"Temos que pensar na valorização dos artistas locais", diz secretário de Cultura

Rafael Leal assumiu a pasta que tinha o Professor Fabião como titular até semana passada

13/02/2018 - 10:37 - Atualizado em 13/02/2018 - 11:00

Secretário acredita que Rosinha será reaberto no próximo semestre (Foto: Carlos Nogueira/AT)


Rafael Leal assumiu a Secretaria de Cultura de Santos (Secult) na última sexta-feira. Ele substituiu o ex-vereador Fábio Alexandre Nunes, o Professor Fabião (PSB), que deixou a pasta para sair candidato a deputado estadual nas eleições deste ano – conforme publicado em A Tribuna, no dia 9. Até semana passada, Leal atuava como secretário de Turismo, e dava os retoques finais na programação de Carnaval das tendas da orla santista, quando foi designado pelo prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) para comandar a pasta de Cultura. Em seu lugar, assume o Turismo o ex-vereador e ex-presidente da Prodesan, Odair Gonzalez (PR).

Santista, 37 anos, Leal é publicitário, com especialização em Marketing e Gestão Pública. Ingressou na Prefeitura em 2013, para chefiar o Departamento de Eventos da Secult. No ano seguinte, exerceu o cargo de secretário-adjunto da mesma pasta. No início de 2017, tornou-se secretário de Turismo e, agora, retorna à Secult. Confira entrevista exclusiva com o novo secretário de Cultura.

Quando começa a atuar como novo secretário de Cultura?
Estou secretário desde a última sexta-feira (9), mas ainda havia algumas questões a serem resolvidas na Setur. A partir de quinta-feira (15) estou voltando para casa na Secult.

O senhor deve continuar com a mesma equipe na secretaria ou pretende fazer mudanças? 
Sim, temos um ótimo quadro de servidores. O time é excelente!

Sabe o orçamento da pasta para 2018? De quanto é?
Nosso orçamento é de R$ 26.773.000,00, mais de 2 milhões a menos do que em 2017. Vamos precisar fazer mais com menos. Esta é a nossa tarefa. Buscar parcerias.

Como pretende realizar a busca de recursos para cumprir com os eventos da Cidade? 
Da mesma forma que fizemos quando eu era secretário-adjunto na Secult e, recentemente, como secretário na Setur. Buscando parcerias com a iniciativa privada, órgãos estaduais e federais, e entidades que desejam apoiar nossas iniciativas. Cumprir a determinação do prefeito que é a de fazer mais com menos.

O que deverá levar da sua experiência como secretário de Turismo para a Secult?
A experiência na Setur foi incrível. Apesar do pouco tempo, conseguimos imprimir um bom ritmo de trabalho, criando novos eventos turísticos, como o Festival Geek, começar a tirar do papel o Plano Diretor de Turismo e trazer as famílias para dentro do Museu Pelé. Mas o maior legado foi, junto com a equipe da Setur, colocar o turismo na agenda econômica do município. 

O que o sr. destacaria do turismo cultural na Cidade?
O potencial da Cidade é imenso. Nosso Centro Histórico é muito rico. Cenário de diversas locações para cinema e comerciais. Temos eventos como o Festival Santos Café, que une cultura, lazer, história e gastronomia. Temos o nosso desfile de Carnaval, que mantém viva uma tradição de décadas. Santos é referência nacional de bons músicos e atores. A Cidade detém diversos espaços culturais, como os teatros Coliseu, Municipal, Guarany e, em breve, o Rosinha Mastrângelo. Precisamos divulgar nossa cidade e nossos talentos.

E a Economia Criativa? Deseja dialogar e atuar com o setor? 
Sem dúvida. A Economia Criativa vem crescendo ano a ano, tornando-se uma das principais geradoras de novos campos de trabalho e renda no País. Desejo aumentar a oferta de locais para que os artistas possam expor seus trabalhos, entre outras iniciativas. A respeito do audiovisual, Santos já está consolidada como polo de produções cinematográficas e publicitárias. Mas, certamente, podemos avançar neste setor. Tenho sorte de ter a Raquel (Pellegrini) como minha adjunta. Uma especialista no assunto.

Poderia destacar algum projeto ou área da cultura que o sr. pretende dar mais atenção em sua gestão?
A cultura é uma área complexa e multifacetada. Temos que sempre pensar em trabalhar com difusão e meios de garantir acesso da população aos bens culturais. Pensando nisso, em primeiro lugar, precisamos ter uma área de formação forte, com cursos e profissionais gabaritados para atendimento da população, principalmente crianças e jovens. Temos que pensar, também, na valorização dos artistas locais, que ao serem atendidos se tornam multiplicadores da arte e da cultura em nossa região. E ainda pensar na parte econômica, de geração de recursos por meio de eventos culturais, que irão atrair empresas e capital privado, dando sustentação na área das artes e entretenimento. São essas ações que unem poder público, artistas, professores e parceiros privados que iremos buscar, além de fazer parcerias com a Seduc. Educação e cultura devem e vão caminhar juntas.

Planeja continuar valorizando a tradição dos eventos culturais ao ar livre? Quais seriam os impeditivos para que isso se realize plenamente?
Os eventos vão continuar com força na Cidade, pois eles geram recursos e abrem portas para centenas de profissionais do meio cultural. Não acredito haver impeditivos. Tudo é uma questão de trabalho, diálogo e comprometimento, com quem trabalha dentro da secretaria e com os nossos parceiros e colaboradores. 

Atualmente, há um debate em torno do Decreto 6889/14, que limita a atividade artística nas vias públicas da Cidade. Acha importante regular a atuação dos artistas de rua?
Tenho acompanhado esta discussão, que vem sendo capitaneada por nossa ouvidoria, que formou um grupo de trabalho com membros do poder público, integrantes do conselho de cultura e artistas em geral. Esta discussão está avançada e já obteve sinais positivos. Agora pretendemos dar continuidade a este trabalho, para que cheguemos à elaboração de um decreto ou mesmo uma espécie de Termo de Ajuste de Conduta (TAC), que dê as diretrizes básicas para a ação dos artistas de rua. Quero ouvir todas as partes envolvidas nesta questão. Temos sensibilidade e vamos fazer o melhor pela Cidade.

O prédio da Cadeia Velha deve retomar sua antiga vocação como centro cultural este ano?
Vamos trabalhar em prol do retorno das atividades de formação, que eram executadas pelas oficinas culturais Pagu. Sabemos que os dois últimos anos foram muito difíceis, com a grave crise financeira que se instalou no País, mas buscaremos alternativas junto ao Governo do Estado, para que possamos retornar com as oficinas da Cadeia Velha, que é uma reivindicação da classe artística da Cidade.

O sr. sabe como estão as obras de reforma do Teatro Rosinha Mastrângelo?
A obra da parte estrutural do teatro já está concluída. Restam a instalação dos sistemas de climatização, sonorização e iluminação. Nossa expectativa é entregar o teatro à população no próximo semestre. 

A Orquestra Sinfônica Municipal de Santos precisa aumentar o quadro de músicos, talvez com a realização de um concurso. Como o sr. vê a atuação da Sinfônica?
Somos sabedores da dificuldade econômica que várias orquestras e demais corpos estáveis públicos vêm enfrentando nestes últimos anos em todo o Brasil. A crise no setor está muito forte. Nossa orquestra é um patrimônio do Município, mas precisamos achar alternativas financeiras, de modo responsável, para que possamos mantê-la com eficiência e excelência em seu trabalho, não só no que diz respeito à qualidade dos concertos, mas também no desenvolvimento e na formação de novos músicos e de novas plateias. Estudaremos as diversas opções, como abertura de concurso público, parceria público privada etc. Sempre dialogando com os agentes culturais da Cidade, músicos, maestros e membros do Concult.

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