Marcos Piffer lança cinco livros de fotografia

Os temas são vários: Amazônia, Fernando de Noronha, tatuagem, Porto de Santos e bromélias

06/03/2018 - 10:20 - Atualizado em 06/03/2018 - 12:05

Tempestade se aproximando do Médio Rio Negro, em Anavilhanas (Foto: Marcos Piffer/Divulgação)

Ao explicar de onde vem sua paixão pela fotografia, Marcos Piffer, de 56 anos, cita Fernando Pessoa: “Sei ter o pasmo essencial/ Que tem uma criança se, ao nascer/ Reparasse que nascera deveras”. É este olhar deslumbrado para o mundo que ele eterniza em imagens e livros que fazem pensar.

“Eu acredito no tempo da reflexão que o livro dá”, diz Piffer, ao defender o papel como suporte de suas fotografias. “Isso acontece porque eu trabalhei 21 anos em laboratório de revelação. É por meio da imagem impressa e do livro que eu me aprofundo em alguns temas como meio ambiente”, justifica. 

Morro Dois Irmãos, Praia Cacimba do Padre, Fernando de Noronha (Foto: Marcos Piffer/Divulgação)

Nos últimos anos, não faltaram temas e motivos para Piffer se entusiasmar. Desde expedições à Amazônia, aos resquícios de Mata Atlântica e ao arquipélago de Fernando de Noronha, como a imersões no Porto de Santos e no universo particular da tatuagem. 

Todas estas experiências resultaram em cinco livros de fotografia, que serão lançados de uma só vez, no próximo sábado (10), às 17 horas, numa tarde de autógrafos intitulada "Cinco Livros/1 Fotógrafo", na Savannah Steak House, próximo ao Canal 4, em Santos. 

São os livros: "Porto de Santos", "Amazônia", "Bromélias da Mata Atlântica", "Fernando de Noronha" e "Tattoo".

Livros de arte

Marcos Piffer também recorreu ás leis de incentivo
para publicar os livros (Foto: Claudio Vitor Vaz/AT)

Por mais que o autor não se sinta muito confortável com o termo, são cinco 'livros de arte', com edições caprichadas, desde o projeto gráfico à impressão (todos pela Gráfica Ipsis) e encadernação. São obras trilíngues (português, espanhol, inglês), para amantes da arte da fotografia. 

Três títulos, em menores formatos, estão saindo pela Editora Brasileira ("Bromélias da Mata Atlântica", "Fernando de Noronha" e "Tattoo", cada um a R$ 50,00). Os outros dois livros ("Porto de Santos" e  "Amazônia", que custam R$ 80,00), em formatos maiores, foram publicados via leis de incentivo à Cultura: "Amazônia", pela Lei Rouanet, e "Porto de Santos", pelo Programa de Ação Cultural (ProAc-ICMS) do Governo do Estado de São Paulo.

Piffer assume que lançar cinco livros de uma vez pode parecer que a maré está muito boa para ele (só que não): “Há muito suor aqui. São projetos que trago há muito tempo comigo. Alguns, só consegui 'desengavetar' agora. "Amazônia" é resultado de três expedições para lá, em 2014, 2015 e 2016”. 

Dos cinco livros, dois são integralmente projetos do fotógrafo, desde a concepção do projeto até a edição das imagens e seleção dos textos: "Porto de Santos" e "Tattoo".

O livro sobre o Porto é em uma homenagem de Piffer ao seu pai, o engenheiro civil e fotógrafo amador Carlos Alberto Piffer, que está com 88 anos e trabalhou toda a vida na antiga Cia. Docas de Santos. “Eu resgatei filmes de meu pai, que fez muitas fotos de lá nas décadas de 1950 e 60. Ele revelava as imagens nos fundos da garagem, num laboratório improvisado, e me ensinou os princípios da fotografia. Lembro que eu costumava acompanhá-lo nas idas ao Porto, quando criança, e ficava impressionado com a grandiosidade daquele lugar, uma escala que só foi aumentando”, lembra.

O livro traz um texto de abertura, de autoria do arquiteto Gino Caldatto Barbosa, que faz um painel histórico do Porto. 

Todos os corpos 

Patrícia Fraccaroli clicada no ateliê do fotógrafo, com luz natural (Foto: Marcos Piffer/Divulgação)

A ideia do livro "Tattoo" partiu de um ensaio realizado para a revista Guaiaó (editada por Piffer), numa edição que falava do culto ao corpo. Na ocasião, foram fotografadas 20 pessoas. O projeto cresceu e, para o livro, foram registradas 105 pessoas, seminuas, que têm os corpos tatuados.

O ensaio durou de janeiro e maio de 2017 e as pessoas são das mais diferentes origens, formas, idades e cor: de amigos e conhecidos do fotógrafo a estranhos abordados na rua, como um passeador de cachorros no Boqueirão. Todos fotografados com pouca ou nenhuma roupa e em poses que se sentissem mais à vontade. Cada imagem traz um depoimento e o nome do retratado. 

O curioso é que "Tattoo" traz somente fotografias em preto e branco (PB): “Fotografei com luz natural, em horários diferentes. As cores têm temperaturas diferentes, dependendo da luz. Para anular qualquer efeito diferente e padronizar todas as imagens, preferi deixar tudo PB. Além disso, as tatuagens de antigamente não são tão coloridas como as de hoje”, justifica Piffer, que também gosta de trabalhar em PB por causa do resultado artístico, pois “afasta um pouco da realidade”.

Mestrado

Restinga com bromélias Aechmea pectinata, na Praia do Rio Verde (Foto: Marcos Piffer/Divulgação)

No ano passado, enquanto realizava todos estes projetos, Piffer ainda tocou o mestrado que está fazendo na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, fotografando as casas da comunidade caiçara da Ilha Diana, em Santos. “O nome da minha pesquisa é 'Ilha Diana: Paisagens Interiores'”. Já realizei dez visitas ao local e as pessoas estão me recebendo dentro de suas casas para fotografar. O produto final será um livro de fotos”, conta ele, que é formado em Arquitetura e Urbanismo. 

Ainda há outros projetos que ele está levando adiante, como um livro sobre os parques nacionais e a próxima edição da revista Guaiaó – que, no ano passado, não foi publicada. “Precisei parar um pouco com a revista para dar conta de tudo”. 

Serviço – A Savannah Steak House fica na Rua Bento de Abreu, 4, Boqueirão, Santos.

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