Apelidos e nomes curiosos voltam a chamar a atenção nas eleições

Estratégia busca fazer candidato se destacar em meio à concorrência, que só aumenta

30/08/2018 - 07:25 - Atualizado em 30/08/2018 - 08:51

Existe um ditado popular que afirma: a única certeza que temos na vida é a morte. Mas seu inventor esqueceu de uma outra: a de que as eleições no Brasil teriam centenas de candidatos com nomes  inusitados. Alguns, referindo-se à sua profissão; outros, a um apelido; e outros, ainda, usando expressões que só perguntando para entender. Todos, porém, querem só uma coisa: se destacar da multidão de postulantes.

Exemplos desse "fenômeno" se espalham pelo Brasil, como Bonitão (RJ), Estrela que Brilha (CE), Homem de Ferro (MG), Galeguinho das Encomendas (PE), Poeta da Transposição (RO) ou Exclusivo (SP). Dá para conferir outros nomes na galeria, logo abaixo, junto com alguns representantes da Baixada Santista, que não ficou para trás na criatividade.

Candidato à Câmara, MC Barriga escolheu nome artístico para disputar eleições (Foto: Arquivo pessoal)

A Tribuna On-line procurou um desses candidatos. Alexandre Alves Tenorio dos Santos busca uma vaga de deputado federal nestas eleições pelo Partido Republicano Progressista (PRP). Mas ele não escolheu se apresentar dessa forma na urna, e sim pelo seu nome artístico: MC Barriga. Afinal, é o MC, e não o Alexandre, que tem mais de 10 mil seguidores nas redes sociais e mais de 20 anos de carreira.

"Facilita a campanha, dessa forma. Se eu não fizesse como MC Barriga, não teria. Ninguém na comunidade ia reconhecer, associar", avalia. Ele diz que vem recebendo convites de vários partidos há anos, mas só o convite do PRP, recebido em maio desse ano, o convenceu.

MC Barriga afirma que, graças ao uso do nome de profissão, vem tendo um grande sucesso no início de campanha, e que não faria sentido se usasse apenas seu nome. "Recebo muitos apoios pela internet, de cidades onde já me apresentei. Na Baixada também, o retorno é muito maior a cada dia". Ele espera ser eleito deputado federal para ajudar a região com verbas, financiando projetos de melhorias.

Cultura de personificação

O caso de Alexandre é um dos cenários onde candidatos optam por usar a estratégia dos apelidos ou nomes curiosos ao invés dos próprios nomes. O outro seria o protesto político. A avaliação é do professor Aristides Brito, da Universidade Santa Cecília (Unisanta).

Ele afirma que esse tipo de estratégia, muitas vezes, visa facilitar a memorização do seu nome junto ao público. "As pessoas votam em números, então, quanto mais ligação fizerem entre um nome fácil ou apelido ao número, melhor na hora de votar", afirma.

Em outros casos, porém, o objetivo é protestar. "Quanto pior o cenário político-eleitoral, mais votos de protesto, então nomes excêntricos e apelidos engraçados acabam sendo utilizados pelo eleitor como uma forma de mostrar que não estão satisfeitos com a situação daquele momento".

O professor observa ainda que, culturalmente, o eleitorado brasileiro não alinha suas escolhas a ideologias, preferindo personificar seus votos. Nesse contexto, portanto, a estratégia faz sentido para quem já tem uma vida pública com o nome ou apelido escolhido (como celebridades ou jogadores de futebol). 

Mas mesmo para candidatos que não têm esse tipo de representação, e mesmo assim escolhem nomes excêntricos, ele avalia que os riscos que se corre são moderados, justamente por eles não terem grupos eleitorais pré-determinados. 

Incógnitas e surpresas

Aristides avalia, contudo, que as redes sociais podem mudar o nível de sucesso dessa estratégia. "Pode ser que um desses candidatos viralize e se torne voto de protesto, mas fica cada vez mais difícil, por conta da formação de opinião dos internautas, que estão cada vez mais orientados".

Para ele, ainda, o alto nível de abstenção esperado para as eleições deste ano pode fazer com os resultados das votações sejam surpreendentes. "Acredito que o resultado pode ser qualquer um, para qualquer direção. Podemos ter um resultado inesperado para qualquer posto, de presidente, governador e principalmente deputados", conclui.

Confira abaixo alguns exemplos de como os candidatos usam das profissões, apelidos e nomes inusitados para disputar as eleições desse ano:

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