Iugoslava escreve sobre programa nazista que raptava crianças

Chamado de Lebensborn, o projeto de Heinrich Himmler afastou meio milhão de crianças de suas famílias

14/11/2017 - 10:39 - Atualizado em 14/11/2017 - 10:55

Ingrid von Oelhafen (esquerda), com 3 anos (Foto: mediadrumworld.com)

Roubada da família, Ingrid von Oelhafen relata a luta para descobrir a sua verdadeira identidade em "As Crianças Esquecidas de Hitler", livro escrito por ela e Tim Tate. Traz novas informações sobre os horrores produzidos pelo regime nazista, como o funcionamento do programa Lebensborn, criado por Heinrich Himmler, chefe da polícia secreta SS e braço direito de Adolf Hitler, que promoveu o rapto de meio milhão de crianças por toda a Europa. 

A ideia era, após um processo de 'germanização', que se tornassem a geração seguinte da raça superior ariana. A autora Ingrid von Oelhafen foi uma das crianças tomadas.

Em 240 páginas (da editora Contexto e tradução de Rogério Bettoni), o livro revela a dimensão do programa e suas consequências na vida das vítimas. A garotinha Erika Matko, de origem iugoslava, foi raptada aos nove meses de vida. 

Considerada pelos médicos nazistas apta a se tornar uma 'criança de Hitler', foi levada para a Alemanha para ser adotada, e recebeu o nome de Ingrid von Oelhafen.

Heinrich Himmler e criança do projeto 
Lebensborn (Foto: Divulgação)

Desconhecer sua verdadeira história sempre perturbou Ingrid. Até que em 1999, ela recebeu um telefonema da Cruz Vermelha, que a instigou a procurar informações. 

Mesmo sofrendo muitas decepções no caminho, prosseguiu na busca de registros do período da guerra, até descobriu ter sido uma criança do programa Lebensborn.

Ingrid precisava conhecer seu passado. Ao longo dos anos, enfrentou com coragem uma série de dificuldades, já que vários registros sobre o Lebensborn foram destruídos pelos nazistas.

Agora vêm a público, revelados por Ingrid, documentos raros, incluindo depoimentos de processos do Julgamento de Nuremberg.

O sucesso do livro se espalhou por Finlândia, Itália, Polônia, Romênia, Eslovênia, Turquia, Portugal e EUA.

Ingrid von Oelhafen (Erika Matko) é fisioterapeuta aposentada e vive em Osnabruque, Alemanha. Investiga há mais de 20 anos sua própria história e a do Lebensborn.

Tim Tate é documentarista e escritor e autor de best-sellers, como "Slave Girl". Seus filmes também foram premiados por entidades como Anistia Internacional, Royal Television Society, Unesco e Associação Internacional de Documentários.

O mal em pessoa

Em nome de Hitler, Himmler também criou e construiu os campos de extermínio. Como facilitador e supervisor, ele dirigiu a morte de cerca de seis milhões de judeus, entre 200 mil e 500 mil ciganos, e outras vítimas. O número total de civis mortos pelo regime é estimado entre 11 e 14 milhões. Muitos deles eram cidadãos polacos e soviéticos.

Capa do livro (Foto: Divulgação)

Perto do final da guerra, Hitler designou Himmler para o comando do Grupo de Exércitos Reno e do Grupo de Exércitos Vístula, contudo, não atingiu os seus objetivos e Hitler substituiu-o nos cargos. Pouco antes do fim da guerra, sabendo que estava perdida, tentou conversações de paz com os Aliados sem o conhecimento de Hitler. Ao saber da traição, o ditador destituiu-o de todas as suas funções em abril de 1945, e ordenou a sua prisão. 

Himmler tentou se esconder, mas foi detido e depois preso pelas forças britânicas, assim que a sua identidade foi descoberta. Enquanto se encontrava detido, suicidou-se mordendo uma cápsula de cianureto presa aos dentes, em 23 de maio de 1945.

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