Poder Judiciário no Brasil vira tema de documentário

Oitavo longa dirigido por Vicentini Gomez terá exibição, quinta e sexta, na Unimes

13/09/2018 - 10:28 - Atualizado em 13/09/2018 - 14:11

Vicentini Gomez com o cartaz do filme (Luigi Buongiovanni AT)

A paixão por cultura e história levou o ator e diretor paulista Vicentini Gomez a mergulhar num tema pouco visitado pelo cinema: o Poder Judiciário no Brasil. Após cinco anos de produção, está pronto seu oitavo longa, o documentário "Justiça! Uma História". 

Gomez é rosto conhecido das telenovelas. Atuou em mais de 20, vivendo personagens marcantes como Serjão, o sequestrador atrapalhado de "Avenida Brasil"; o delegado Cavalcante, em "Joia Rara" (ambas na Globo); e o italiano Giuseppe Cavichioli, na novela "Cúmplices de um Resgate" (no SBT).

Ele explica que "Justiça! Uma História", é um docudrama, pois tem cenas dramatizadas de crimes e condenações, e conta todo o desenvolvimento do sistema judiciário brasileiro, do século 16 ao 21, com base em documentos, livros, pesquisas acadêmicas e entrevistas. 

O roteiro parte dos tempos dos primeiros oficiais de Justiça, surgidos no início da colonização portuguesa, após a chegada da expedição de Martim Afonso, em 1530, e do primeiro Ouvidor-Geral; passa pela vigência das Ordenações Filipinas, que regeram a maior parte da vida colonial e sobreviveram no regime monárquico; e revê as conquistas e os revezes do período republicano,

Ives Gandra Martins é um dos depoentes 
(Hugo Caserta/Divulgação)

"Justiça!" em avant-première no dia 8 de dezembro, Dia da Justiça, no Cine Olido, em São Paulo. Mas, antes, percorrerá um circuito de universidades e faculdades de Direito, a começar por Santos, onde será exibido em primeira mão, nesta quinta-feira (13), às 20 horas, e sexta (14), às 10, 16 e 20 horas, no auditório da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), Campus Rosinha Viegas. 

As sessões serão sucedidas de debates com o diretor e o coordenador do curso de Direito da Unimes, Ramon Mateo Jr., entre outros. A entrada custa R$ 20,00 (antecipada) e R$ 30,00 (na hora).

Com quase 90 minutos de duração, o longa exigiu muita leitura de Gomez e sua equipe de pesquisadores: “Das 80 mil páginas que eles leram em dissertações de mestrado e teses de doutorado, recebi um resumo de 8 mil para ler”, contou o diretor, que utilizou estas fontes para escrever o roteiro, contando também com a ajuda do professor Jonas Soares de Souza – que trabalhou por 35 anos no Museu Republicano de Itu.

Também foram consultados documentos e obras de arte em quase 50 museus brasileiros e estrangeiros, incluindo o Museu Nacional do Rio, consumido pelo incêndio do dia 2, e a Biblioteca do Congresso Americano. “História é minha paixão e estudar me estimula a ir além. É um processo doloroso, às vezes, mas a realidade me provoca a querer saber mais”, reconhece Gomez, que foi provocado a pesquisar sobre a história da Justiça no Brasil pelo desembargador Roque Antonio Mesquita de Oliveira, ex-presidente da Associação Paulista de Magistrados (Apamagis), num reencontro com ele, que tinha sido seu professor de História no Ensino Médio. 

O docudrama traz depoimentos de dezenas de estudiosos, historiadores, juízes e professores de Direito do Brasil, como o jurista Ives Gandra Martins, o historiador Bruno Fleitler, especialista em Inquisição; o ex-combatente da Revolução de 1932, Zito Pereira Mendes, que morreu aos 104 anos, em 2016; e o pós-doutor em Justiça Colonial Além-Mar, Alberto Vieira, do Centro de Estudos Ultramarinos, em Portugal. 

As entrevistas são entremeadas com reconstituições como a condenação de um estuprador conhecido como Manoel Duda, em 1833, em Sergipe, com base nas Leis Filipinas: ele teve os testículos esmagados em praça pública.

Além das dramatizações com atores, há animações que reconstroem, em 3D, edifícios e vilas de época, como a antiga Vila de São Vicente, destruída por um tsunami no século 16. 

O diretor revela que os investimentos na produção giraram em torno de R$ 1 milhão, considerado um longa de baixo orçamento. Parte foi custeada por patrocínios conseguidos via Lei do Audiovisual (Ancine) e parte com recursos próprios de Gomez, que colocou dinheiro recebido por seu trabalho como ator de novelas.

Assista ao teaser do filme:

Trajetória

Com mais de 40 anos de carreira e 61 de idade, Gomez vem realizando uma obra voltada ao documentário de resgate histórico, cercando-se de pesquisadores, historiadores e memorialistas.

Nascido em Presidente Prudente e radicado em São Paulo, ele também é mímico e palhaço. Conviveu com o dramaturgo Plínio Marcos e o grande mímico brasileiro Ricardo Bandeira. 

Fez turnês pela América do Sul e Europa com seus espetáculos, e se apresentou muito nos palcos santistas, vindo a receber críticas positivas de Carmelinda Guimarães, que escrevia para A Tribuna, nos anos 80 e 90. 

Com a empresa Palha – Casa de Criação, produziu 42 produtos audiovisuais, entre filmes e séries de televisão como "ConsCiência na Cultura", "Plaquita", "O Baú da História", "Juqueriquerê", "Porto das Monções", "História & Estórias". Seus filmes foram classificados em mais de 50 festivais no Brasil e exterior. 

Serviço – A Unimes fica na Rua Barão de Paranapiacaba, 15, telefone: 3228-3400.

Veja Mais