Rock'n'Roll, liberdade e cerveja com Velhas Virgens

Grupo traz o show acústico Workchopp a Santos, no sábado (23)

22/06/2018 - 09:24 - Atualizado em 23/06/2018 - 10:57

Não deve ser fácil envelhecer fazendo rock’n’roll. O tempo, a estrada e as noitadas cobram seu preço. As letras também caducam. Com os cabelos brancos nas têmporas, o roqueiro chega naquele dilema cantado por Belchior, em Os Profissionais: “Muito jovem pra morrer. E velho pro rock’n’ roll!”.

Paulo de Carvalho, o Paulão, vocalista e um dos fundadores da banda Velhas Virgens (VV), sentiu na pele esse dilema. Pensou em deixar o grupo e até declarou publicamente essa vontade, quando estava prestes a completar 30 anos de estrada com a VV.

Em 7 de janeiro de 2016, a revista Carta Capital chegou a publicar, na matéria intitulada Roqueiro de Pijama: “Paulão vai então dar um tempo, pensar na vida. ‘Temos um discurso muito adolescente, não sei se quero continuar a fazer isso. Preciso de um tempo artístico para pensar se o que faço não ficou bobo, se não virei cover de mim mesmo’”.

Em entrevista para A Tribuna, Paulão elencou alguns motivos do seu desencanto: “Parte do cachê é a diversão, e eu não estava me divertindo. As coisas começaram a ficar ruins em 2014, quando a crise no Brasil e o c... derrubaram o número de shows. As coisas não estavam andando. Eu não me dava bem com o cara que vendia nossos shows e queria dar mais atenção para a minha filha (hoje com 7 anos) e minha mulher”.

Para Paulão (cabelos brancos), o VV é o último dos moicanos do rock independente sacana (Foto: Divulgação)

Show em Santos

Mas como o rock é um bicho que morde e não larga, o vocalista não abandonou a VV e decidiu investir num novo formato de apresentações, mais divertido e menos cansativo.

Assim, as Velhas voltam a Santos, no sábado (23), às 22 horas, com o show acústico Workchopp (numa brincadeira com a palavra inglesa workshop), numa formação enxuta (que funciona paralelamente à formação maior, com seis integrantes). Com Paulão nos vocais, Tuca Paiva (baixo) e Alexandre Carvalho (guitarra), eles sobem ao palco do Valongo Boteco (Rua São Bento, 43, Centro) às 22 horas, com ingressos que vão de R$ 30,00 a R$ 50,00.

“Com o show menor, conseguimos tocar em palcos menores e numa gama maior de lugares. Isso nos aproximou mais do público. Contamos histórias das músicas e da banda e fazemos versões acústicas bem despojadas das nossas composições”, explica o músico.

Formado em Jornalismo pela FAAP, em São Paulo, Paulão também trabalha como redator do programa dominical ao vivo Domingo Legal, no SBT. “Geralmente, eu toco no sábado e venho trabalhar virado no domingo. O Celso Portiolli (apresentador da atração) tem que aguentar meu bafo de cerveja”, diverte-se o roqueiro. 

Sexo e cerveja

Considerada a maior banda independente do Brasil e com mais tempo em atividade, a VV mantém, desde 1986, seu discurso de rock’n’roll, liberdade e cerveja. E vai além do discurso, pois assina sua própria cerveja artesanal, desde 2011, e possui um bar: o VelhasVirgens Rockin Beer, que funciona de quarta a domingo, na Capital.

Paulão tinha 21 anos e estava se formando na faculdade quando montou a banda, influenciado por grupos como Camisa de Vênus e Ultraje a Rigor. “Eu queria uma banda de rock indigesta”, lembra. Daí as letras repletas de sacanagem, como numa música que faz referência ao órgão sexual feminino, em que Paulão canta: “Elas falam demais/ Mas têm o que a gente quer/ E elas torram a nossa grana/ Mas têm o que a gente quer/ E elas sabem ser chatas quando querem porque elas têm/ o que a gente quer”.

O vocalista conta que a VV já sofreu censura: “Houve uma rádio em que o locutor não pôde dizer o nome inteiro da banda”, lembra ele, que defende que qualquer palavra e assunto podem ser abordados por meio da arte. “Mas é preciso ter classe para falar. Nelson Rodrigues falava de sacanagem, mas com uma competência para isso! Raul Seixas dizia que era preciso cultura para abalar a estrutura”, cita. 

Não há como não perguntar a opinião de Paulão sobre o episódio envolvendo um grupo de torcedores brasileiros que ofendeu uma russa, em vídeo que viralizou nas redes. “Aqueles caras foram uns idiotas. Colocaram na internet. As mães e as esposas deles viram. Publicar numa rede social é como botar no seu canal de televisão”, critica o vocalista, que promete um single da VV para breve. 

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