Jovens das Oficinas Querô realizam estreia de filme sobre racismo infantil

Longa será exibido na próxima terça-feira, às 20h, no Cine Roxy 5

06/12/2017 - 13:06 - Atualizado em 06/12/2017 - 13:16

O curta-metragem Ana aborda o racismo infantil de forma leve e emocionante (Foto: Divulgação)


Chegou a hora de assistir os curtas-metragens produzidos pelos jovens das Oficinas Querô em 2017. Este ano, foram duas obras audiovisuais realizadas, sendo a principal delas o curta-metragem ANA, que mobilizou as redes sociais durante uma campanha de financiamento coletivo realizado pelos jovens, para produzirem o filme e levarem o tema do racismo infantil às telas do cinema. O resultado será visto na terça-feira (12), na Sessão de Estreia das Oficinas Querô, no Cine Roxy 5, às 20 horas.

Todo o trabalho de roteiro, direção, produção, filmagem e edição foram realizados por jovens de 14 a 18 anos das cidades de Santos, São Vicente, Cubatão e Praia Grande. Com duas protagonistas negras, o curta-metragem ANA busca dar representatividade à mulher negra, levantando questões como racismo e auto-identificação.

“A ideia de produzir o curta surgiu de um dos nossos colegas das Oficinas Querô, que presenciou uma criança que se desenhou como branca durante uma atividade. Nos sensibilizamos com a história e fomos descobrindo entre nós mesmas, meninas no Querô, situações que passamos na infância e decidimos produzir um filme a partir daí, mostrando o que vivem muitas  pretas que não reconhecem ou reprimem a própria identidade, vítimas de racismo desde pequenas”, revela a jovem diretora do filme, Vitória Felipe dos Santos, de 18 anos.

A partir do filme ANA, os jovens também produziram o documentário Estigma, que aborda o racismo por meio de depoimentos de mulheres que tiveram contato com a turma durante a realização do curta-metragem.

Em 2017, o Instituto Querô contou com patrocínio da CMOC Internacional Brasil, Banco Votorantim e thyssenkrupp. As Oficinas Querô acontecem desde 2006 e cerca de 400 jovens já passaram pelo projeto. Com mais de 10 anos de atuação, já foram 105 obras audiovisuais produzidas, entre curtas, séries e um longa-metragem, e 51 prêmios conquistados. 

O projeto é uma realização do Instituto Querô e Ministério da Cultura, com apoio da Prefeitura de Santos e Unimonte.

Sobre o filme
Conta a história de Ana, uma menina que não se reconhece como negra. Jeannette, uma professora refugiada do Congo que trabalha como faxineira na escola de Ana, mesmo não falando português e com dificuldades de adaptação, decide ajudar a menina na busca pela valorização de suas características. 

Para ser ainda mais fiel à causa negra, o filme contou com a tutoria e co-produção da Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), que luta pela representatividade dos negros no cinema.

“Buscamos também trazer um pouco da realidade dos refugiados que vivem no país, que muitas vezes, só se deparam com o racismo ao chegarem no Brasil. Para isso, além de contar com uma atriz congolesa no filme, também visitamos grupos de refugiados em São Paulo, que nos ajudaram durante toda a adaptação da história”, revela a diretora Vitória.

Sessão de estreia dos curtas das Oficinas Querô 2017
Quando: terça-feira, 12 de dezembro
Horário: 20 horas
Local: Cine Roxy 5 (Avenida Ana Costa, 433 – Gonzaga/Santos)

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