://www.facebook.com/rolimabrasil.  

Dupla disputa o Campeonato Nacional, com etapas em São Paulo e Minas (Foto: Vanessa Rodrigues/AT)

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