Após falha de Paes, veja como um erro grave mexe com a cabeça de um atleta

Reportagem detalha carreira de goleiro e aborda tema com especialistas em psicologia do esporte

22/03/2018 - 10:16 - Atualizado em 22/03/2018 - 10:20

Paes saiu do Morumbi aos prantos na terça-feira (Foto: Reprodução)

As lágrimas de Paes após a eliminação do São Caetano nas quartas de final do Paulistão evidenciaram como um erro decisivo pode causar diversos impactos emocionais na carreira de um atleta. O jogador de 35 anos, que desabafou após sua falha culminar no gol de Tréllez, do São Paulo, tenta se levantar do grande tombo. Ao sair jogando errado, o goleiro entregou a bola ao atacante, que abriu o caminho da classificação do time da casa no Morumbi.

 

"Hoje, a gente ainda está triste, mas estamos trabalhando da melhor maneira possível para recolher os cacos. O momento é de reerguer a cabeça" afirmou, o goleiro do Azulão, ao SporTV, um dia após a derrota do Azulão por 2 a 0 para o Tricolor.

Paes tem agora um desafio bem intenso para encarar na já longa trajetória.

Psicólogos apontam caminhos

O apoio surge como fundamental para que Paes vire a página de seu erro no Morumbi. Especialista em psicologia esportiva, Eduardo Cillo contou como o momento após a falha é, geralmente, sentido entre jogadores. 

"É um lance realmente custoso para um goleiro, difícil de ser digerido, daqueles que até corre risco de ele cogitar encerrar a carreira. Ele experimenta um sentimento comparável com o luto, do qual tem de sair para depois pensar em trabalhar com novas metas e readquirir sua confiança completa", disse.

Aos seus olhos, a falha ganha uma proporção maior quando custa a eliminação de uma equipe de menor investimento, como no caso do São Caetano.

"Dá uma sensação de que o nível de competitividade, de todo o trabalho por resultados maiores de uma equipe, foram postos em xeque por um erro isolado dele. É muito difícil, custoso de sentir", analisa Cillo.

Outro especialista em psicologia esportiva, Gustavo Korte destacou outras situações com os quais Paes terá de lidar.

"A idade avançada pode, às vezes, causar um abalo após uma falha. Como o Paes tem 35 anos, há o risco de ele se abater, e achar que não pode mais corresponder. Outra preocupação é como lidar com a percepção de competência. É importante que o Paes tenha recursos psicológicos para lidar com o erro, saber o que tem de fazer da próxima vez", comentou.

Eduardo Cillo também crê que o amparo tem de surgir de várias maneiras.

"Paes vai precisar de apoio tanto psicológico quanto social, que é o da família e de quem o cerca no São Caetano. O preparador de goleiros, os demais companheiros de time".

É o que o goleiro já conta. "Minha esposa me apoiou muito. Ela ainda disse: "calma, você tem 2018 inteiro, o mundo não acabou ontem", afirmou Paes.

Destaque no Avaí, passagem em Portugal...

Paes iniciou no Silva Jardim (clube de Rio das Ostras, cidade no litoral do Rio de Janeiro) uma carreira basicamente construída em clubes de menor investimento. Após defender o Unaí-MG, não se firmou no Brasiliense, e acabou atuando por clubes como Ceilândia-DF e Guará-DF.

Após curta passagem no Atlético Tubarão-SC, no ano de 2008, desembarcou no Avaí, e logo contribuiu para o acesso da equipe à elite do Campeonato Brasileiro. Nos anos seguintes, Paes viria a saborear o gosto dos títulos: em 2009 e 2010, foi bicampeão catarinense. 

O bom rendimento no clube avaiano conduziu Paes ao Beira-Mar (POR), onde atuou por duas temporadas. Retomou sua carreira no Brasil em 2013, pelas portas do Cianorte.  Ainda atuou por dois anos com a camisa do Oeste-SP, até, em 2016, desembarcar no Anacleto Campanella, onde já jogou na Série A2 e na elite do Paulistão pelo São Caetano.

Presidente reforça confiança

Nem mesmo a falha no Morumbi foi suficiente para abalar a confiança que Paes recebe no São Caetano. O presidente Nairo Ferreira, do Azulão, creditou o erro de Paes a uma "coisa do futebol". 

"Fizemos um grande trabalho depois da chegada do Pintado, e sabemos que o São Caetano podia ir muito mais longe no Paulistão. Mas o Paes não estava na noite dele, e, é claro, não podemos botar a culpa em um jogador só pela eliminação. Em especial porque o Paes tem todos os seus méritos, é um goleiro de qualidade", disse.

Nairo destacou apoio irrestrito a Paes, que só assumiu a titularidade na meta no São Caetano em 2018 em março, após a lesão de Helton Leite contra o Palmeiras.

"Paes vai permanecer conosco, está conosco. Ele tem o nosso apoio incondicional e sempre fez por onde contar com este crédito. Está aqui no São Caetano há dois anos, foi importantíssimo na nossa campanha na Série A2 e também no Paulistão. Não será uma falha que tirará o seu prestígio", disse.

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