Livro resgata vida e obra do diretor e ator Antônio Ghigonetto

O santista Luiz Campos, também ator e diretor, conta história do artista, que dirigiu 43 peças

26/12/2017 - 10:39 - Atualizado em 26/12/2017 - 14:22

Luiz Campos com o material de sua pesquisa que originou o livro (Foto: Alexsander Ferraz/AT)

Um encontro que poderia ficar apenas na memória do ator e diretor santista Luiz Campos se transformou em projeto de conclusão de curso, em livro e, em breve, renderá um vídeo-documentário. Foi numa noite de 2009 que Campos conheceu Antonio Ghigonetto, diretor e ator paulistano, com 79 anos à época, que lhe contou algumas histórias sobre grandes atores e diretores de teatro, cinema e tevê. 

Ele ministrava aulas para cursos livres da Secretaria de Cultura e dirigia as peças de formatura na Escola “Wilson Geraldo” de Artes Cênicas (EAC). Campos, na época, tinha apenas 19 anos e havia sido convidado para participar dos ensaios da peça "O Doente Imaginário", de Molière, que seria dirigida por Ghigonetto. 

Capa do livro que tem 96 páginas e sai por R$ 40,00
(Foto: divulgação)

“Lembro que fui apresentado ao Ghigonetto e aos demais atores num bar próximo ao local onde ensaiávamos. A primeira impressão que tive dele foi de uma pessoa que aparentava ser um boêmio com uma idade bem avançada, e uma pessoa brava com um jeitão bem italiano, testa e costeletas enormes”, conta Campos – que está com 30 anos – no livro. 

O autor continua: “Depois contei minhas passagens rápidas nos palcos, e quando falei de 'Fando & Lis', do Arrabal, Ghigonetto ficou surpreso, e feliz me contou que assistiu à primeira montagem no Brasil do texto, com direção da Pagu (Patricia Galvão). Ali eu comecei a ter noção da pessoa que estava na minha frente”.

Àquela altura da carreira, Ghigonetto tinha um currículo venerável: 43 espetáculos como diretor e 13 peças como ator, além de suas atividades como assistente de direção para Antônio Abujamra e produtor de teatro, tevê e novelas. 

Campos conviveu pouco tempo com o artista veterano, que morreu em 2010, aos 81 anos, de insuficiência respiratória, mas nunca se esqueceu das lições, exemplos e histórias, que agora estão registrados no livro "Ghigonetto - Um Homem de Teatro" (96 págs., R$ 40,00), publicado pela Giostri Editora, em novembro.

O conteúdo é parte da pesquisa que Campos fez para o projeto de conclusão do curso de Artes Cênicas pela Faculdade Paulista de Artes (FPA). Agora, ele se dedica ao mestrado em Teatro pela Universidade Federal de São João Del-Rei. 

Ghigonetto na época em que se radicou em Santos e dava aulas em cursos livres (Foto: Arquivo)

No prefácio do livro, o orientador do projeto de Campos, o pesquisador de teatro Alexandre Mate, escreveu: “de bancário a artista (ator, autor, diretor, produtor: em teatro, televisão e cinema), Ghigonetto – que descobre sua vocação a partir dos espetáculos assistidos no Teatro Brasileiro de Comédias (TBC) –, assim como tantos outros sujeitos, deixa obra significativa que, a partir de agora, por intermédio da pesquisa de Luiz Campos, fará parte da história do teatro paulistano. Salvo do limbo movediço do esquecimento, Ghigonetto, um homem de teatro, “voltou” a figurar na história do teatro brasileiro”.

O livro mostra que o diretor chegou a Santos no final de 2005 e que seus últimos trabalhos em São Paulo, na direção, foram o espetáculo "O que leva bofetadas" (2004), de Leonid Andreiev, trabalhando como assistente de Antônio Abujamra, e "O patinho torto", que remontou com o nome "Os mistérios do sexo" (2005), pela TV Cultura em formato de teleteatro.

Fulvio Stefanini, no livro, diz: “Ghigonetto era um homem de teatro, era quase um operário do teatro. Eu chego a arriscar em dizer que o teatro sobrevive por causa destes operários, dessas pessoas”. 

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