Poeta e jornalista, Rosinha Mastrângelo ganha primeira biografia

Autora é a historiadora Karime Moussali Antigo, que pesquisou em fontes orais e hemerotecas

05/09/2018 - 11:31 - Atualizado em 05/09/2018 - 11:52

Karime é formada em História, pela UniSantos, e faz mestrado na USP (Rogério Soares AT)

Na noite do dia 2, dia de encerramento do Festa 60 - Festival Santista de Teatro, o público que aguardava o início de mais um espetáculo no foyer do Teatro Municipal Braz Cubas foi surpreendido pelo anúncio de um livro prestes a ser lançado em Santos. Trata-se da biografia de Rosinha Mastrângelo (1911-1996). Já ouviu falar neste nome?

Não fique constrangido se não souber de quem se trata. Afinal, faz parte da cultura do nosso País o 'apagamento' da memória coletiva. Porém, graças à atuação de pesquisadores interessados em preencher as lacunas do tempo, o nome e a obra desta importante jornalista, radialista, cronista, poeta, crítica teatral e teatróloga santista está sendo retomada. 

A iniciativa é da historiadora Karime Moussali Antigo, de 23 anos, que trabalha na Fundação Arquivo e Memória de Santos (FAMS). Ela é autora do livro "Rosinha Mastrângelo – Nas Pistas de uma Construtora de Sonhos", cujo projeto foi contemplado pelo 6º Facult – Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes no Município de Santos.

Com edição independente, a publicação tem 96 páginas e é ilustrada com imagens da FAMS e reproduções. Ainda não tem previsão de lançamento, mas deve sair em breve.

É bom destacar que no mesmo prédio onde fica o Teatro Municipal Braz Cubas e foi anunciado o livro, também funciona, desde a década de 1990, o teatro de arena Rosinha Mastrângelo, que está fechado há mais de dez anos e passa por reformas. “A fase, agora, é de preparar licitações, som, luz, refrigeração, basicamente isso. A parte civil, hidráulica, elétrica, assim com o sistema de drenagem estão prontos”, avisou Alcides Mesquita, coordenador de teatros de Santos. 

Em entrevista para A Tribuna, Karime contou que estudou teatro por cinco anos e estava curiosa por descobrir quem foi Rosinha. “Eu sempre fui apaixonada por teatro. Quando passava pelo Municipal e lia o nome dela lá, surgia a dúvida sobre quem foi essa mulher que deu seu nome ao teatro de arena de Santos”.

A vontade de escrever sobre Rosinha veio em função do ineditismo do tema. “Não havia nenhuma pesquisa ou trabalho acadêmico sobre ela. Decidi que a memória dela deveria ser resgatada, pois ela foi uma das personalidades mais importantes do meio cultural santista e que ninguém se lembra mais”, explica Karime, que se formou em História pela Universidade Católica de Santos (UniSantos) e, atualmente, faz mestrado em Filosofia, Cultura e História da Educação.

“Inicialmente, minha pesquisa sobre a Rosinha virou trabalho de conclusão de curso (em História), que teve nota máxima pela UniSantos. Graças a esse trabalho, ingressei no mestrado na USP, porque a pesquisa sobre a Rosinha me abriu uma visão sobre as várias lacunas acerca da história de Santos, que carece de estudos mais aprofundados”. 

O maior desafio encontrado por Karime para realizar a pesquisa foi a falta de um acervo sobre a biografada. Por isso, ela iniciou sua pesquisa pela história oral, após descobrir que o marido de uma integrante da Academia Feminina de Letras de Santos, José Ramos, ter conhecido Rosinha de perto. “Ele era sonoplasta de uma rádio e super conhecido na época. Ele tinha uma entrevista de Rosinha em áudio”, revela a autora, que reproduziu o conteúdo na íntegra, no livro. 

Entre as descobertas sobre a biografada que surpreenderam Karime estão o fato dela ser homossexual e utilizar o codinome Pierrot Azul para assinar suas crônicas carnavalescas. “Outras surpresas foram a quantidade de prêmios que ela ganhou (108) e de radionovelas que escreveu (mais de 500)”, conta a pesquisadora, para quem a maior contribuição de Rosinha para Santos foi a luta, na imprensa e fora dela, pela construção do Teatro Municipal de Santos. 

Leia trecho:

“Outro fator que mostra a paixão de Rosinha pelas artes foi a forma como lutou para a construção do Teatro Municipal de Santos, utilizando todos os meios possíveis, inclusive os jornais por onde passava. Ela foi a grande incentivadora da construção deste teatro. Foi ela quem idealizou, organizou e incentivou inúmeras campanhas junto ao público e às autoridades e, por isso, muitos atribuem a ela este feito, de tanto que pressionou e incomodou até que a construção ocorresse. 

Por sua incansável luta por este objetivo, foi homenageada na inauguração de Centro de Cultura Patrícia Galvão, onde, por deferência do prefeito Antônio Manoel de Carvalho, Rosinha descerrou a placa de inauguração. Em entrevista concedida para a coluna “A Pessoa”, do Jornal Cidade de Santos, Rosinha afirmou que ‘esta minha luta e de muitos companheiros de imprensa está compensada, pois o Teatro Municipal está aí, já em fase de acabamento e logo poderemos desfrutar dos espetáculos desejados’”. 

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