Investidor conservador deve rever aplicações

Com a poupança rendendo pouco, entenda a sopa de letras das aplicações de baixo risco

13/03/2018 - 17:36 - Atualizado em 13/03/2018 - 17:52

Usina hidrelétrica em construção: governo isenta de imposto as debêntures de infraestrutura (Foto: Divulgação)

A queda da taxa Selic, que está em seu nível histórico mais baixo, a 6,75% ao ano, impõe aos investidores uma reavaliação de suas aplicações, principalmente se forem conservadores. Isso vale também para quem gosta de aplicar na caderneta de poupança, que no ano passado rendia 0,8% ao mês e agora está a apenas 0,4% – a recomendação de quem entende do assunto é decisiva: fuja dela. 

O assessor de investimentos da Fatorial, Jansen da Costa, afirma que os conservadores (veja se você é um deles no quadro abaixo) devem evitar aplicações que cobram Imposto de Renda. Isso porque esses investimentos, devido à queda da Selic, estão rendendo bem menos e esse pouco acaba sendo canibalizado pela tributação. 

A pedido de A Tribuna, Jansen elencou as melhores opções para investidores conservadores por valor a ser aplicado. Como há poupadores com pouco capital e outros com uma quantidade razoável de recursos, o especialista fez as sugestões para três faixas de valores. 

Até R$ 10 mil

De acordo com Jansen, as melhores opções para quem tem até R$ 10 mil para investir é procurar as letras de crédito imobiliário ou agrícola, respectivamente LCIs e LCAs. 

“Basicamente com os produtos como LCIs e LCAs é possível aplicar valores de R$ 5 mil, conseguindo rendimento de 90% a 95% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário)”, diz ele. Essa opção, nesses percentuais, está acessível para quem tem até R$ 10 mil. 

O que é cdi

O CDI mencionado por Jansen é a taxa de juros cobrada nos empréstimos entre os bancos e serve de referência para as aplicações. Sempre tente não só ganhar da inflação como obter no mínimo algo parecido ao CDI. Por exemplo, quando o CDI está a 6,5% ao ano e uma aplicação diz que cobre 100% do CDI, o investimento renderá 6,5%. O índice do CDI, anualizado, é publicado na página Indicadores de A Tribuna no campo 

Juros

 O assessor de investimentos lembra que quem quiser retorno acima de 95% do CDI pode procurar os certificados de recebíveis imobiliários ou agrícolas, respectivamente CRIs e CRAs.

Eles pagam até 100% do CDI para quem tem um patrimônio pequeno para aplicar. “Aliás, isso vale para todos os tamanhos de clientes, até acima desse valor. E quanto mais conservador for o investidor, melhor será aplicar em LCI e LCA”. 

Até 50 mil

Jansen afirma que para quem tem por volta de R$ 50 mil dá para aplicar nos investimentos atrelados ao CDI ou a taxas de inflação (por exemplo, se o IPCA for de 5% ao ano, a correção será essa também). “Se quiser investimentos isentos de Impostos de Renda, os CRIs e CRAs atrelados à inflação são boa opção, assim como debêntures incentivadas”.

As debêntures são títulos de empresas que oferecem juros ao investidor, remunerando-o futuramente.

 

Elas são chamadas de incentivadas porque são isentas de impostos, pois esses recursos serão usados para construir rodovias e hidrelétricas. Jansen diz que é possível encontrar taxas de 6% ao ano mais IPCA no setor de energia elétrica.

 

“A única desvantagem desses produtos são prazos de aplicação (resgate) acima de cinco anos, mas quem pode ter esse horizonte conseguirá aplicar”.

 

Ele propõe ainda LCI e LCA. “Ou, pagando imposto, recomendo letra de câmbio ou CDBs que paguem taxa de 115% do CDI, para no mínimo dois anos (de aplicação). Quando juntar o imposto, ainda terá acima de 100% do CDI”.

Comportados também podem lucrar mais 

Há também aqueles investidores conservadores bem afortunados ou que pouparam comportadamente a vida toda e que hoje têm mais de R$ 100 mil para investir. 

A sugestão do assessor de Investimentos da Fatorial, Jansen da Costa, é também aproveitar as opções citadas na matéria anterior a quem tem menos recursos – até R$ 10 mil ou por volta de R$ 50 mil. 

No caso de quem tem R$ 100 mil ou mais, Jansen afirma que, mesmo ainda sendo conservador, é possível buscar um rendimento um pouco melhor.

 

Segundo o assessor, além dos produtos que ele já sugeriu na matéria anterior, esse conservador com mais de R$ 100 mil poderia destinar uma parcela pequena em investimentos que tenham uma cobertura maior do CDI – saindo dos 95% ou 100% já mencionados para 120% ou 130% do CDI. 

O assessor de investimentos alerta – e isso vale para qualquer investidor conservador – que aquele 1% que conseguia obter antes, hoje não se consegue mais com as aplicações de baixo risco. 

“Não recomendo aumentar o grau de risco de sua carteira de investimentos sem que entenda o que está fazendo”, afirma Jansen. “Muito pelo contrário, eu sugiro investir com pouco risco para não tomar susto em qualquer oportunidade com revés no futuro”. 


Caderneta desagrada

Por exemplo, a caderneta de poupança, quando a taxa Selic estava mais alta, rendia, com a TR, por volta de 0,8% ao mês. Hoje está a metade disso. “Basicamente ninguém conseguirá fazer isso hoje. Poupança não é mais uma opção”.

Está claro que Jansen, assim como os analistas que costumam dar entrevista, é bem crítico à caderneta. 

Entretanto, para muitos investidores a confiança na caderneta é tão grande que fica difícil mudar para aplicações representadas por letras difíceis de serem memorizadas. 

Porém, se você tem medo de deixar a caderneta, tente diversificar, experimentando opções novas até ir se acostumando. Mas não se acomode às sugestões do gerente de seu banco, pois há uma série de opções no mercado, tanto nas corretoras mais tradicionais quanto nos aplicativos – para quem já está familiarizado com internet banking ou fintechs, as startups da área financeira. 

Por último, nunca se esqueça de consultar o rendimento de suas aplicações financeiras. Tente sempre ganhar da inflação, pois ela pode corroer suas economias e você só perceber quando mais precisar delas.

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