IPC-S deve fechar mês com alta de 0,70%

Índice é inferior ao de 0,21% apurado em dezembro do ano passado

16/01/2018 - 14:58 - Atualizado em 16/01/2018 - 15:03

Produtos alimentícios devem continuar a sofrer
com o aumento nos valores (Divulgação)

O grupo Alimentação deve continuar acelerando e, juntamente com a classe de despesa de Educação, deixar o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) deste mês mais pressionado, afirma o coordenador do indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV), Paulo Piccheti. A expectativa do economista é que o IPC-S encerre janeiro com alta de 0,70%, bem inferior à de 0,21% apurada em dezembro do ano passado, mas praticamente igual à de 0,69% registrada em janeiro de 2017.

"Mas há diferença de composição na projeção deste mês em relação ao resultado de janeiro do ano passado. Naquela ocasião, o grupo Alimentação fechou em 0,39%, já iniciando a trajetória favorável", relembra Picchetti.

Além do quadro benigno nos preços alimentícios, Picchetti completa que o grupo serviços (2,50%) e os preços administrados (1,17%) estavam mais pressionados do que agora. Na segunda quadrissemana (últimos 30 dias terminados na segunda-feira).

"A taxa de administrados está menos da metade, em 0,50%, e energia deve ajudar, já que as chuvas estão ajudando e a bandeira tende a continuar verde", diz. De acordo com Picchetti, o alívio na conta de luz por causa da bandeira verde que não tem custo extra deve praticamente compensar o impacto dos reajustes e tarifas de transporte público recentemente.

Segundo o economista, embora a estimativa seja de avanço em serviços por causa de Educação, estima que os gastos escolares de 2018 devem ficar aquém dos últimos três anos. Na segunda quadrissemana, o grupo serviços atingiu 0,81% e a expectativa de Picchetti é que a variação em Educação fique na faixa de 8,00%, 9,00%. "Nos últimos três anos, houve aumento em torno de 10%. Agora, deve ficar menor."

O cenário dos preços de alimentos em janeiro de 2017, de fato, destoa do visto neste início do ano. Depois de encerrar com variação positiva de 0,27% em dezembro do ano passado, a classe de despesa de Alimentação acelerou a velocidade de elevação para 0,60% na primeira leitura de janeiro e avançou a 0,93% na segunda medição. "Quase toda a aceleração do IPC-S, de 0,31% na primeira quadrissemana, para 0,47% na segunda é explicada por alimentos e Educação (de 0,47% para 1,04%)", afirma.

Dentre os produtos alimentícios que mais pressionaram o IPC-S da segunda leitura de janeiro estão os in natura, sobretudo hortaliças e legumes, cuja taxa passou de 3,25% para 10,18%, no segmento, destaque para tomate (de 10,19% para 26,69%), batata (de 6,69% para 12,81%) e alface (de 0,40% para 4,53%). "Muito provavelmente devem continuar puxando o IPC-S para cima", estima.

Nas pesquisas mais recentes da FGV, o tomate já está 50% mais caro, enquanto os preços da batata e da alface estão com aumento em torno de 20% e de 10%, respectivamente, adianta Picchetti. "Os alimentos estão começando o ano com alta em razão das chuvas refletindo alguma questão relacionada à oferta", avalia.

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