Petróleo puxa alta do PIB da Baixada Santista de 2017

Setor já é responsável por um quarto da economia da região

16/04/2018 - 17:48 - Atualizado em 16/04/2018 - 17:57

Refinaria de Cubatão: reajuste pela cotação externa ampliou receita da estatal (Foto: Carlos Nogueira/Arquivo)

No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado de São Paulo cresceu 1,6%, na comparação com 2016, segundo levantamento da Fundação Seade divulgado a A Tribuna. No entanto, a Baixada Santista avançou mais ainda, com alta de 3,5%, ficando atrás apenas de três regiões – Sorocaba (5,6%), Marília (5,9%) e a campeã Registro (6,5%). 

O desempenho da Baixada impressiona porque no ano passado o País saiu da recessão a passos lentos, com expansão de apenas 1% do PIB e 13 milhões de desempregados. 

Questionado sobre o índice regional descolado de uma economia que patina, o gerente de Indicadores Econômicos da Seade, Vagner Bessa, atribui o avanço ao peso da conta petróleo (refino e químicos) na economia da região e também de Registro. 

Entretanto, para entender o impacto do petróleo é preciso retornar aos tempos do Governo Dilma Rousseff, de 2011 a 2016. Na gestão da petista, para reduzir o impacto dos preços externos do petróleo em elevação, a Petrobras deixou de repassar a variação da cotação internacional do barril para o mercado interno. 

Com a ascensão de Michel Temer, que nomeou Pedro Parente, ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso, para presidente da Petrobras, a política mudou. A empresa voltou a repassar a movimentação do preços do barril no exterior para os brasileiros. 

Refino e royalties

Essa mudança, segundo a Seade, já trouxe em 2015 mudança ao valor adicionado (o que se vende menos os insumos comprados) do petróleo, que se tornou positivo. 

O refino e consequentemente os royalties (compensação paga às cidades impactadas pela cadeia de petróleo) passaram a ser melhor remunerados e isso teve impacto da mesma forma no PIB das regiões paulistas com essas atividades.

O estudo da Seade afirma que isso trouxe reflexos para Campinas e São José dos Campos, onde há refino, mas nada comparado ao que se viu na Baixada. Na região, a participação da indústria do petróleo aumentou de 13,9% em 2014 para 23,9% no ano seguinte. 

Porém, para o morador da Baixada fica difícil assimilar que no ano passado a região cresceu forte. Além disso, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apurou que a Refinaria de Cubatão sentiu a crise e reduziu seu volume de refino.

Questionado, o gerente da Seade afirma que os números dessa cadeia não são reflexo de um consumo local. Se referem ao de todo o País, por onde se espalham os clientes da estatal. Bessa lembra ainda que a cadeia do petróleo gera pouco emprego, apesar do volumoso investimento. “Mas agrega valor. Isso é indiscutível”.

“O Polo de Cubatão é muito importante, mas passou por uma crise grande e atrofiou o PIB da Baixada”, afirma ele. “Agora, houve uma recomposição e a indústria é responsável por 25% do PIB regional”.

Bessa lembra ainda que a região de Registro (considerando a área pesquisada pela Seade) possui sua faixa litorânea (desde o final da Baixada até o início do Paraná) de frente para o mar onde há extração de petróleo. “Ainda que receba royalties, não tem uma indústria desse setor lá”.

Na Capital

A Seade apontou ainda que, enquanto a Baixada avançou 3,5% no passado, a Região Metropolitana de São Paulo cresceu apenas 0,6%, influenciada pela retração da construção civil. 

Bessa: Campinas e Sorocaba formam eixo asiático

de eletrônicos e veículos (Foto: Seade/Divulgação

Potências do Interior

A força econômica da Capital e região metropolitana, em especial o ABC, é incontestável, mas o Interior passa por mudanças industriais importantes. Nessa transformação, Campinas se fortaleceu e São José dos Campos e Sorocaba despontaram com muita força. 

Bessa, explica que surgiu um eixo asiático de indústrias eletroeletrônicas e automobilísticas entre Campinas e Sorocaba, gerando grande agregação de valor. 

Já São José de Campos desenvolveu seu polo de aeronáutica, ancorado pela Embraer, que atraiu fornecedores e muita pesquisa. Entretanto, há o suspense da aquisição da antiga estatal pela gigante americana Boeing. A Embraer Defesa, que produz o modelo Tucano, é vista como estratégica pelo governo e deve ficar com uma participação da joint-venture a ser criada para a produção de aeronaves comerciais.

De acordo com o levantamento do PIB da Seade, a Região Metropolitana de São Paulo registrou R$ 1,106 trilhão no ano passado, o equivalente a 54,5% dos R$ 2,072 trilhões de todo o Estado. 

Campinas

Campinas segue como a grande potência do Interior, com R$ 371 bilhões e 17,8% do total. Em seguida aparecem, nesta ordem, São José dos Campos, Sorocaba e Baixada Santista. Neste trio, as duas primeiras movimentaram, respectivamente, R$ 109 bilhões e R$ 100 bilhões. 

Santos e Ribeirão

Santos registrou R$ 67,8 bilhões, com 3,1% do total. Apesar de ficar bem atrás, supera Ribeirão Preto, com R$ 53 bilhões (2,4% do Estado). Registro é a menor das regiões, dentre 16. Ela tem um PIB de R$ 9,9 bilhões, equivalente a 0,4% do Estado. 

Marília

arília é a décima colocada, com PIB de R$ 32,1 bilhões. Mas chamou a atenção por ter crescido 5,9% no ano passado, percentual que só perdeu para os 6,5% de Registro. </CW>

Bessa afirma que a fama da cidade é produzir biscoitos, mas na verdade a região fatura com a produção de açúcar.

De acordo com ele, o cálculo do PIB pela Seade será revisado com a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que ainda terá os dados completos. Por exemplo, o levantamento da fundação não considera o movimento do comércio, porque essas informações ainda não estão disponíveis.

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