Jovens sofrerão impacto na mudança da aposentadoria

Reforma da Previdência obrigará novas gerações a apostar na educação financeira e antecipar contribuição

13/03/2017 - 14:40 - Atualizado em 13/03/2017 - 15:09

A iminente reforma da Previdência, em discussão no Congresso Nacional, está obrigando o brasileiro a rever sua cultura de planejamento para aposentadoria. Regras mais rígidas, idade mínima de 65 anos para dar entrada no benefício previdenciário para homens e mulheres e maior tempo no mercado de trabalho vão desafiar o futuro do trabalhador. E o maior impacto destas mudanças será sentido pelas novas gerações.

Os especialistas em finanças e Direito Previdenciário apontam que uma transformação no planejamento financeiro e previdenciário das famílias brasileiras é necessária para enfrentar as mudanças que vêm pela frente. E quanto mais cedo, melhor.

O advogado especialista em finanças Alessandro Calistro, da Aith Advocacia, revela que o planejamento financeiro começa em casa e deve ser um assunto entre pais e filhos. “A educação financeira deve começar a partir do momento em que a criança desperta para a curiosidade de saber de onde vem o dinheiro, porque precisamos pagar as nossas contas, porque o pai e a mãe precisam trabalhar, porque precisamos pagar pelas coisas que compramos e, ainda, querer entender sobre o dinheiro, qual o valor de cada nota e o que é possível comprar com ela. É neste momento que os pais devem começar a fertilizar o aprendizado sobre o dinheiro e mostrar como ter uma relação saudável e consciente para com o uso deste”.

Tamanha é a importância da educação financeira para as crianças que o Governo Federal estabeleceu, em 2010, a Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef). “A educação financeira para crianças e jovens se tornou uma política de Estado no País. O objetivo é levar o tema para as escolas, introduzindo a educação financeira como um assunto a ser abordado em todas as disciplinas – da matemática à história. Quanto antes as crianças tomarem consciência do valor do dinheiro, de como ganhar e poupar o quanto ganham, muito melhor será para o seu futuro. Essa orientação deve seguir um planejamento de vida nas famílias e ter como objetivo de curto, médio e longo prazo o quanto se deseja guardar”, reforça Calistro.

Sustentabilidade

Para Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), o importante é que os pais planejem um futuro para seus filhos com sustentabilidade. “O pouco que se poupa nos primeiros meses de vida tende a se tornar muito quando o filho completar 18 anos”.

Segundo o especialista, se no momento em que a criança nascer os pais começarem a poupar R$ 100,00 por mês, em um tipo de investimento com rendimentos médios de 0,6% ao mês, com reajuste inflacionário de 10% ao ano, ao chegar aos 18 anos terá garantido para o filho aproximadamente R$ 100 mil. “Um valor como esse possibilitará uma boa faculdade, pós-graduação ou uma viagem ao exterior”, observa Reinaldo Domingos.

João Badari, advogado especialista em Direito Previdenciário e sócio do Aith, Badari e Luchin Advogados, ressalta que as crianças e os jovens de hoje são o futuro da nação e o investimento em educação financeira é a única saída para se formar uma nova geração de pessoas, mais equilibradas e conscientes. “O maior problema dos segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é se preocupar muito tarde com o seu planejamento para aposentadoria, para o período de descanso e inatividade, após anos de trabalho”, revela.

Futuro

O advogado aposta que a educação financeira e previdenciária, mesmo com possíveis mudanças nas regras da Previdência Social, é necessária para a formação de uma futura geração engajada. “O importante é começar a se preocupar com aposentadoria o mais cedo possível, para não enfrentar problemas na velhice. O trabalhador não deve deixar de contribuir com o INSS, mas também precisa diversificar seus investimentos para o futuro. Ele pode ter um plano de previdência privada, uma poupança ou qualquer outro investimento que tragam segurança para desfrutar de uma aposentadoria mais tranquila”, afirma Badari.

O economista Erick Herbert Thau, diretor da Técnica Finance Advisory e sócio da Salix Group Investimentos e Participações e da ByeByePaper, destaca que as pessoas no Brasil ainda têm uma cultura de não se fazer um planejamento financeiro familiar e acabam, na maioria das vezes, gastando mais do que recebem. “Os brasileiros sofrem com as consequências dessa prática, obtendo recursos de empréstimos e pagando altíssimas taxas de juros de cheque especial e de cartão de crédito. Esse problema poderia ser solucionado, em parte, educando financeiramente essas pessoas desde crianças e demonstrando o quão é importante se fazer um planejamento financeiro da família”, ensina.

De acordo com o economista, é muito importante educar a criança desde pequena, demonstrando que os recursos são limitados e necessitam de prioridade. “Desta forma, dar uma mesada à criança e explicar a ela de que forma deve-se gastar este recurso é de “grande valia”, pois dará aos poucos a importância do valor do dinheiro e as prioridades de gastos. É importante a criança entender a limitação da renda da família e suas prioridades”.

Os especialistas definem que uma criança bem educada financeiramente será um adulto planejador, sabendo que é importante poupar e planejar aquisições de bens, sem a necessidade de se recorrer a empréstimos. “Além disso, esse adulto estará mais preparado para se aposentar com recursos suficientes para ser ter uma vida mais saudável”, pontua Thau.

Planejamento

O diretor jurídico da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de São Paulo, Alexandre Damásio, acredita que não há elementos concretos para indicar o melhor momento para planejar. “Existem momentos distintos; primeiro há implemento da percepção de valor e isso só se dá após a introdução do reconhecimento de signos matemáticos. Depois os pais devem trabalhar a percepção de dinheiro e do poder de barganha da moeda. O comércio ajuda na formação desse universo. Relacionar-se na compra, reconhecer o troco, por exemplo, são atividades de formação desse universo e o cofrinho é a primeira apresentação do planejamento econômico”.

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