Poeta Ferreira Gullar morre aos 86 anos, no Rio de Janeiro

Ele estava internado desde sábado, por complicações pulmonares

04/12/2016 - 11:48 - Atualizado em 04/12/2016 - 14:25

Foi em meio às notícias sobre as despedidas às vítimas da tragédia de avião na Colômbia e as manifestações de rua contra a corrupção em todo o País que foi anunciada a morte do poeta Ferreira Gullar, neste domingo (4), aos 86 anos de idade.

Também ensaísta, dramaturgo, tradutor e colunista, o intelectual maranhense estava internado desde sábado, no hospital Copa D’Or, na Zona Sul do Rio de Janeiro, por complicações pulmonares. Porém, as causas da morte ainda não foram reveladas.

Ativo até o último dia, ainda ontem foi publicada sua coluna semanal no jornal Folha de S. Paulo. Intitulada "Solidariedade", o texto traz um pedido de paz e entendimento entre esquerda e direita: “Só avançaremos nessa direção se pusermos de lado os preconceitos esquerdistas e direitistas, que fomentam o ódio entre as pessoas”.

Ganhador, em 2010, do Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, e indicado Prêmio Nobel de Literatura, em 2002, por professores dos Estados Unidos, Brasil e Portugal, Gullar esteve envolvido em diversos movimentos artísticos.

Entre eles, os movimentos nas quais o autor tomou parte, está o neoconcretismo, do qual foi um dos fundadores ao lado dos artistas plásticos Lígia Clark e Hélio Oiticica. Diferentemente do concretismo, o movimento valorizava a subjetividade e maleabilidade das formas nas artes visuais e na poesia. 

Era conhecedor profundo da história da arte e dos movimentos que revolucionaram a estética e o pensamento no Ocidente, e refletia sobre artes e política com a mesma paixão e liberdade de opinião. 

Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), em 2007, seu livro "Resmungos" ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção do ano. A obra, editada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, reúne crônicas de Gullar publicadas no jornal Folha de S. Paulo ao longo de 2005.

Nascido em São Luís, José Ribanmar Ferreira (nome de batismo) iniciou carreira artística como pintor. Ao partir para a poesia, continuou envolvido com  artes plásticas por meio de  ensaios críticos.

No dia 7 de novembro, o poeta foi condecorado pela medalha da Ordem do Mérico Cultural. 

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