'Star Wars: Os Últimos Jedi' é o melhor filme da saga

Filme consagra o diretor Rian Johnson (de "Os Vigaristas") e traz última aparição de Carrie Fisher

14/12/2017 - 10:27 - Atualizado em 14/12/2017 - 14:16

A atriz inglesa Daisy Ridley como a heroína Rey, que vai atrás do último jedi (Foto: Divulgação)

Não há dúvida: "Star Wars – Os Últimos Jedi" é o melhor filme de toda a série "Star Wars". Não apenas o mais longo (mas não parece), mas o que consagra o trabalho de um diretor não tão conhecido que é Rian Johnson. Ele está tão prestigiado que já foi escolhido para fazer a próxima trilogia. O engraçado é que ele não tem uma carreira famosa que o valorize. 

Realizou "Os Vigaristas" ("The Brothers Bloom", 2008). com Rachel Weisz, Mark Ruffalo, Adrien Brody, uma aventura com humor bizarro e pós-moderno. Inspirado em "Golpe de Mestre" e "Dirty Rotten Scoundrels" /"Os Picaretas" e com várias referências ao grupo musical The Band, o roteiro teria se inspirado em Ulisses, de James Joyce que, por sua vez, é sugerido pela "Odisseia de Homero". Na época escrevi: revelando um diretor de talento, o filme, porém, não chega a ser bem- sucedido. Talvez porque seja 'too much', demais para pouco resultado.

Fez também o "Looper: Assassinos do Futuro" (2012), uma ficção científica 'cult' que conta uma história complicada de viagem no tempo. Em 2074, a viagem no tempo já é possível, mas proibida, os únicos que usam esse recurso são os gângsteres, a Máfia (Mob) que para fazer um serviço mais limpo manda as vítimas de olhos vendados para o passado, onde são imediatamente eliminadas por funcionários, os chamados Loopers e seu corpo jogado em fornalhas. Até o dia em que descobrem que um dos corpos mandados era de um deles, vindo do futuro. Looper puxa pela cabeça, com ideias interessantes e o final de impacto. Falta a "Ponta de um Crime" ("Bricker", 2005), seu primeiro longa novamente com Levitt que me escapou. 

John Boyega (esquerda) é Finn, um dos personagens principais do filme (Foto: divulgação)

Mas por que esse meu entusiasmo? Em parte porque Rian se revela um excelente roteirista, conseguindo ser fiel a todas as figuras da Saga anterior, só que tudo agora tem maior densidade, é mais profundo, mais bem desenvolvido. Fiquei entusiasmado com a trilha musical eloquente do grande mestre de toda a série, John Williams, na direção dos atores, que me pareceram todos mais soltos e intensos.

Rian deu para o Finn (Boyega) um entusiasmo cego que funciona muito bem, Poe (Isaac) é outro ativo e heroico, ainda que tenha feito algumas concessões: a mais esquisita é colocar uma oriental como parceira de Boyega, certamente na expectativa de assim atingir maior público na China (pena ela não ter maior brilho e melhor aparência); o DJ de Benicio Del Toro parece contaminado por uma das caricaturas de Johnny Depp e é certamente a pior coisa do filme. E para a sempre admirada Laura Dern (como Almirante Holdo), arranjaram um vestido constrangedor.

Os mais atentos irão reconhecer a neta de Debbie Reynolds e filha de Carrie Fisher (Leia), Billie Lourd, correndo de um lado para outro sem ter muito o que fazer. E para não perder o 'merchandising' infantil, há pelo menos dois tipos de animais que irão estourar nas lojas: as raposas faiscantes (ou coisa que o valha) e, principalmente, o bichinho de olhos enormes e tristes.

Há três grandes figuras no filme, que conseguem segurar a trama. A primeira é a encantadora inglesa Daisy Ridley (também no "Assassinato no Expresso Oriente"), que acaba sendo a protagonista quando vai procurar o último Jedi, que é naturalmente Luke Skywalker, que vive naquela ilha do filme anterior, só que agora muito mais desenvolvida.

É a grande chance de Mark Hamill, que passou esses anos todos à espera desses grandes momentos de dúvida e conflitos (há ao menos com ele uma aparição interessante e saudosa que não vou revelar).

Vilão surpreende

Para mim, a grande interpretação do filme é justamente de um ator nascido para vilão, nada bonito mas muito competente e – quem diria – parece sincero , que vem a ser Adam Driver (como Kylo Ren). Perto dele só brilha igual o supervilão da história, que é o notável Andy Serkis, que já esteve incrível no recente "Planeta dos Macacos: A Guerra" (como Caesar). Uma criação impressionante que algumas organizações já reconheceram como digna de prêmio. Mas não ainda a Academia.

Adam Driver se destaca na interpretação do vilão Kylo Ren (Foto: divulgação)


Naturalmente, todos nós ficamos tocados com a trágica morte de Carrie Fisher e apreciamos a delicadeza e discrição com que suas intervenções são apresentadas, como se estivesse mesmo cansada, doente. Confesso que eu me emocionei muito, até chorei (como se o diretor já pressentisse o desenlace).

Para aqueles que não gostam de 'spoilers', não entro mais em detalhes. Registro só a admiração pelos criadores, que conseguiram realizar um feito extraordinário.

"Star Wars: Os últimos Jedi" ("Star Wars: The Last Jedi") 2h32 min. EUA, 17.
Direção de Rian Johnson. Roteiro de Rian e George Lucas. Com Daisy Ridley, Mark Hamill, Adam Driver, Carrie Fisher e sua filha Billie Lourd (como Tenente Connix), Andy Serkis (como o super vilão, Snoke), Laura Dern, Oscar Isaac, Benicio Del Toro, John Boyega, Lupita Nuong´o (como Maz Kanata), Peter Mayhew,Warwick Davis, Anthony Daniels, Jimmy Vee. Domhnall Gleeson (como General Hux). Disney.


Cinemark Praiamar, Roxy Cubatão, Roxy Pátio Iporanga, Roxy Gonzaga, Roxy Brisamar e Cinesystem PG


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