Publicações interativas fazem sucesso entre adultos

Em Santos, não param de chegar novos volumes as livrarias

26/05/2015 - 13:06 - Atualizado em 26/05/2015 - 13:27

Colunas de lançamentos para colorir tomam conta de uma seção especialmente dedicada ao tema na livraria Martins Fontes, no Gonzaga


Livros para colorir, recortar, escrever, rasgar, molhar e até destruir. Não estamos falando de literatura para crianças, mas de obras interativas para adultos, a nova onda que atingiu em cheio o mercado livreiro do Brasil. E são tantos títulos que as grandes livrarias mantêm uma seção só para esse gênero.

Em Santos, a moda também pegou. Livreiro há 55 anos, Waldemar Martins Fontes não tinha visto ainda uma tendência como essa. “Todos os dias chegam à livraria (Martins Fontes, no Gonzaga) novos títulos, a maioria, de livros para colorir”, diz ele, que também viu aumentar a procura por lápis de cor e canetinhas na papelaria mantida na loja. 

“Nos últimos dois meses, saíram tantos lápis de cor que chegou até a faltar mercadoria do nosso principal fornecedor”, comenta ele, que entre os lançamentos mais procurados, cita Jardim Secreto e Floresta Encantada, de Johanna Basford, ilustradora britânica que criou uma série de livros para colorir para adultos. 

Ilustrações elaboradas preenchem as páginas

Para o livreiro, os leitores adquirem esses livros com a finalidade de desestressar. Pessoas de todas as idades, como Lúcia Carla Areco Gomes Moura tem 50 anos, formada em Direito e mãe de um casal de jovens.

Ela conheceu os livros para colorir numa reportagem na tevê. “Depois, minhas amigas começaram a postar fotos nas redes sociais. Um dia, eu comentei a foto de uma delas, dizendo que queria um também, e ela me enviou de presente, pois era meu aniversário”, conta Lúcia, que também ganhou do marido um estojo de lápis com 36 cores aquareláveis, trazida da Alemanha. 

“Comecei a colorir e isso vicia, pois nos proporciona um foco e com isso consigo me desligar, relaxo. Adoro fazer misturas de cores, nuances diferentes. Tenho somente um livro, Jardim Secreto, mas vou comprar o Floresta Encantada”.

Em família

A jornalista Manuella Tavares, de 25 anos, comprou o primeiro livro, Floresta Encantada, há cerca de dois meses. “Eu costumo pintar à noite, depois do trabalho e da academia. Criei esse hábito para relaxar, desligar um pouco a cabeça, tentar não pensar em nada por uma hora, pelo menos”.

E ela desenvolveu algo mais além da capacidade de se desligar do mundo: “Eu, que não tinha coordenação motora alguma, nem habilidade, acabei aprendendo um pouco e me aprimoro a cada dia. Como também sou muito ansiosa, começar e terminar um desenho é um exercício de paciência”.

Outro detalhe importante é que Manuella reveza a pintura como a mãe. “Às vezes, pintamos juntas e isso vira um momento em família”, diz.

A escritora Mariana Bortolucci, de Araraquara, interior de São Paulo, também dividiu com a mãe esse prazer, e foi por acaso. “Vi toda a movimentação em torno desses livros, mas não cheguei a correr atrás. Num certo dia, fui a uma papelaria com a minha mãe e a atendente comentou que os livros de colorir acabavam em questão de horas e me mostrou um. Como o preço era bastante acessível, compramos. Acabamos depois passando horas colorindo”, lembra. 

Ela conta ter adquirido Mandalas Fantásticas, de Jenean Morrison. “Minha mãe tem o Mãe, Te Amo Com Todas as Cores, da Christina Rose e, juntas, temos o Flores Encantadas, também da Jenean Morrison”. Entre as sensações que experimenta quanto está colorindo, Daniela cita se sentir num outro mundo: “Fico tão concentrada nas cores a escolher que esqueço de tudo por algum momento”.

Mas há quem mergulhou na onda e logo saltou fora. “Eu comprei Mandalas de Colorir (Marinice Valletta), Jardim Secreto e Floresta Encantada, mas só pintei uma página porque realmente vi que ficava mais estressada do que relaxada. Sou bem impaciente e comprei para ver se me acalmava um pouco. Na verdade, os livros estão guardados no armário e não ligo pra eles”, revela a analista de comunicação Daniela Borges, 33, de São Paulo.

Autores brasileiros

Os livros interativos são um suporte que vem sendo explorado, sobretudo, por designers e artistas plásticos. Afinal, quase não há texto, e quando existe, são dicas, ordens ou sugestões do tipo “Esfregue terra aqui” ou “escreva uma palavra várias vezes”, no cabeçalho ou no rodapé da página em branco.

Apaixonada por moda, a designer e ilustradora Maria Alice Ximenes, de Campinas, vai lançar o seu primeiro livro interativo, o Entre Amigas – Livro de Moda para Colorir (Editora Estação das Letras e Cores, 84 páginas, R$ 35,00), neste sábado, às 16 horas, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, em São Paulo.

Concebida e ilustrada pela autora, a obra retrata hábitos de quatro jovens mulheres, que têm maneiras diferentes de se vestir e se relacionar com a moda. E o leitor participa da construção da história, colorindo estampas e padronagens para as roupas das personagens.

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