O super-herói e a arma mortal da chatice

Santista estreia na literatura com o livro de ficção Chatman e a Epidemia da Praga Maldita

05/06/2018 - 11:34 - Atualizado em 05/06/2018 - 22:02

Escritor Rodrigo Aguiar de Paiva promete uma trilogia de sua obra (Foto: Nirley Sena / AT)

Seriam os chatos heróis ou vilões? Pense bem. Quem é obrigado a conviver com um chato pode suportar qualquer coisa nesta vida. Lembre-se da paciência de Seinfeld, da série de TV homônima, com seu vizinho Kramer, que vive entrando em seu apartamento sem bater. Quem aguenta um vizinho daquele, já pagou os pecados e tem lugar no céu.

Pois foi pensando num amigo chatinho que tinha no trabalho, no tempo em que advogava, que Rodrigo Aguiar de Paiva escreveu seu primeiro livro de ficção, o cômico Chatman e a Epidemia da Praga Maldita (Editora Chiado Books, 213 páginas, R$ 43,00), com lançamento marcado para quarta-feira (6), das 17h às 21h30, na Livraria Realejo (Av. Marechal Deodoro, 2, Gonzaga).

“Todo mundo chamava o meu amigo de o chatinho, e ele até sabia do apelido. Pensei em transformá-lo num super-herói e, assim, nasceu Chatman, da cidade Chatland, colônia norte-americana no Brasil conhecida como a cidade dos chatos”, explica o autor, que se baseou em outro super-herói dos quadrinhos, só que bem mais durão, Batman, da DC Comics.

O herói de Paiva só tem o traje e o nome parecidos com o de Batman. De resto, é um espertalhão desengonçado e cheio de graça, chamado Rodney Chaynne, que mora numa mansão com seu mordomo Alf, e assume a identidade de Chatman quando quer combater a vilania com sua argumentação enfadonha e pitadas de humor politicamente correto.

Paiva conta que a ideia para Chatman surgiu há 15 anos, quando chegou a esboçar a história. Mas somente no ano passado, e após participar de cursos de escrita, que retornou ao texto, com a ideia de dar sequência a mais dois livros. 

“É uma trilogia. O segundo livro já está pronto, e devo lançá-lo daqui a seis meses. O terceiro, comecei a escrever”, revela o autor, que contratou o ilustrador Fabio Laguna para desenhar as personagens de Chatman – que aparecem descritas na orelha do primeiro livro, todos versões dos heróis e vilões da saga do Batman. Por exemplo: no livro, Pinguim virou Perdiz; Curinga é Valete; Mulher-Gato é Pantera, Charada é Comédia e por aí vai.

Público nerd
O autor diz querer atingir o público geek e nerd (gente que gosta de HQs, games, tecnologia etc), com sua obra. O argumento, cheio de ação, diálogos e situações nonsense, daria uma história em quadrinhos, mas Paiva prefere alguns dedos de prosa a imagens.

A história é a seguinte: um estranho garoto vem ao mundo. Nasce dando gargalhadas em vez de chorar e já fazendo gracinhas. Enquanto cresce, só apronta. Quando adulto, sua chatice o torna famoso e é reconhecida como uma grande qualidade pela ONU, que o incumbe de combater Lestter Lewis, o papa do humor negro (ou cáustico), que volta do passado para atemorizar a pacata e politicamente correta população de Chatland. 

Expert na arte do jiu-jitsu, neste primeiro volume da trilogia Chatman enfrentará seus oponentes com refinado humor, a fim de resgatar Jéssica Herz, filha do prefeito de Chatland, sequestrada por Perdiz e sua gangue.

Na Bienal 
Paiva penou até conseguir uma editora e só conseguiu resposta positiva da portuguesa Chiado. Após negociações por e-mail, conseguiu 300 exemplares para vender em Santos. Em Lisboa, seu livro já está nas livrarias. 

Dia 6 de agosto, ele será um dos autores brasileiros a autografar no estande da Chiado, na 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Para divulgar seu livro, o autor argumenta em defesa dos chatos: “O Brasil precisa dos chatos. No país onde tudo se resolve no jeitinho, o chato é aquele que quer as coisas em ordem”, justifica. 

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