Dinheiro virtual Bitcoin está perto de chegar a R$ 1 bi no Brasil

Em meio à ciberataques com chantagens que utilizam a divisa, movimentação da moeda deve triplicar neste ano

18/05/2017 - 15:00 - Atualizado em 18/05/2017 - 15:19

No centro das atenções da onda de ciberataques no mundo todo, o bitcoin, a moeda virtual mais famosa, dará um salto astronômico este ano no País, segundo o portal bitValor. Apesar da crise econômica, a movimentação multiplicará por três e chegará a R$ 1,3 bilhão. 

Porém, o pedido de pagamentos em moedas virtuais pelos criminosos para devolver dados criptografados das empresas roubadas ajudou a levantar dúvidas sobre esse dinheiro revolucionário. Afinal, ele circula livremente, sem regulação dos bancos centrais ou controle de gigantes bancários.

“O grande trunfo do bitcoin é pela liberdade de uso e a não estatização ou controle do governo, como ocorre com o dólar, euro e real”, afirma o CEO (principal executivo) e fundador da PagueComBitcoin e Bitcambio, Thiago Yield. 

Já o fundador e CEO da Blinktrade, Rodrigo Souza, afirma que a exposição da moeda virtual no noticiário despertou o interesse pela rapidez e baixo custo das operações. “A notícia não prejudicou e a demanda(por bitcoins) até cresceu”, diz ele. 

De acordo com Souza, o movimento triplicou em relação a três semanas. “Eles (usuários) viram que o bitcoin funciona”. 

Vantagem

A primeira impressão que se tem do bitcoin é que, por ser uma transação anônima e sem controle, é palco para negociações obscuras. Advogado especializado em Direito Digital do escritório PPP Advogados, Márcio Chaves, explica que não é bem assim. 

Segundo Chaves, o bitcoin é usado tanto por um prestador de serviço que precisa de agilidade e pouco custo como por alguém que quer dificultar a identificação da transação. 

Chaves, entretanto, diz que o bitcoin é transparente. Esse sistema tem código aberto e é possível visualizar em tempo real as operações feitas pelo mundo – de quem emite ou remete a moeda virtual. 

As operações são realmente anônimas, mas, lembra ele, se os valores forem grandes, as polícias internacionais poderão investigar e rastreá-los mesmo que difícil. “Não se pode achar que o bitcoin é obscuro, pois há histórico de transações e aparece a movimentação de uma carteira para outra”. 

Enquanto, os governos tentam entender os ciberataques – onde ocorreu mais um – as transações de bitcoins crescem a passos largos. O movimento estimado pela bitValor para este ano, de R$ 1,3 bilhões, é bem inferior ao de apenas um dia na BM&FBovespa, que ontem operou R$ 8 bilhões. 

Entretanto, o avanço das cifras das moedas virtuais faz brilhar os olhos de empreendedores digitais como Souza e Yield. No Brasil, saltou de R$ 44 milhões em 2014 para R$ 113 milhões em 2015 e R$ 363 milhões no ano passado.

Cotação

O próprio portal da bitValor parece o de uma bolsa. O destaque é o da cotação da moeda virtual. Para comprar um bitcoin ontem às 21 horas em ponto eram necessários R$ 6.662,86. Após o repórter digitar esse número, já tinha subido para 6.664,62. 

Apesar das notícias de ciberataques, a oscilação da cotação do bitcoin é hoje o grande tema sobre a moeda virtual. No final de abril, depois de subir 27% em um só mês, o valor fechou a R$ 4.549,21. De lá até ontem, a elevação foi de 46%.

Souza, que trabalha em Nova Iorque e fundou uma bolsa de bitcoins (a Blinktrade conecta vários corretoras ao redor do mundo, viabilizando a circulação da moeda virtual), descarta uma bolha (quando em algum momento o mercado toma ciência de valores irreais e as cotações derretem).

Conforme ele, a valorização é fruto da demanda de pessoas que precisam de agilidade e baixo custo para movimentar dinheiro. “Seu valor cresce exatamente por ser útil para quem precisa fazer remessas, por exemplo”.

O que é?

O bitcoin foi criado por um programador sob o pseudônimo de Satoshi Nakamoto – ele descobriu que era possível transacionar divisas sem um emissor (um banco, por exemplo). Os bitcoins ficam em uma espécie de carteira nos computadores e, nas operações, circulam criptografados em redes, conferindo segurança ou impedindo que o valor seja duplicado.

A forma mais fácil de obtê-los é comprar de corretoras. Para o dinheiro circular, instale a carteira de bitcoins em seu computador (veja site bitcoin.org/pt_BR) para gerar seu endereço da moeda, sendo que a outra ponta da transação precisará de outro endereço. Cada operação se assemelha ao envio de um e-mail, porém, que ocorrerá só uma vez.

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