Banco Central quer mudar cheque especial

Autoridade monetária e grandes bancos discutem crédito alternativo para resgatar do fundo do poço que está endividado na linha

17/03/2018 - 21:06 - Atualizado em 17/03/2018 - 22:02

Usuários de cartão de crédito e do cheque especial pagaram juros de 179% a 710% ao ano no mês passado, considerando a mais barata e a cara taxas dessas linhas, apesar do País estar neste momento no seu mais baixo nível da Selic, a base da economia, de 6,5% ao ano. Por isso, o Banco Central, que já age para conter o custo do cartão de crédito, agora mira o cheque especial. 

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), pressionda pelo Banco Central, prepara uma proposta para encaminhar à autoridade monetária. Segundo informações, será uma nova linha de crédito dentro do cheque especial para evitar que o correntista permaneça eternamente atolado nesse tipo de crédito. 

O cheque especial se torna uma armadilha porque geralmente está liberado ao correntista para tirá-lo do sufoco por alguns dias até receber o depósito do salário ou a remuneração que o mantém. Entretanto, muitos abusam ou se descontrolam e não conseguem mais cobrir o saldo devedor, que cresce feito bola de neve. 

A ideia dos bancões (os três grandes privados Itaú, Bradesco e Santander e os estatais Banco do Brasil e Caixa) é oferecer um financiamento mais barato a quem avançar além de 15% do limite da conta por mais de 30 dias. O correntista poderá optar ou não pela nova modalidade.

O formato é o semelhante ao lançado para reduzir os juros do cartão de crédito. Quem fica no rotativo – quando se paga o valor mínimo ou, às vezes, nada da fatura – só pode permanecer nessa linha por 30 dias. Nos próximos meses, o banco terá que oferecer produtos mais baratos. 

Taxas assustadoras

Enquanto o novo cheque especial não é lançado, as atuais taxas cobradas pelos bancos, alheios à queda da Selic, são de assustar. Os juros básicos da economia estavam a 14% ao ano em 2016 – agora estão a 6,75%. 

A queda pela metade praticamente não moveu para baixo o custo do crédito, principalmente do cartão e do especial. Os bancos alegam que as taxas são elevadas para sustentar as perdas com a inadimplência. Porém, o Banco Central decidiu que não vai mais tolerar os altos percentuais. Preferiu, entretanto, negociar alternativas com as instituições ao invés de dar uma canetada. 

A urgência desse acordo está no levantamento mensal dos juros das linhas de crédito apurados pelo Banco Central. O último balanço compreende o período de 23 de fevereiro a 1º de março. 

Cartão e cheque especial

Quem se pendurou no cartão de crédito pagou de 179% ao ano no Banco do Brasil, a taxa mais barata entre as grandes instituições, a 710% no Bradesco, a mais cara. Já no cheque especial, a variação foi de 291% (Bradesco) a 395% (Santander). 

O que fazer

A quem está afogado nessas duas linhas, no momento, a melhor alternativa é procurar os bancos e tentar trocá-las por produtos com taxas mais baratas, como consignado (quem é aposentado ou recebe salário) ou mesmo o tradicional crédito pessoal. 

Por exemplo, o aposentado pode trocar as taxas anuais de juros do cartão entre 233% e 710% no Bradesco por 27% ao ano no mesmo banco. Já no Banco do Brasil, que tem o melhor consignado pelo INSS, os percentuais são, respectivamente, de 179% e 247% para 26,2%.

Realizada a troca, resta ao endividado mudar seus hábitos de consumo e fechar a torneira dos gastos para não ampliar o fundo do poço. 

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