O Menino e o Mundo brilha nos 100 anos de animação

Santos é a sede de uma das maiores produtoras de animação do mundo, a Lightstar

13/01/2018 - 17:13 - Atualizado em 13/01/2018 - 19:08

Marcelo e Jean de Moura são casados e sócios proprietários da Lightstar (Foto: Luigi Bongiovanni/AT)


Sucesso entre crianças e adultos, as animações têm o poder de tocar o coração do público através de seus personagens carismáticos e suas histórias bem-humoradas e emocionantes. O Brasil está comemorando 100 anos de animação nacional e, por isso, a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) realizou um levantamento sobre os filmes do gênero e elegeu o longa-metragem O Menino e o Mundo (2013) como a melhor animação brasileira de todos os tempos.

Dirigido por Alê Abreu, o filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme de Animação em 2016 e perdeu o troféu para Divertida Mente, da Disney Pixar. Ele também levou o prêmio do Festival de Annecy, em 2014. O Menino e o Mundo foi a única produção citada por todos os críticos associados da Abraccine durante a votação.

No longa, acompanhamos a história de um menino que mora com o pai e a mãe em uma pequena casa no campo. Diante da falta de trabalho, o pai abandona o lar e parte para a cidade grande. Triste e desnorteado, o garoto faz as malas, pega o trem e vai descobrir o novo mundo em que seu pai mora. Para a sua surpresa, ele encontra uma sociedade marcada pela pobreza, exploração de trabalhadores e falta de perspectivas.

O Menino e o Mundo foi o primeiro projeto brasileiro a concorrer a um Oscar de Animação (Foto: Reprodução)


De acordo com Jean de Moura, sócia proprietária do Lightstar Studios, estúdio de animação de Santos, O Menino e o Mundo merece esse reconhecimento. “Foi o primeiro projeto brasileiro a concorrer a um Oscar. Eles tinham um orçamento muito pequeno e competiram com filmes que custaram milhões”.

Também foram citados no ranking da Abracine filmes como Uma História de Amor e Fúria, de Luiz Bolognesi; Meow!, de Marcos Magalhães; e Até que a Sbornia nos Separe, de Otto Guerra e Ennio Torresan Jr. Esse levantamento é o ponto de partida para o livro Animação Brasileira - 100 Filmes Essenciais, que deverá ser lançado no segundo semestre deste ano.

Animação televisiva

Apesar de já ter trabalhado em longas-metragens internacionais e nacionais, como Mulan (1997), Asterix e Os Vikings (2006), O Segredo do Kells (2009) e Chico e Rita (2010), Jean de Moura é atualmente responsável por projetos que são transmitidos na tevê.

Um deles, produzido pela Lighstar Studios, em parceria com a Boutique Filmes, é a série S.O.S Fada Manu. Exibida pelo canal Gloob, a animação foi indicada ao prêmio Emmy Kids International 2016.

Com os 100 anos de história, as produções animadas do Brasil conseguiram conquistar um bom espaço. Mas, Jean acredita que ainda existe um longo caminho a ser percorrido. “A gente percebe que melhorou muito. Tem mais empresas e mais produtos, mas ainda falta um melhor treinamento dos profissionais. É preciso que as pessoas tenham uma base artística para trabalhar com animação, não só saber usar o software, porque isso você aprende. Mas, principalmente, na televisão, as oportunidades estão melhorando”.

Ainda segundo ela, que atua junto com o marido, Marcelo de Moura, na Lightstar, as leis de incentivo à produção nacional – como a Lei da TV Paga, que exige um mínimo de 3h30 de conteúdo brasileiro, semanalmente, em horário nobre – também ajudaram muito para que os projetos de empresas nacionais tivessem mais espaço.

“Ela foi fundamental para o crescimento das produções, mas o governo ainda poderia melhorar isso. No Canadá, por exemplo, o governo auxilia nos impostos que são pagos para que os projetos possam ser feitos. Aqui no Brasil, o orçamento já é mais apertado e ter esse tipo de incentivo ajudaria o País a competir com empresas de fora”.

Para aqueles que têm interesse em entrar para o meio da animação nacional e ajudar no crescimento desse mercado, Jean dá a dica: “Nunca pare de se aprimorar. Estude bastante, leia muito, assista filmes, faça um bom portfólio e procure um estúdio que possa te ensinar”. 

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