Tom Cavalcante apresenta seu novo espetáculo 'Stomdup', em Santos

O cearense estará no Teatro Coliseu, neste sábado, e fala sobre seu trabalho e tipo de humor

20/10/2017 - 12:25 - Atualizado em 20/10/2017 - 12:32

O humorista é reconhecido por satirizar diversos personagens da vida real (Foto: Divulgação)

Se você até agora escapou do alcance dele, agradeça. Pois até mesmo no cotidiano das pessoas simples e normais ele vai buscar ingredientes para suas criações. Gente famosa, porém, não tem tanta sorte. Que o digam artistas (Ana Maria Bela), cantoras (Elba Ramalho, Maria Betônia), políticos (João Glória Jr, Geraldo Chuchuckmin e Michel Tomer)... 

O cearense Tom Cavalcalte, certamente bem mais lembrado por João Canabrava, possui mais de 33 personagens, fruto de sua criatividade, percepção e atenção aos fatos que o rodeiam, bem como à facilidade em imitar gestos e vozes. Boa parte dessa capacidade sensorial e técnica pode ser apreciada, ao vivo, em show de stand up comedy, neste sábado (21), no Teatro Coliseu. Nascido em 1962, na capital Fortaleza, para ele, a pessoa já vem ao mundo com o dom. Com estudo e disciplina, lapida o verdadeiro artista. 

Em 12 de outubro de 1992, Tom foi apresentado ao público brasileiro, com a estreia, na Rede Globo, de João Canabrava, na "Escolinha do Professor Raimundo", liderada pelo maior dos humoristas do Brasil, Chico Anysio. As piadas de Tom também podem ser vistas no Multishow, no qual personagens como Pit Bicha, João Cana Brava e Ribamar entrevistam personalidades. Tem, ainda, imitações de Pedro Bial e Roberto Carlos. Nesta entrevista, ele fala sobre isso e muito mais. 


Fale sobre a apresentação que trará à Cidade.

"Stomdup" é o nome do meu espetáculo. Possui 1h30 de duração e a intenção é prender a atenção do meu público do começo ao fim. A partir daí fazer um show com muitas variedades de temas.

Você tem alguma relação pessoal com Santos ou cidades da Baixada?

Amo essa cidade, pelo fato de ter um público quente e que ama o humor. Outro aspecto particular é que Santos me faz estar pertinho do mar e matar as saudades de Fortaleza. Não são raras as vezes que desço a Serra para comer um caranguejo e camarões fritos. Uma delícia.

Como conseguir fazer humor hoje em dia sem cair na simples e fácil caricatura?

Temos humor no País hoje para todos os gostos. No meu caso, procuro manter as minhas visões sobre o humor e aplicá-las no palco. Um humor como forma de ajudar a ganhar consciência, um humor que provoca, mas dentro da medida certa, sem ser gratuito.

Criar personagens era, talvez, a maior capacidade de Chico Anysio. Você trabalhou com ele. O que aprendeu, o quanto e no que ele o influenciou? O Justo Veríssimo, do Chico, continua contemporâneo?

Chico é único na capacidade de criar tipos que se eternizaram. Com ele aprendi que não adianta querer criar um tipo e achar que ele vai pegar de primeira. A insistência na exibição do tipo é que vai ser definida a médio e longo prazos, e se vai cair no gosto do público. Aprendi também com ele que o improviso é o caminho mais curto para o erro. Aprendi que ser generoso com o próximo reverte em crédito para sua vida.

Como você faz para criar um 'personagem? Com o João Canabrava não teve receio em relação às crianças ou jovens? Hoje em dia, com essa constante vigilância do politicamente correto, há essa preocupação?

Faço humor por humor. Sem agredir, sem polemizar. Pelas 'palhaçadas' do Congresso, creio que o político deixou de ser matéria-prima. Concorda? 

A concorrência ficou desleal. Nós, humoristas, temos que, em breve, entrar com uma representação exigindo a legitimidade das nossas funções (risos).

Humorista pode ou deve se posicionar politicamente como pessoa? Como separar, nas questões do dia a dia, você ser humano do profissional?

Com o advento da internet, que virou um tribunal de acusações e punições, e de polarização da política nacional, dá até medo de emitir uma opinião. No geral, está tudo muito estranho, e a minha defesa, hoje, intransigente, é pelo Partido da Família Brasileira. No meu show não tem partidarismo. Falo de todos.

Serviço – sábado, às 21h, com ingresso de R$ 70,00 a R$ 90,00. Rua Amador Bueno, 237, centro de Santos.

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