Tarrafa Literária anuncia atrações da décima edição

Evento econtece entre os dias 26 e 1 de outubro, em Santos e São Paulo

11/09/2018 - 09:47 - Atualizado em 11/09/2018 - 10:24

Santista Djamila Ribeiro é uma das principais atrações do festival (Foto: Divulgação)

A lista de convidados para o aniversário de dez anos da Tarrafa Literária já está fechada. Com forte presença feminina e autores da região, o evento acontece entre os dias 26 e 1 de outubro, em Santos e São Paulo. Destaque da última Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a santista Djamila Ribeiro é um dos grandes nomes escalados nas mesas oficiais. Além dela, escritores renomados como Milton Hatoum (vencedor do Juca Pato 2018), Sérgio Augusto, Zuza Homem de Mello, Cássia D’Aquino e Eliane Brum também participam.

“A gente já acompanha o trabalho dela (Djamila) há alguns anos e fico muito feliz de ver que um nome de Santos está sendo descoberto e influenciando ideias pelo País. Eu a acompanho desde a época do Jornalismo na UniSantos, onde ela cursou. Para a Tarrafa, é uma grande alegria ter a Djamila na programação. Será uma apresentação muito importante com a Eliane Brum”, exaltou José Luiz Tahan, idealizador e organizador da Tarrafa.

A programação acontecerá quase toda no Theatro Guarany, em Santos, mas a abertura será no Teatro do Sesc, com uma apresentação de Zuza Homem de Mello, jornalista e musicólogo especializado em MPB. No último dia, o festival ainda reserva uma jornada tripla na Livraria da Vila, em São Paulo.

No início da sua trajetória, a Tarrafa Literária foi muitas vezes comparada com o tradicional evento de literatura de Paraty, a Flip. Mas o tempo mostrou que o festival santista tem vida e identidade próprias.

Premiado com o Juca Pato, Milton Hatoum está escalado (Foto: Mastrangelo Reino / Folhapress)

“A gente colhe muitos retornos ao longo do ano, as pessoas reconhecendo o nosso festival, ainda mais dentro do mercado editorial, nas grandes editoras. Todos já reconhecem e se programam para vir ao festival. Apelidar de Flip santista acho simpático, porque foi o primeiro grande evento literário nesses moldes e é extremamente bem-sucedido”, comenta Tahan, que emenda: “Ser filhote de algo tão positivo, é ótimo. Mas nunca quis ou pensei em batizar o festival como uma sigla de Paraty. Santos tem um protagonismo na história do Brasil e sempre pensei em um nome que representasse o que é nosso, uma identidade descolada de outros festivais. Acho que fiz a aposta certa, estamos chegando na décima edição com identidade e histórias próprias”.

Sem tempo para reclamar de crise econômica ou falta de apoio, o livreiro e proprietário da Realejo Livros afirma que a captação de recursos via Lei Rouanet (federal) e ProAc ICMS (estadual) segue num ritmo bom. A Tribuna apurou que a Tarrafa Literária já captou pela lei de incentivo federal R$ 47,5 mil em oito meses. O processo segue aberto até o dia 30 de novembro.

“É um orçamento equivalente aos últimos anos, porque o festival tem o seu número de convidados, mesas, comunicação, divulgação e produção parecidos. Temos um resultado de captação que ficou em torno de 50% do total, mas que vamos trabalhar com um orçamento um tanto reduzido, trabalhando com a realidade. Teremos economia de todos os lados para conseguir entregar um festival forte, não com 100%, mas que possibilita a realização em um ano desafiador como tem sido esse”.

Nos últimos anos, a Tarrafa se destaca também com a sua conexão com Portugal. E essa ligação não é apenas coincidência. Na atual edição, Ana Margarida e Antônio Ladeira são os nomes escalados. Eles vão dividir a mesa Mar de Histórias, Portugal e Brasil, no dia 30, às 17h, no Guarany. 

“Intensificando cada vez mais as relações com Portugal, por conta de afinidade e achar que só temos a ganhar criando e aumentando a relação das nossas culturas, literaturas. É um caminho de vocação, onde o festival acontece. Santos é uma cidade de imigrantes de todo o mundo e a relação com Portugal é muito forte”.

E Tahan não pensa apenas em uma via de mão única. Sua intenção é levar a Tarrafa Literária para Portugal também, algo que ele já havia declarado em outra entrevista para A Tribuna.

“Estamos trabalhando nesse projeto, avancei em alguns pontos, estamos estruturando essa nossa ida para realizar o festival em terras lusitanas. Ainda não tenho notícias mais concretas, mas as reuniões e alianças já estão acontecendo”.

Cássia D’Aquino divide a mesa Relações com o Mundo, com Christian Dunker (Foto: Divulgação)

Mesmo com os planos ambiciosos, o livreiro acredita que a cada ano a Tarrafa promove um aprendizado na organização. “Estou muito contente por chegarmos à décima edição, é um aprendizado constante, nos dá experiência, comparativos, ambições e evoluções. E o trabalho nunca está terminado. A Tarrafa está consolidada, mas temos a sensação que estamos sempre aprendendo. É como se estivéssemos começando novamente tudo, colocando ela no circuito dos grandes eventos literários do Brasil”, comemora o livreiro.

Programação
:

Dia 26, quarta-feira

Abertura: Zuza Homem de Mello
Sesc Santos

Dia 27, quinta-feira

17h, mesa 1: Sobre Lugares do Romance
Manoel Herzog e Diógenes Moura (mediação: Ademir Demarchi)
Teatro Guarany

19h, mesa 2: O Brasil não é para principiantes
Lilia Schwarcz e Elias Thome Saliba (medicação: Alessandro Atanes)
Teatro Guarany

Dia 28, sexta-feira

17h, mesa 3: Baseado em fatos ficcionais
Tiago Ferro e Julian Fuks (mediação: Christian Godoi)
Teatro Guarany

19h, mesa 4: As mil e uma noites da espera
Milton Hatoum e Mamede Jarouche (mediação: Jorge Oliveira)
Teatro Guarany

Dia 29, sábado

14h, Tarrafinha
Livros: Gonçalo Tavares
Narração Camila Genaro
Teatro Guarany

15h, mesa 5: Relações com o mundo: ética, finanças e família
Cássia D’Aquino e Christian Dunker (mediação: Gisela Monteiro)
Teatro Guarany

17h, mesa 6: Somos o que lemos, vemos e ouvimos
Sérgio Augusto e Paulo Pires (mediação: João Gabriel de Lima)
Teatro Guarany

19h, mesa 7: O lugar de fala, o lugar da escrita
Eliane Brum e Djamila Ribeiro (mediação: Simone Batista)
Teatro Guarany

Dia 30, domingo

15h, mesa 8: Tudo pode ser escrito, Suécia e Brasil
Katarina Bivald e Giovana Madalosso (mediação: Mathew Shirts)
Teatro Guarany

17h, mesa 9: Mar de histórias, Portugal e Brasil
Ana Margarida e António Ladeira (mediação: Gustavo Klein)
Teatro Guarany

19h, mesa 10: A minha vida dá um livro de crônicas
Juliana Araripe e Mentor Neto (mediação: Camila Raffanti)
Teatro Guarany

Dia 1, segunda-feira

15h, Tarrafinha
Livros: Gonçalo Tavares
Narração: Camila Genaro
Livraria da Vila (Fradique Coutinho, SP)

16h, mesa 1, pós-tarrafa
Katarina Bivald e Djamila Ribeiro (mediação: Mathew Shirts)
Livraria da Vila (Fradique Coutinho, SP)

17h, mesa 2, pós-tarrafa
Ana Margarida e António Ladeira (mediação: Bruno Assami)
Livraria da Vila (Fradique Coutinho, SP)

Veja Mais