Cássio supera adversidade e destaca no CrossFit adaptado

Paratleta se recupera de acidente que o deixou paraplégico e consegue bronze no Mundial

17/02/2018 - 13:47 - Atualizado em 17/02/2018 - 14:13

Cássio e a treinadora de Rúbia Santino (Foto: Leonardo Vida/ CrossFit Peruíbe)

Cássio Dutra, praticante de CrossFit adaptado para cadeirantes, é o primeiro brasileiro a subir no pódio do Mundial da modalidade. Além disso, ele é o atual campeão da etapa Monstar Games do Rio de Janeiro e o melhor no ranking para cadeirantes no Brasil. O paratleta compete pelo Rúbia Studio, de Peruíbe. 

 

Contudo, a trajetória para a medalha de bronze no Mundial começou na dor. Em setembro de 2013, aos 27 anos, Cássio sofreu um acidente automobilístico na Rodovia Padre Manuel da Nóbrega, em Itanhaém, que lhe tirou o movimento das pernas. Na ocasião, um veículo bateu na traseira do carro dele. Como estava sem o cinto de segurança, foi arremessado para o meio da estrada. “Acho que foi uma tentativa de assalto. Acordei e já não senti as minhas pernas”.

Depois de 26 dias internado e de passar por cirurgia na coluna, ele teve de recomeçar. Para fortalecer a autoestima, reabilitação física e, o principal, a vontade de viver. Assim, se dedicou aos esportes que praticava desde criança (judô e jiu-jitsu).

A readaptação foi rápida. Cinco meses depois da operação, já estava lutando. Mas as artes marciais não produziam o mesmo efeito de antes. Ele sentia que precisava de algo novo, o que não demorou a aparecer.

Em 2015, Cássio foi chamado para participar da feira Arnold Classic Brasil, evento no qual conheceu o crossfit. “Me acharam pela internet e me chamaram. Eles estavam precisando de deficientes para exercícios e eu fazia os funcionais em Itanhaém. Aí resolvi ir”.

Depois de participar do evento e se interessar pela modalidade, Cássio começou a procurar um lugar para praticá-la. Em sua cidade, Itanhaém, não encontrou. Porém, em novembro de 2016 ele foi até Peruíbe e conheceu Rúbia Santino (fisioterapeuta) e Leonardo Vida (publicitário), do The Rúbia Studio – CrossFit Peruíbe. Foi aí que começou a praticar a modalidade que o consagraria dois anos depois. 

Em apenas três meses de crossfit, o paratleta ganhou suas primeiras medalhas e passou a sonhar grande. Queria participar de uma competição internacional.

Mesmo adaptado e com algumas medalhas, Cássio pretendia entrar na categoria iniciante. Porém, seu técnico acabou convencendo-o a se inscrever no Mundial da elite, a categoria RX, que seria disputada em Collingwood, no Canadá, em 2017. Isso porque a iniciante não o levaria para a competição internacional. Ele topou e começou a se preparar.

Preparação

Para entrar no Mundial adaptado para cadeirantes, o paratleta teve que passar por duas seletivas on-line. A primeira, a open, ocorreu entre fevereiro e março de 2017. Basicamente, os competidores do mundo inteiro tinham de enviar vídeos, sem edição, para os organizadores, com as atividades exigidas. Enquanto o técnico gravava o vídeo, o juiz acompanhava presencialmente o andamento do exercício. Caso fosse executado de forma incorreta, era refeito na hora. Dutra teria que ficar entre os dez primeiros atletas na Open para passar à fase seguinte, chamada Regionals. Ele conseguiu a nona posição. 

Esta etapa, também on-line, foi realizada entre março e abril do mesmo ano. Cássio se classificou em sexto lugar mas, por conta das desistências, acabou subindo para quarto.

Para chegar ao Canadá, a equipe do paratleta criou projetos na tentativa de arrecadar dinheiro. Para se ter uma ideia da dificuldade, por conta da falta de patrocínio a passagem aérea foi comprada um dia antes do início da competição, em julho de 2017.

Competição exigiu muita força

Cássio durante treinamento com argolas (Foto:Leonardo Vida/ CrossFit Peruíbe)

Em Collingwood, Cássio passou por dois dias de competição, com duas provas em um e três no outro. Ao longo do primeiro dia, o paratleta correu 3 km com a cadeira de rodas, fez flexões de braços e levantamento de peso. Conforme ele ia avançando nos exercícios, os pesos aumentavam. 

Já no segundo dia, ele foi obrigado a queimar três calorias na bicicleta e arrastar um trenó de 50 kg por 15 metros. Na somatória dos resultados, Cássio ficou com o terceiro lugar e foi para o pódio.

Quando questionado sobre a sensação de estar entre os primeiros colocados depois de passar por tantos problemas, Cassio disse ter absorvido as dificuldades e compreendido o aprendizado. 

“Eu sempre tive um sonho (de competição internacional) que nunca consegui realizar andando, mas numa cadeira de rodas eu consegui. Deus mostrou para mim que é possível fazer tudo aquilo que eu quero, independentemente da condição física”.

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