Valongo Festival causa um choque de informação cultural em Santos

A 3ª edição do evento artístico começa nesta sexta-feira (12) e vai até domingo (14)

12/10/2018 - 09:00 - Atualizado em 12/10/2018 - 17:53

Thamyres Matarozzi é diretora geral e idealizadora do Valongo Festival (Foto: Nirley Sena/A Tribuna)

Prepare-se para um choque de informação cultural. A 3ª edição do Valongo Festival Internacional da Imagem oferece, desta sexta (12) a domingo (14), diversas atrações para o público, entre exposições fotográficas, seminários, mesas de debates, oficina, cinema e apresentações artísticas. Este ano, a organização do evento faz um questionamento: por que algo deve ser visto e outras coisas deixadas de fora?

A pergunta dá sentido ao tema desta edição: Não me guarde na retina. "Hoje vivemos regimes de visibilidade e invisibilidade. Não digo isso só no contexto artístico, mas em qualquer contexto, inclusive o social", diz Thamyres Matarozzi, diretora geral e idealizadora do Valongo Festival.

A curadora do evento, Diane Lima, em entrevista a A Tribuna no dia 24 de setembro, também se posicionou sobre o assunto.

"Discutimos a política das imagens e questões em torno de violências simbólicas, visibilidades e invisibilidades, ausências e presenças, que são determinantes para o festival. Mas também pensamos nas imagens como lugar de afirmação e celebração".

Pela primeira vez sob o comando de mulheres, o evento ganha um novo ponto de vista. Thamyres também atribui à juventude a renovação nas apresentações e exposições.

"É um festival em uma perspectiva bem específica, a nossa (da mulher). Falamos de outra forma, somos de outro jeito. Estamos investindo em jovens artistas que, talvez, ainda não tiveram o espaço e a oportunidade de participar dos grandes circuitos de artes", destaca a diretora geral.

A diretora faz questão de ressaltar, porém, que o fato da organização estar sob o comando de mulheres, não quer dizer que a exposição terá um "olhar feminino, mas um olhar das mulheres".

"Não acredito que o olhar da mulher seja feminino especificamente. Acho que é uma visão deturpada do que é feminino e do que é a mulher. Este é um festival feito por mulheres com a força e sensibilidade que tem que ter".

Expansão

Mesmo sem recursos, por ser um projeto independente, Thamyres ressalta a expansão do festival na questão da diversidade de atrações.

"É um evento em que a fotografia deixou de ser protagonista. É claro que ela está presente, mas hoje temos outras instalações e performances. Expandimos, de fato, a linguagem do que é imagem".

>>Confira a programação

Contêineres

Uma das principais atrações para da edição são os cinco contêineres espalhados pelo Valongo. Estas estruturas serão preenchidas com expressões artísticas variadas. A intenção da organização foi levar o festival às ruas e fazer com que a população seja integrada ao movimento.

"Essa é uma iniciativa que fomenta a cultura na região. Ocupar o espaço urbano é incrível, algo que nós buscamos. Mesmo que a pessoa não possa ir à exposição ou demais atividades, ela vai interagir conosco ao passar pelos contêineres", diz Thamyres.

A diretora ressalta que cada espaço tem um artista responsável. Há um mês eles estão hospedados em um hotel, no bairro, para respirar o ambiente e se inspirar para as obras, que agora são apresentadas.

"O circuito de contêineres (começa na Rua Tuiuti, 26) é o trabalho final desses artistas, que são jovens e estão disponíveis para a interação. Eles são do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Espírito Santos", disse.

Thamyres explica que neste ano, como será a primeira experiência da ação, os participantes foram escolhidos, mas o objetivo é nas próximas edições abrir a oportunidade a quem se interessar.

"Isso (contêineres) representa uma mudança muito grande. Com eles, o Valongo Festival deixa de ser um evento de três dias e passa a ser um projeto ao longo do ano". A justificativa da diretora é que desde a colocação das estruturas até a presença dos artistas, tudo isso mexe com a rotina dos moradores da Cidade.

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