MC Jhoninha faz crítica social em nova música

Funkeiro lança ‘Os Cana Vazou Nois Volta’, que fala sobre os fluxos de rua em comunidades

18/07/2018 - 11:41 - Atualizado em 18/07/2018 - 11:51

 “É uma contestação da realidade, que percebi a partir do meu dia a dia”, diz ele (foto: Divulgação)

Aos 25 anos, o funkeiro de Guarujá MC Jhoninha chama atenção por sua última música: Os Cana Vazou Nois Volta (assim mesmo, com erro de português proposital, segundo ele). Com ela, o cantor e compositor quer chamar atenção para os fluxos de rua, que são dispersados pela Polícia, mas que voltam após as autoridades irem embora. “É uma contestação da realidade, que eu percebi a partir do que eu via no dia a dia”, diz ele.

A música de trabalho é disparada a mais vista em seu canal no Youtube, com cerca de 5 mil visualizações. Pra faixa, que também vai ganhar em videoclipe em breve, ele fez um meme, utilizando o jogo de vídeo game GTA. “Fiz um vídeo utilizando uma das cenas do jogo e usando minha canção de fundo, pra brincar”, explica. O vídeo já ultrapassa as 241 mil visualizações no Facebook, um dos canais que ele mais utiliza, tanto pra divulgação, quanto pra dialogar e ter inspiração para outras canções.

Carreira

Cria de Vicente de Carvalho e do bairro Cachoeira, Jhoninha diz ter começado a compor aos 13 anos. “Mas, quando era novo, eu acompanhava meu padrinho, que tocava violão. Minha mãe conta que eu imitava o Latino dos anos 90”, recorda.

Inicialmente dentro da igreja evangélica, onde participava de bandas, o rapaz não criava especificamente letras feitas para o funk. “Eu nem pensava literalmente no ritmo, a influência foi surgindo naturalmente”, diz ele.

Quando começou a acompanhar os funkeiros da Baixada Santista é que pensou em interpretar suas próprias músicas.

Nessa época, fazia canções na escola, durante os intervalos e as gravava em aparelhos de MP3. Aos 17 anos gravou mesmo sua primeira canção, Viver no Luxo, caminhando para o funk ostentação. “Mas, como minha essência é do funk consciente. Por isso, hoje eu faço um funk construtivo. Não quero mostrar o que eu tenho, quero mostrar ao jovem que ele pode conseguir o que quer através do trabalho”.

Como já era conhecido entre muitos do bairro, sua primeira música o levou a vencer um concurso de funkeiros da Cidade. “Era um título local, numa festa feita na antiga Chapa Clube, comandada pelo DJ Cabral”, lembra.

A partir deste título, ganhou outro em Guarulhos, que se inscreveu. Lá ele também saiu vencedor. “Minha ligação começou a ficar mais próxima, porque eu comecei a subir a serra mais vezes pra cantar”.

Como foi ficando conhecido, resolveu se mudar e lançou o primeiro CD, com 10 faixas autorais. Pra Jhoninha, a região ainda é limitada pro funk, porque outros ritmos estão sendo mais valorizados atualmente, como o pagode e o sertanejo.

“Hoje, quero gravar mais meus sonhos e fazer mais parcerias. Sempre refletindo o momento que a sociedade está vivendo, mas sem deixar minha essência e também fazer as pessoas dançarem e se divertirem nos bailes”.

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