Pinacoteca recebe obras inéditas de Benedicto Calixto

Trinta telas e estudos do Museu de Arte Sacra de São Paulo e coleções particulares compõem exposição

22/05/2018 - 09:48 - Atualizado em 22/05/2018 - 16:49

Em primeiro plano, a tela "Naufrágio do Sírio", de 1907 (Foto: Alexsander Ferraz/AT)

“Quem não souber por quem rezar, reze por aqueles que estão no mar”. Esta frase pertence a um dito popular, do início do século 20, conhecido das famílias italianas que perderam entes queridos num dos maiores naufrágios da história, a do navio Sírio, ocorrido em 4 de agosto de 1906, na costa espanhola, quando transportava 695 passageiros (a maioria de emigrantes italianos) e 127 tripulantes.

Mais de 200 pessoas morreram na tragédia, entre elas o bispo de São Paulo, dom José Camargo Barros, e diversos outros religiosos que voltavam de visita à Roma. Conta-se que o bispo morreu após ser agredido por um tripulante que lhe tirou o salva-vidas, enquanto abençoava aqueles que se atiravam nas águas. 

A cena acima está registrada numa das pinturas mais dramáticas de Benedicto Calixto, intitulada "Naufrágio do Sírio", que o artista itanhaense fez sob encomenda da Cúria Metropolitana de São Paulo, em 1907. 

Funcionário segura estudo para painel sobre a fundação de Santos (Foto: Alexsander Ferraz/AT)

De grandes dimensões (203 x 267 cm), a tela pode ser vista pela primeira vez em Santos, na exposição "Benedicto Calixto e a Identidade Paulista", que será inaugurada nesta quarta-feira (23), para convidados, e quinta-feira, para o grande público, na Pinacoteca Benedicto Calixto, no Boqueirão, onde fica em cartaz até 1º de julho. 

Dos religiosos que estavam no navio Sírio, salvou-se o arcebispo do Pará, Homem de Melo. que contou sobre a tragédia em detalhes ao pintor, que também se baseou em fotografias, publicadas nos jornais da época, para criar a tela.

A curadora Vanessa Costa Ribeiro
(Alexsander Ferraz/AT)

Outra obra de grande dimensão que está na mostra na Pinacoteca e também foi encomendada pela Cúria de São Paulo mostra o padre José de Anchieta domando uma onça. A obra tem 156x125 cm e data de 1897.

As duas pinturas pertencem ao acervo do Museu de Arte Sacra de São Paulo (que possui mais de 18 mil peças e fica no bairro da Luz), e vêm a Santos com mais 28 obras, a maioria de colecionadores particulares, para compor a exposição na Pinacoteca.

Pluralidade

A curadora da mostra é Vanessa Costa Ribeiro, que trabalha para o Museu de Arte Sacra de São Paulo, e dividiu a exposição em quatro módulos: “Esta exposição é inédita e foi concebida especialmente para a Pinacoteca Benedicto Calixto”, destaca ela. “Dez obras pertencem ao Museu de Arte Sacra e retratam cenas de São Paulo antiga, 20 são de colecionadores particulares. A ideia é mostrar a pluralidade do artista, desde a representação de cenas urbanas às marinhas pelas quais ele é mais conhecido, além das duas telas de dimensões monumentais, que têm temática religiosa”, descreve. 

Também há um estudo de Calixto, feito com guache sobre papel, para o painel que ele fez para o prédio da Bolsa Oficial do Café, que retrata a fundação de Santos. O estudo pertence a uma coleção particular. 

Serviço – A Pinacoteca fica na Avenida Bartomomeu de Gusmão, 15, telefone: 3288-2260. visitas de terça a domingo, das 9h às 18h. Entrada franca. 

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