'Três Anúncios para um Crime' relata violência sem explicação

Frances McDormand dá um show de atuação no longo dramático, rodado no Sul dos EUA

08/02/2018 - 10:53 - Atualizado em 08/02/2018 - 11:04

Cena do filme, com Frances McDormand, que concorre ao Oscar de Melhor Atriz (Foto: divulgação)

"Três Anúncios para um Crime" foi o primeiro filme dos possíveis indicados ao Oscar a ser apresentado no Brasil (participou da sessão especial para imprensa da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo) e, depois, selecionado para o Globo de Ouro. Venceu nas categorias filme de drama, atriz (Frances McDormand), roteiro e ator coadjuvante (Sam Rockwell). 

A premiação no Globo de Ouro também ficou marcada pelo escândalo de Frances, que apareceu completamente bêbada de tequila, no palco, para desgosto do marido Joel Coen. 

O sucesso nas premiações continuou no SAG Awards, novamente com os prêmios de atriz, elenco e ator coadjuvante. A extensa lista conta ainda com prêmios e indicações no Independent Spirit, San Sebastian, Veneza e Toronto. 

No Oscar, que acontece no dia 4 de março, concorre nas categorias filme, atriz, trilha musical, roteiro, montagem e uma nominação dupla em ator coadjuvante, com Woody Harrelson e Sam Rockwell.

Woody Harrelson também se destaca como ator, no papel de um policial local (Foto: divulgação)

A minha expectativa era muito grande por ser admirador do diretor inglês Martin McDonagh, que nos filmes anteriores realizou trabalhos interessantes, criativos e bem-humorados, como o genial "Na Mira do Chefe" (2008), passado em Bruges, na Bélgica, e "Sete Psicopatas e um Shih Tzu", (2012).

O filme cria um clima muito interessante e dá a Frances um personagem soturno e discreto, que confirma seu inegável talento. Ela já faturou um Oscar por "Fargo", em 1997, teve mais três indicações na Academia, além de seis nominações ao Globo de Ouro. Ganhou Emmy há pouco tempo pela série "Olive Kitteridge", de 2015. 

Ela é tão verdadeira que deixa a gente empolgado, embora o filme se perca da metade para o fim (melhor dizer que fica sem lógica). Na reta final, uma série de situações absurdas, mal desenvolvidas e uma conclusão extremamente frustrante atrapalham o enredo. Não se explica nada como deveria. Ainda que possa fazer dela uma leitura simbólica das cidades do interior americano.

Frances faz a protagonista de idade não determinada Mildred, numa cidadezinha do Sul dos EUA (na verdade foi rodado na montanhosa Sylva, na Carolina do Norte), que há algum tempo perdeu sua filha, que foi estuprada e morta. O crime nunca foi explicado, nem mesmo pela polícia local. Irritada com tudo isso, ela usa um dinheiro que tinha guardado para colocar três outdoors, com frases que destacam o absurdo cometido pela polícia (Woody Harrelson, definitivamente, entrou para o primeiro time de atores, mesmo num papel ingrato). 

Não gosto da interpretação exagerada e até caricata de Sam Rockwell, num personagem ingrato de policial. As indicações a prêmio devem estar relembrando sua longa carreira, que até agora passava em branco.

Enfim, começam as intrigas e perseguições a ela, Mildred, provocando discórdia entre os filhos e outras crises. O problema é que nenhuma delas é convincente. O filme parece mais interrompido do que concluído. Ainda assim, não foi mal de bilheteria nos EUA (orçamento US$ 15 milhões, com bilheteria de, até agora, US$ 24 milhões). Mesmo assim, tem qualidades e um ótimo elenco de apoio.

"Três Anúncios para um Crime" ("Three Billboards Outside Ebbing, Missouri"). EUA, 17. 1h55. Direção e roteiro de Martin McDonagh. Com Frances McDormand, Woody Harrelson, Sam Rockwell, Lucas Hedges, Abbie Cornish, Peter Dinklage, John Hawkes, Caleb Landry James, Zeljko Ivanek, Sandy Martin.

Pré-estreias diárias no Cinemark Praiamar e no Roxy Pátio Iporanga. 

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