Doria quer explorar potencial do turismo de negócios da Baixada Santista

Série de entrevistas com candidatos fala com o postulante do PSDB e ex-prefeito de São Paulo

31/08/2018 - 15:30 - Atualizado em 31/08/2018 - 16:15

Doria promete adotar práticas liberais para melhorar gestão no Estado (Foto: Nirley Sena/ AT)

João Doria foi o nome escolhido pelo PSDB para disputar o Palácio dos Bandeirantes no pleito deste ano. Se eleito, o ex-prefeito de São Paulo pretende adotar práticas liberais para melhorar a gestão no Estado e utilizar muito a tecnologia para que o governo seja mais eficiente, moderno e menos corrupto. O tucano crê que o potencial do turismo de negócios na Baixada Santista precisa ser mais bem explorado. O empresário defende uma política de segurança dura e várias melhorias nos ônibus intermunicipais, como a instalação de ar-condicionado e wi-fi.

Confira a entrevista de João Doria para A Tribuna

 O que motivou o senhor a disputar esse cargo?

 Quero dar continuidade ao bom trabalho que o Geraldo Alckmin (PSDB) realizou à frente do Governo do Estado em 12 anos. O PSDB fez bons governos em São Paulo com Mario Covas, José Serra e Alckmin. Quero proteger São Paulo da esquerda. Se São Paulo cai nas mãos da esquerda, seria um desastre. O Brasil já pagou um preço caro demais em 13 anos de PT. E São Paulo não pode correr esse risco. São Paulo é o baluarte do País. Vamos colocar práticas liberais. Estudei nos Estados Unidos e aprendi os valores da maior economia do mundo, que se sustenta no liberalismo. O estado deve ser menor para ser mais eficiente e menos corrupto, enquanto o setor privado assume as responsabilidades para gerar mais empregos e eficiência. São Paulo precisa ser um bom exemplo nesse sentido.

 A interligação viária entre as cidades da Baixada Santista pelo transporte intermunicipal tem deficiências. Como melhorar o serviço? Pensa em alternativas de transporte, como ferrovias ou veículos leves sobre trilhos (VLTs)?

 Gosto do projeto do VLT e o avalio positivamente. Se ele puder ser expandido para toda a Baixada Santista, entendo que será uma boa alternativa. Temos de investir também na integração do transporte metropolitano sobre pneus. É preciso que a autoridade estadual exerça uma função coordenadora com as prefeituras para a integração do transporte metropolitano sobre pneus para evitar o mau atendimento à população. Defendo que todos os ônibus devam ter obrigatoriamente ar-condicionado, wi-fi, tomadas de USB, conforto interno para os usuários e uma escala que permita que os ônibus possam atender bem os passageiros, sem superlotação. Vamos repassar o serviço de travessia de balsas para o setor privado. Não haverá aumento de tarifa, porque faremos isso de forma competitiva. Teremos as tarifas flexíveis em função das opções de serviço e do tipo de horários. Nos horários de pico, o usuário pagará a tarifa cheia. Fora desses horários, a tarifa será mais baixa. E temos a ponte Santos-Guarujá, que é tão desejada, que virou história e lenda. Tenho 60 anos. Vim ao Guarujá com dez anos e já ouvia falar sobre isso. Não é cabível que um projeto como esse não seja implementado. Vamos apoiar (o projeto da) Ecovias para que a ponte seja instalada onde está prevista, com recursos privados e ampliando o tempo de concessão. Com recursos privados, a ponte sai e ao mesmo tempo obedece um cronograma de trabalho para que sua implantação seja iniciada no ano que vem.

 A Região Metropolitana tem um Conselho de Desenvolvimento, o Condesb, com representação paritária dos nove municípios e do Estado. Porém, como a maioria das prefeituras é governista, costumam prevalecer pontos de vista do Palácio dos Bandeirantes em decisões colegiadas. Qual a possibilidade de que, em uma gestão sua, o Condesb tenha mais autonomia para fazer valer de forma prioritária as decisões municipais?

 Vamos criar a Secretaria de Desenvolvimento Regional, abrangendo o Interior e o Litoral, para descentralizar a máquina pública e fortalecer os municípios. Dessa forma, teremos cidades com mais autonomia e o Estado menor, com foco nas áreas que mais precisam: saúde, segurança e educação.

 De janeiro de 2011 a julho deste ano, o Estado destinou R$ 74,710 bilhões do total arrecadado nesse período para o financiamento de obras, instalações e equipamentos. Se o conceito de divisão per capita desses recursos fosse respeitado pela administração, as nove cidades juntas, que concentram 4,05% dos habitantes, deveriam ter recebido o montante de R$ 3,025 bilhões e não R$ 1,406 bilhão, o equivalente a 1,88% do total. Como reverter isso? 

 Acredito que a gente consiga equilibrar melhor essa situação, mas também levando em consideração os investimentos privados. Há um enorme potencial para investimentos privados na Baixada Santista. E de investimentos privados, eu conheço por atuar 45 anos da minha vida no setor. Tenho respeitabilidade e confiança. Isso, na economia, é um fator muito importante. Cubatão terá novos investimentos para a recuperação de um polo que é forte gerador de empregos e de impostos. E impostos bem arrecadados podem ser bem aplicados pelas prefeituras locais.

Historicamente, a Baixada Santista ocupa as últimas colocações em expectativa de vida e mortalidade infantil do Estado. O que precisa ser melhorado na região em termos de saúde pública?

 São Paulo já tem os melhores indicadores do País em relação aos demais estados. Infelizmente, os índices da Baixada Santista não acompanharam o Estado e precisamos melhorar. Primeiramente, vamos implementar o programa Santas Casas Essenciais. As Santas Casas existentes aqui precisam ser apoiadas na melhoria da qualidade de gestão e, depois, com mais recursos. Precisamos integrar as Santas Casas. Não faz sentido que cada instituição faça individualmente as compras de insumos e equipamentos. Temos que integrá-las para permitir que as aquisições sejam feitas de forma conjunta. Com isso, poderemos ter uma economia de 20% no custo operacional do hospital. Vamos transformar as AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades) em hospitais essenciais, utilizando os prédios já existentes. Traremos novos equipamentos e contrataremos mais médicos especialistas. Por fim, vamos fazer o Corujão da Saúde na Baixada Santista. A infraestrutura hospitalar privada existente na região é grande. A ideia é seguir com o mesmo projeto bem-sucedido da Capital, reduzindo as filas de exames e de cirurgias. À noite, os centros cirúrgicos estão vazios. Com um pequeno bônus para cirurgiões e anestesistas, conseguiremos diminuir a fila de cirurgias eletivas. Vamos adotar ainda o Remédio Rápido, que fizemos em São Paulo com muito sucesso. 

 Depois da Capital, consta que a região tem o maior deficit habitacional do Estado. Como e em que cidades agir, de forma prioritária, para amenizar a situação?

 Pretendo fazer duas ações. Uma delas é o cheque-moradia, que é um programa do Governo do Estado implementado durante a gestão do Alckmin. Ele oferece condição para aqueles que se inscreveram nesse programa comprarem sua própria moradia, obedecendo regras e limites. A minha segunda ideia é a utilização das PPPs (parcerias público-privadas) com os municípios para viabilizar a construção de novas moradias populares. São Paulo foi o Estado pioneiro do Brasil a adotar esse modelo. A Capital, durante a minha gestão, foi a primeira a fazer esse programa. A prefeitura entra com a PPP por meio da adoção do terreno, e a empresa, com os recursos para a construção e exploração do edifício. Já o Estado administra, com a União, o financiamento da obra. Todos os apartamentos terão em torno de 50 metros quadrados (sala, cozinha, banheiro e dois quartos). Nos pisos inferiores, haverá a exploração comercial para mercados, restaurantes ou outros serviços para garantir o retorno do investimento privado, que também fará a administração condominial. Serão edifícios com 15, 18 andares, com elevadores, oferecendo funcionalidade, segurança e condições muito adequadas de habitação. Todos os apartamentos serão entregues com chuveiro elétrico, geladeira e fogão.

 Qual vocação econômica da região seu eventual governo pretende explorar? Ou, ainda, que aspectos econômicos menos explorados hoje poderão ser fontes de emprego, renda e desenvolvimento socioeconômico? 

 Uma grande vocação da Baixada Santista é o turismo. Temos que valorizar e olhar o turismo não como um apêndice. É preciso ter olhar como uma atividade econômica importante. Fui presidente da Embratur e secretário de Turismo do Mario Covas (na Prefeitura de São Paulo, de 1983 a 1986). Sei como tratar o turismo dentro da visão econômica e desenvolvimentista. Vamos incentivar o turismo de negócios. O turismo de lazer já funciona, mas pode ser melhorado com o novo sistema de balsas, com a ponte Santos-Guarujá e melhorias de segurança pública. 

 Dados oficiais apontam que a região está atrás do Interior do Estado no que se refere à atração de investimentos privados. Que características da Baixada Santista devem ser mais bem aproveitadas, no seu ponto de vista, para se diminuir essa diferença perante outras localidades?

Com boas propostas e boa gestão. Temos que avaliar corretamente as vocações regionais. O Polo Industrial de Cubatão precisa ser recuperado. Vou usar toda a experiência que tenho no setor privado para atrair novos investidores. Justamente por minha origem não ser na política, tenho um grau de acessibilidade ao mundo empresarial que normalmente os políticos não têm. Entendo que a indústria da construção civil é uma forte geradora de empregos. Vamos apoiar o setor de serviços, que pode e deve ser estimulado. Incluo nesse meio os microempreendedores. As microempresas são forte geradoras de empregos e oportunidades na área de franquias, de serviços, nas startups eletrônicas e digitais. A Baixada Santista tem uma população jovem que está propensa às atividades empreendedoras. Vamos apoiar o comércio, que é vigoroso e gera milhares de empregos. Esse setor precisa ter menos burocracia. Se o Estado não atrapalhar, já dá um bom passo adiante. Se criarmos programas de incentivo e fomento, teremos uma mola propulsora para o setor.

 Considera que, independentemente de quem vencer as eleições presidenciais, o Porto de Santos, que está sob administração federal, precisa ter gestão compartilhada com Estado e prefeituras portuárias ou, então, ter seu controle transferido para Estado e municípios?

 Temos que aumentar a influência do Estado no Porto de Santos, que é o maior da América Latina, (para que) seja mais eficiente, seja muito mais próximo de uma gestão privada do que uma gestão pública, ou partidária. O Porto de Santos tem que ser um exemplo para o Brasil e facilitar as exportações e a vida daqueles que atuam na atividade produtiva e dos envolvidos no Porto. 

 São Paulo é o estado mais rico da federação, mas os indicadores do ensino aferidos na rede pública ainda deixam a desejar. Estruturas precárias e falta de valorização dos professores contribuem para o agravamento da situação. Se eleito, o que senhor pretende fazer diferente no setor educacional?

Primeiro, vamos valorizar os professores. Se nós não valorizarmos os professores, o ensino não melhora, é impossível. O professor é o grande responsável pela qualidade do ensino nas escolas. Depois vêm os gestores das escolas e, na sequência, as escolas em si. O equipamento físico de qualidade, com monitoramento eletrônico, para garantir maior segurança aos professores e alunos e com equipamentos também de alta tecnologia. Em São Paulo, na Capital, fizemos os CEUs (Centros Educacionais Unificados). Todos os 21 CEUs são de alta tecnologia. As crianças não aprendem mais com quadro-negro e giz. Preparamos os professores para o mundo digital e oferecemos às crianças tablets, computadores, impressoras 3D, equipamentos de robótica para que elas possam aprender aquilo que elas querem, com tecnologia. As crianças querem tecnologia. Iremos prestigiar e valorizar os professores da rede estadual de ensino.

 Apesar da melhoria de alguns índices de criminalidade, a sensação de insegurança ainda é muito grande entre os moradores da Baixada Santista. Defasagem de policiais militares e civis, fechamento de delegacias e falta de estrutura e equipamentos são alguns dos problemas locais. Como é possível reverter isso?

 Com atitude. Reconheço esses problemas. Temos que contratar mais policiais civis, abrir os concursos para preparar as delegacias, reabrir delegacias que foram fechadas e colocar o padrão Poupatempo para as delegacias da Polícia Civil. O Poupatempo é um programa do Estado e funciona muitíssimo bem. Nós vamos aqui também implementar o Deic (Departamento de Investigações Criminais), os Deics regionais, e valorizar os Baeps (Batalhões de Ações Especiais de Polícia). Já temos um Baep em Santos, mas ele será fortalecido. Temos cinco no Estado e vamos colocar mais 17. Serão 22 Baeps funcionando em São Paulo. 

Vamos voltar com as bases comunitárias, melhorar as condições salariais dos policiais e integrar as polícias. Investiremos em equipamentos. Não é possível que as facções criminosas tenham armas maiores e mais modernas do que a polícia. A polícia terá as melhores armas do País e armas importadas também para fazer o enfrentamento às facções criminosas e o melhor policiamento nas ruas. A nossa política de segurança será muito dura: polícia na rua e bandidos na cadeia.

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