Valongo Festival da Imagem realiza atividade no Dique da Vila Gilda

Evento terá segunda edição, entre os dias 4 e 8 de outubro, em Santos, com exposições, oficinas e laboratórios

24/09/2017 - 09:39 - Atualizado em 24/09/2017 - 09:58

Segunda edição do festival acontece no Casarão do Valongo (Foto: Vanessa Rodrigues/A Tribuna)

Em sua segunda edição, o Valongo Festival Internacional da Imagem chega a uma das maiores favelas sob palafitas da América do Sul. De terça a quinta-feira, os moradores do Dique da Vila Gilda, na Zona Noroeste, vão receber o curso Mobgrafia, oferecido por meio de uma parceria entre a MOBgraphia Cultura Visual de São Paulo, a TUmobgrafia, de Santos, e o Estúdio Madalena (realizador do festival) e o Instituto Arte no Dique, também da Cidade.

Essa é a primeira grande atividade social do evento na temporada. O objetivo da oficina, que acontecerá na sede do Arte no Dique, é ensinar os interessados a utilizar o smartphone na produção fotográfica e os conceitos básicos de fotografia.

“É importante o Arte no Dique receber eventos desse porte. As parcerias são sempre bem-vindas. Sempre buscamos fortalecer o potencial turístico e ecológico do Dique da Vila Gilda. E, principalmente, que o festival deixe um legado para a comunidade”, comenta o presidente e idealizador do Arte no Dique, José Virgílio Leal de Figueiredo.

O treinamento proporcionado pelo MOBgraphia e TUmobgrafia inclui ainda a caminhada e imersão pelas passarelas e vielas do dique, além de uma discussão final com avaliação de resultados.

Uma exposição com os trabalhos produzidos no Dique da Vila Gilda será apresentada, possivelmente, durante a segunda edição do Valongo Festival Internacional da Imagem, que acontece entre os dias 4 e 8 de outubro.

“É um trabalho incrível desenvolvido pelo Arte no Dique naquela comunidade. Será um momento muito especial do nosso festival”, garante Iatã Cannabrava, um dos idealizadores do festival, ao lado da santista Thamyres Matarozzi.

Durante a coletiva de imprensa de lançamento da segunda edição do Valongo, Cannabrava já havia sinalizado com a intenção de levar o evento para o Dique da Vila Gilda, que já foi fotografado pelo renomado Araquém Alcântara, na década de 1980.

Workshops

A atividade desenvolvida no Dique da Vila Gilda não será a única com fácil acesso para os moradores da região. Durante o festival, 20 cursos divididos em imersão (um dia), workshops (dois a três dias) e laboratórios (quatro dias) serão ofertados.

São 600 vagas disponíveis, com 50% de desconto para os moradores da Baixada Santista, além da política de acesso já iniciada no ano passado, com a possibilidade de bolsa integral mediante apresentação de uma carta de intenção. Nair Benedicto, Ana Lira, Elza Lima, André Penteado, Cao Guimarães, Jack Latham e Eustáquio Neves estão entre os convidados do evento.

Além dos workshops, uma programação paralela de exposições deve ser anunciada nos próximos dias pelos organizadores do festival. Nela, fotógrafos e artistas da região devem aparecer com força. Para saber mais informações sobre os preços dos workshops, horários das atividades e a programação completa do festival, acesse o site oficial: valongo.com.

Exposições

Abertura do primeiro Valongo Festival, na Cadeia Velha (Foto: Vanessa Rodrigues/A Tribuna)

Enquanto segue com as inscrições abertas para os seus workshops, o Valongo Festival Internacional da Imagem continua ampliando sua programação de exposições. A instalação "Visões de um Poema Sujo", de Márcio Vasconcelos, é a nova atração anunciada.

Premiado em 2014 com o Marc Ferréz de Fotografia, o projeto, idealizado pelo fotógrafo maranhense, nasceu a partir da leitura do "Poema Sujo", de Ferreira Gullar, e virou livro, que também será vendido em breve. Para o festival, será apresentado de forma inédita, concebida especialmente para o espaço.

“Trazer para o Porto de Santos uma exposição criada e cenografada na alma de São Luis é como fazer uma homenagem às cidades amantes”, diz Iatã Cannabrava, diretor do Valongo Festival. 

Montada numa construção do início do século 20 e sem ocupação há pelo menos 50 anos, a instalação faz parte da programação "Territórios + Parcerias" e ficará aberta ao público durante o festival na Rua do Comércio, 103, em frente à Frontaria Azulejada. “Crio sensações visuais como se estivesse no lugar dele. Como seria essa São Luís? Quais os tons, nuances?”, explica Vasconcelos.

Sobre o título do poema, Ferreira Gullar já declarou a origem do que criou, citando o processo de criação para a assessoria do evento. “Eu pego o que tem de escuro, de sujo, as cadeiras velhas, os armários velhos, e coloco uma luz. Vou até embaixo, no fundo, e subo trazendo tudo junto”. 

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