Oscar premia neste domingo os melhores filmes da temporada

Transmissão do canal pago TNT terá início às 20h30, com o tapete vermelho

04/03/2018 - 07:45 - Atualizado em 04/03/2018 - 07:45

Depois da premiação do Oscar de 2017, não é nada fácil superar o evento, devido à confusa e caótica (e também divertida) festa do ano passado. O empate que não era empate, a confusão que parecia chanchada, o funcionário que entregou o envelope errado ao preferir tirar fotos da atriz Emma Stone, e assim por diante. Tudo isso colaborou para o desastre e só mesmo por um milagre não destruiu a credibilidade do prêmio. Na verdade, a direção da Academia deveria ter rompido as relações com o serviço de segurança, como acontece em qualquer outro lugar do mundo. E, na verdade, só mesmo um outro escândalo ainda maior, mais confuso e duvidoso, vem justificar esse perdão mal resolvido (parece que agora tem mais gente conferindo os votos!?).

Por sorte do Oscar, estourou um escândalo enorme e é aí que está o problema, que chegou com décadas de atraso. Todo mundo ficou sabendo do escândalo dos estupros e dos tarados que atacaram homens e mulheres! E, de repente, ao contrário das grandes empresas de negócios americanas (eu, por exemplo, trabalhei na HBO americana que já há mais de 25 anos atrás havia incrementado essa política. Quem tivesse alguma atitude errada, ou desonrosa, era imediatamente despedido!) por que a indústria do cinema levou tanto tempo para descobrir tudo isso?

Na verdade, as mulheres têm toda razão. São minoria em tudo, ganham menores salários, são vítimas de sedução, são minoria em trabalho (só agora há uma quinta diretora indicada ao Oscar, isso em 90 anos!). Tudo poderia ter sido resolvido e planejado há mais tempo e sem caça às bruxas. Alguns se afastaram, outros não deram sinal de vida, mas o julgamento vem antes da condenação em qualquer lugar decente do mundo.

Os franceses mais experimentados e sábios talvez saibam até mais do assunto... Mas parece que, ao que tudo indica, que apesar do esforço basicamente das vítimas, em sua maior parte femininas, já venceram uma etapa. E, curiosamente, nenhum dos filmes trata desse assunto.

A Academia perdeu uma grande chance de ter incluído na seleção a Mulher Maravilha, a mais bem recebida das heroínas femininas dos quadrinhos (e uma delícia de ver!). Pensando bem, a lista das mulheres de talento é muito melhor do que a dos homens (praticamente já está eleito Gary Oldman!), porque todas as cinco finalistas têm interpretação acima da média.

Só mesmo Meryl Streep é capaz de ter mais uma indicação (e estar excelente! No que seria o quê? Sua trigésima indicação? Nem ouso verificar).


 
Mas sou fã da linda e talentosa Margot Robbie, australiana que dá show em Eu, Tonya. Acho muito especial a Sally Hawkins, nada glamurosa de A Forma da Água e nunca esquecerei de Frances McDormand, completamente bêbada no Globo de Ouro!


 
Será que a escolha este ano está tão evidente? Aparentemente o melhor diretor deve ser mesmo o mexicano Guillermo del Toro, de A Forma da Água (você vai dizer, outro mexicano? Pois é, deve ser só para irritar o presidente Donald Trump). É um trabalho delicado, romântico (ainda que com nudez, coisa que raramente vemos em cinema americano de fantasia!), original, que homenageia as aventuras de Monstros (como O Monstro da Lagoa Negra que o inspirou, fico feliz porque eu também vi o filme no antigo Cine Roxy já em 3D, e até hoje é meu favorito). Como nada é perfeito, apareceu um filho de um escritor dizendo que o pai dele já fez história igual etc. etc. Para variar, né...


 
Já falei em Gary Oldman, que parece invencível como o Churchill (e o filme deve levar alguma coisa também pela maquiagem, com efeitos absolutamente perfeitos). O roteiro também merecia algo. Na verdade, O Destino de uma Nação é um primor de drama histórico e muito bem dirigido por um inglês, o excelente Joe Wright (de quem sou fã confesso desde Desejo e Reparação).



O caso é que há outro grande britânico em concurso, que aparentemente iria levar apenas menções secundárias, não fosse ele Christopher Nolan, que nunca levou Oscar (teve ao total cinco indicações, mas por Memento/Amnésia, A Origem e nunca por nenhum de sua trilogia já clássica do Batman). Dunkirk é um filme original, esplendidamente realizado, e não faria feio levando o Oscar principal.


 
Como o diretor afirma, “não é uma narrativa comum, mas cinema de experiência”. A história é contada basicamente em imagens e através de música e som, em vez de colocar os personagens falando sobre quem são, de onde vieram...Ele tentou criar uma experiência de realidade virtual, onde você sai viajando para um mundo que, na verdade, desconhece e que jamais iria viajar...

O evento é o acontecimento, não os personagens... e você torce pelas pessoas, participa da jornada, porque você empatizou com aqueles seres tão humanos..” Na verdade, esses foram os filmes que mais me tocaram (talvez por ter feito Faculdade de História). Mas tem ainda aqueles que podem ter talento, mas decepcionam ao final.

É o que tem acontecido muito com os espectadores de Lady Bird, que todos dizem que esperavam mais! E, de fato, é apenas simpático (da jovem Saiorse, que também conheci depois de Desejo e Reparação; cada vez a acho mais passiva e aborrecida).

Do mesmo mal padece o pior filme de Spielberg dos últimos anos, O Post (o jornal de Washington) que foi feito às pressas, sem ritmo, sem emoção e politicamente fraco diante dos horrores do nosso tempo atual.



A mesma coisa se sucede com Trama Fantasma, que começa bem, se segura com Day Lewis, mas se perde na meia hora final com uma conclusão desagradável e uma heroína murcha e sem vida. O prêmio certo deveria ser mesmo o de figurino!

A mesma situação sucede com Três Anúncios para um Crime (outro que tem diretor britânico talentoso, Martin McDonagh só que se sai muito melhor nos anteriores, o delicioso Na Mira do Chefe (Bruges) e o engraçado Sete Psicopatas e um Shih Tzu. Aqui, Frances McDormand é um monstro, no melhor sentido da palavra. Os atores masculinos são exagerados e tudo fica prejudicado, porque não tem final, nenhuma conclusão lógica.


 
Dá vontade de jogar algo na tela de tanta raiva. Sam Rockwell, já veterano de 20 anos de carreira, parece o favorito, embora eu prefira o humaníssimo Richard Jenkins (de A Forma da Água). Ou até o velhíssimo e cada vez melhor com a idade Christopher Plummer (mas, cá entre nós, foi uma bobagem tirar à toa o antipático Kevin Spacey, para colocá-lo às pressas em Todo o Dinheiro do Mundo!).



Resta falar ainda em Me Chame pelo seu Nome/Call Me your Name, que inicialmente teve uma campanha cerrada da imprensa, mas depois foi perdendo fôlego. Talvez por ser um pouco frio, com pouca paixão e emoção (mesmo assim, deve ter continuação). Parece certa a premiação como roteiro adaptado para o veterano James Ivory (americano de 1928) que, para mim, fez o melhor filme do gênero, que foi Maurice (e nunca ganhou Oscar algum!). Que se corrija a falha.. E que se confirme a qualidade da presença de um produtor brasileiro neste filme, que é o já consagrado e competente Rodrigo Teixeira.


 
Resta mencionar outro filme que não deve ter alguma premiação este ano, o admiravelmente chocante Get Out (Corra!), um caso raro de uma comédia de puro terror, por diretor e escritor iniciante (Jordan Peele) e que continua na berlinda, mesmo tendo estreado no começo do ano passado (24 de fevereiro lá, 18 de maio no Brasil). Que Pantera Negra o quê?! Fazendo rir e assustando, este é o filme mais atrevido e verdadeiro já feito sobre como os brancos se comportam com os negros. Rendeu US$ 178 milhões de bilheteria e me deixou empolgado e assustado. Deve levar Oscar de roteiro original.


 
Outras premiações

Rapidamente, vamos lembrar outras possíveis premiações. O Melhor Filme estrangeiro para mim O Insulto, um chocante filme libanês! Uma lição para os filmes brasileiros inadequados, que mais uma vez foram indicados ao Oscar. Coco é um nome muito mais simpático do que Viva, e não há dúvida de que leva mais um prêmio para a Disney.

Blade Runner vai ganhar ao menos dois prêmios por sua beleza visual. Tem muita gente que gosta de Baby Driver (Em Ritmo de Fuga) de outro inglês hiper talentoso, só que especializado em humor (Wright, mas agora chamado Edgar!).

Efeitos visuais foi escolhido pelo sindicato do gênero para Planeta dos Macacos: Guerra, muito melhor do que você imagina. Normalmente nem gosto de estragar a festa, mas me parece que, apesar de certos pesares, não é uma seleção ruim. Não foi desta vez que o bom cinema morreu. É só a Academia não atrapalhar demais...

Confira os indicados abaixo

Filme
Me Chame Pelo Seu Nome
O Destino de Uma Nação
Dunkirk
Corra!
Lady Bird - A Hora de Voar
Trama Fantasma
The Post - A Guerra Secreta
A Forma da Água
Três Anúncios Para um Crime

Diretor
Christopher Nolan - Dunkirk
Jordan Peele - Corra!
Greta Gerwig - Lady Bird - A Hora de Voar
Paul Thomas Anderson - Trama Fantasma
Guillermo del Toro - A Forma da Água

Ator
Timotheé Chalamet - Me Chame Pelo Seu Nome
Daniel Day Lewis - Trama Fantasma
Daniel Kaluuya - Corra!
Gary Oldman - O Destino de Uma Nação
Denzel Washington - Roman J. Israel, Esq.

Atriz
Sally Hawkins - A Forma da Água
Frances McDormand - Três Anúncios Para um Crime
Margot Robbie - Eu, Tonya
Saoirse Ronan - Lady Bird - A Hora de Voar
Meryl Streep - The Post - A Guerra Secreta

Ator Coadjuvante
Willem Dafoe - Projeto Flórida
Woody Harrelson - Três Anúncios Para um Crime
Richard Jenkins - A Forma da Água
Christopher Plummer - Todo o Dinheiro do Mundo
Sam Rockwell - Três Anúncios Para um Crime

Atriz Coadjuvante
Mary J. Blige - Mudbound – Lágrimas sobre o Mississippi
Allison Janney - Eu, Tonya
Laurie Metcalf - Lady Bird - A Hora de Voar
Octavia Spencer - A Forma da Água
Lesley Manville - Trama Fantasma

Roteiro Original
Doentes de Amor
Corra!
Lady Bird - A Hora de Voar
A Forma da Água
Três Anúncios Para um Crime

Roteiro Adaptado
Artista do Desastre
Me Chame Pelo Seu Nome
Logan
A Grande Jogada
Mudbound – Lágrimas sobre o Mississippi

Animação
O Poderoso Chefinho
Viva - A Vida é uma Festa
O Touro Ferdinando
Com Amor, Van Gogh
The Breadwinner

Documentário em Curta-Metragem
Edith+Eddie
Heaven is a Traffic Jam on the 405
Heroin(e)
Knife Skills
Traffic Stop

Documentário em Longa-Metragem
Abacus: Small Enough to Jail
Faces Places
Icarus
Last Men in Aleppo
Strong Island

Filme Estrangeiro
Uma Mulher Fantástica (Chile)
The Insult (Líbano)
Sem Amor (Rússia)
The Square - A Arte da Discórdia (Suécia)
On Body and Soul (Hungria)

Curta-Metragem
DeKalb Elementary
The Eleven O’Clock
My Nephew Emmett
The Silent Child
Watu Wote/All of Us

Curta-Metragem em Animação
Dear Basketball - Glen Keane e Kobe Bryant
Garden Party - Victor Caire e Gabriel Grapperon
Lou - Dave Mullins e Dana Murray
Negative Space - Max Porter e Ru Kuwahata
Revolting Rhymes - Jakob Schuh e Jan Lachauer

Canção Original
"Remember Me" - Viva - A Vida é uma Festa - Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez
"This is Me" - O Rei do Show - Benj Pasek e Justin Paul
"Mighty River" - Mudbound – Lágrimas sobre o Mississippi - Mary J. Blige, Raphael Saadiq e Taura Stinson
"Mystery of Love" - Me Chame Pelo Seu Nome - Sufjan Stevens
"Stand Up for Something" - Marshall - Diane Warren e Lonnie R. Lynn

Fotografia
Blade Runner 2049 - Roger Deakins
O Destino de Uma Nação - Bruno Delbonnel
Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi - Rachel Morrison
Dunkirk - Hoyte van Hoytema
A Forma da Água - Dan Laustsen

Figurino
A Bela e a Fera
O Destino de Uma Nação
Trama Fantasma
A Forma da Água
Victoria e Abdul - o Confidente da Rainha

Maquiagem e Cabelo
O Destino de Uma Nação
Extraordinário
Victoria e Abdul - o Confidente da Rainha

Mixagem de Som
Em Ritmo de Fuga
Blade Runner 2049
Dunkirk
A Forma da Água
Star Wars - Os Últimos Jedi

Edição de Som
Em Ritmo de Fuga
Blade Runner 2049
Dunkirk
A Forma da Água
Star Wars - Os Últimos Jedi

Efeitos Visuais
Blade Runner 2049
Guardiões da Galáxia Vol.2
Kong - A Ilha da Caveira
Star Wars - Os Últimos Jedi
Planeta dos Macacos - A Guerra

Design de Produção
A Bela e a Fera
Blade Runner 2049
O Destino de Uma Nação
Dunkirk
A Forma da Água

Edição
Em Ritmo de Fuga
Dunkirk
Eu, Tonya
A Forma da Água
Três Anúncios Para um Crime

Trilha Sonora Original
Dunkirk - Hans Zimmer
Trama Fantasma - Jonny Greenwood
A Forma da Água - Alexandre Desplat
Star Wars - Os Últimos Jedi - John Williams
Três Anúncios Para um Crime - Carter Burwell

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